Manter a individualidade pode fazer seu relacionamento durar mais

Quando os parceiros percebem que cuidar de si é tão importante quanto cuidar do outro, o casamento ganha vida, força, intensidade.


Por Anna Luisa Brant de C. Frimm

Atualmente as pessoas parecem surpresas quando se deparam com casamentos longos nos quais a afinidade, o companheirismo, a admiração, o amor, a vida sexual ativa, continuam a existir na vida do casal. Logo surgem perguntas como “qual o segredo?” “como conseguem?” “alguma dica?” “será?”

É bastante comum escutar queixas no consultório relacionadas ao desgaste natural da relação com o passar dos anos. Muitos casais relatam acomodação, monotonia, excesso de rotina, falta de desejo sexual, tédio. Enquanto outros escolhem permanecer em águas mais tranqüilas, onde a segurança e a serenidade de uma relação duradoura é o que conta.

Os motivos que levam os casais a se sentirem insatisfeitos no casamento são inúmeros, isso não nós resta dúvida, cada casal tem a sua história para contar.

Porém, tenho observado em meu trabalho, que os casais que conseguem manter uma intimidade saudável, preservando o espaço da individualidade na relação, tendem a ter casamentos mais satisfatórios.

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Foto: Divulgação

Para a psicóloga belga Ester Perel, uma das vozes mais respeitadas no mundo todo na área de terapia conjugal, um bom casamento precisa ter espaço para o indivíduo. Segundo ela, os casais que conseguem cultivar esse espaço na relação, costumam relatar uma maior satisfação frente ao casamento, mantendo não só o amor como também o desejo pelo parceiro.

Talvez agora você esteja se perguntando como cultivar esse espaço na relação? Em tese, parece que aceitamos bem essa idéia, porém na prática tudo fica mais complicado.

Vivemos em uma sociedade em que o modelo romântico de casamento dá grande ênfase a intimidade, ao contato permanente, a total transparência.

Assim, os casais apaixonados, munidos de boas intenções, vão abdicando pouco à pouco da própria individualidade frente às exigências da relação. Aí, um belo dia, eles se dão conta que suas próprias aspirações individuais e as do parceiro já não parecem mais legítimas.

Isso acontece porque os casais se tornam extremamente dependentes um do outro, deixando de escutar seus próprios desejos. Na ânsia de agradar, dar o melhor de si pela relação, pelos filhos, pela família, eles se esquecem de si mesmo. Já não existe mais tempo disponível para relaxar com os amigos, fazer um curso de línguas, uma pós-graduação, praticar um esporte, ter um hobby etc.

Com o passar do tempo, é comum um dos parceiros, geralmente o que se sente mais aprisionado na relação, relatar um vazio frente à vida, um vago incômodo, difícil muitas vezes de entender. Aparentemente tudo caminha bem, o casamento se mantém estável, a família está bem, o trabalho segue o ritmo de sempre, mas falta algo.

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Foto: Divulgação

Esse vazio muitas vezes está relacionado à escassez de projetos próprios  e  entusiasmo pela própria vida. Nessa hora não vale pegar carona na vida do marido/esposa ou na vida dos filhos. Estou falando da sua vida!

Quando os parceiros percebem que cuidar de si é tão importante quanto cuidar do outro, o casamento ganha vida, força, intensidade. Essa percepção é importantíssima, muito valiosa, pois o bem-estar que cada um é capaz de conquistar por si se reflete na relação, o amor que cada um sente pela própria vida faz com que o outro me ame e me deseje ainda mais.

Ester Perel  em seu livro, Sexo no Cativeiro, comenta: “O desejo pelo parceiro nasce ao observá-lo no mundo, quando ele não precisa de mim, assim não sou responsável, não estou protegendo, posso admirá-lo, posso desejá-lo.”

Assim, muitos se queixam da falta de amor e interesse do parceiro mas também se esquecem que já não são capazes de amar a si mesmos.

Sobre a autora
Atende por vídeo-chamada no Zenklub.
Psicóloga graduada pela PUC-SP. Formação em Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae. Experiência em consultório há mais de 15 anos atendendo casais, famílias e individual. Vasta experiência em questões relacionadas a ansiedade, depressão, auto estima, estresse e conflitos amorosos.

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