Casal adota bebê com microcefalia rejeitado duas vezes

Moisés foi abandonado numa caixa de sapato e, em seguida, rejeitado pela primeira família que o adotou.


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Era como se Karen e Alessandro Isler estivessem grávidos quando viram as fotos de um bebê de quatro meses que tinha sido abandonado em uma caixa de sapato numa rua do Rio de Janeiro e, em seguida, rejeitado pela primeira família que o adotou, ao ser diagnosticado com microcefalia.

Por medo de não conseguir criar um filho com necessidades especiais – a microcefalia impede o desenvolvimento adequado do cérebro –, o marido foi contra a adoção no início. Isso até ele ver as fotos de Moisés, uma criança sorridente e cheia de vida.

“Foi com aquele sorrido que ele encorajou o meu marido. Foi um momento muito especial. Nós choramos muito e o Alessandro me disse em seguida: ‘Ele é o nosso filho e nós vamos busca-lo”, disse Karen à revista Exame.

O casal percorreu mais de 550 quilômetros de Rio Claro, no interior de São Paulo, até o Rio. Moisés estava no colo de uma assistente social quando Karen e Alessandro chegaram para oficializar a adoção. “Nos aproximamos e ele começou a pular e sorrir muito, foi uma mistura de alegria com um toque de ‘será que nós vamos dar conta?’”.

Em sentido horário, da esquerda para a direita, Karieli, Alessandro, Moisés, Karen, Josué e o pequeno Izaac. Foto: Karen Isler/Divulgação

Já na nova casa, Moises chorou bastante nos primeiros dias. Ele demorou dez dias para se habituar à nova família. Nessa época, Karen e Alessandro já tinham uma filha de três anos. A pequena Kariely ficou encantada com o irmãozinho. “Ela não o via como deficiente e ajudava nos cuidados dele”, disse Karen.

A mãe conta que Moisés se desenvolveu como um bebê normal até o primeiro ano de vida. Depois disso, ele começou a ter crises convulsivas – eram mais de 50 por dia. “Mesmo tratando com anticonvulsivos, o desenvolvimento dele estacionou ali. Hoje, com quase 7 anos, ele tem a idade mental de uma criança de um ano.”

As convulsões diminuíram depois que Karen e Alessandro descobriram uma dieta alimentar que ajuda no tratamento da epilepsia. O casal ainda teria mais dois filhos, Josué e Izaac. Moisés, como um bom irmão mais velho, é atencioso e ajuda os caçulas em tudo o que eles precisam. “Foi o Moisés que ensinou o Josué a falar sua primeira palavra: gol. E foi Josué que ensinou Moisés a chutar uma bola. Eles vão crescer, e tenho certeza que sempre vão se apoiar uns nos outros, especialmente no Moisés”, refletiu Karen.

Com informações da revista Exame

 


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