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Após ser rejeitado duas vezes, menino é adotado por casal gay


Após ser rejeitado por duas famílias, menino é adotado por casal: 'Agora tenho dois pais'
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O pequeno Enzo foi rejeitado por sua própria família biológica e por outras duas famílias que inicialmente tinham a intenção de adotá-lo até finalmente ser acolhido por Kairon Patrick Oliveira da Silva, de 29 anos, e Sílvio Romero Bernardes Fagundes, de 40 anos, seus novos pais. O casal entrou com um pedido de adoção na justiça que foi julgado procedente pelo juiz Felipe Jales Soares, da 1ª Vara de Família, Sucessões, Infância e Juventude do fórum de Águas Lindas de Goiás (GO).

A criança, desde os três anos, viveu com seus irmãos num abrigo e os viu serem adotados primeiro, mas não demorou muito para Enzo também ter a mesma oportunidade e arranjar um lar. No dia de sua adoção, seus irmãos apareceram no fórum para revê-lo e abraçá-lo.

Infelizmente, duas famílias que estavam na fila para adoção desistiram de acolhê-lo porque o garoto havia sido diagnosticado com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

“Eu estou muito feliz. Agora tenho dois pais e eu os amo”, disse Enzo. “Meus pais são ótimos para mim e eu amo muito eles”.

Seu pai, Kairon, disse que os primeiros dias após a adoção foram difíceis, por justamente se tratar de uma adoção tardia.

Após ser rejeitado por duas famílias, menino é adotado por casal: 'Agora tenho dois pais'
Enzo e seus pais. Foto: Aline Caetano / Centro de Comunicação Social do TJGO

“Mas a gente conseguiu construir uma nova realidade, com ajuda de psicólogos e profissionais que nos ajudassem a resolver toda essa situação que ele trouxe, sobre a rejeição. Isso foi bem complicado. A família sempre é a base dos filhos,” afirmou Kairon em uma entrevista.

“Ele é um filho maravilhoso. Na primeira semana, ele já chamou a gente de pai. Foi a coisa mais fácil de todas. A reação dele foi de felicidade.”

Enzo foi diagnosticado com déficit de atenção quando ainda vivia no abrigo; de acordo com Kairon, tal diagnóstico foi equivocado. Ele conta que levou o filho a um outro psicólogo, que atestou não haver qualquer transtorno ou distúrbio psicológico.

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“A primeira escola o diagnosticou com o mesmo problema, então mudamos de escola e ele apresentou melhoras de comportamento. Acreditamos que isso tenha acontecido porque a segunda escola soube trabalhar com ele. A inclusão social dele foi bem feita. Temos um apoio muito grande da escola. A primeira, por outro lado, gerou uma exclusão social muito grande,” disse Kairon, que é cerimonialista.

A família vive em Brasília e de acordo com o pai, ele e Sílvio estão passando por um período de transição, sem no entanto deixarem de curtir a rotina de pai e filho. Kairon também disse que eles adoram viajar, por ser um momento em que eles podem dar uma atenção extra ao filho, já que em meio à rotina de trabalho no dia-a-dia, não sobra muito tempo para o lazer. Para contornar a situação, os pais de Enzo costumam levá-lo para o escritório de trabalho, onde passam o dia juntos.

Responsável por autorizar a adoção, o juiz Felipe Levi disse que “os interessados em adotar uma criança devem ter coração e mente abertos”. Conforme legisla o Estatuto da Criança e do Adolescente, “não há dúvidas de que a adoção realizada atende ao melhor interesse de Enzo”, disse o magistrado.

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“Como se pode verificar de toda instrução do processo, não resta dúvida que ele recebeu a melhor de todas as famílias”, afirmou o magistrado em um comunicado do TJGO.

O juiz Felipe Levi disse também ter notado a melhora de comportamento e de saúde do pequeno Enzo após a adoção:

“Enzo, você não só recebeu o melhor lar para viver, mas companhias que lhe ensinarão no dia a dia a ser um homem, a tratar bem as pessoas e a se desenvolver, como você, guerreiro que se mostrou ser e que, sem dúvida, continuará sendo”, disse Levi ao garoto.

De acordo com Kairon e Sílvio, Enzo nunca sofreu qualquer tipo de preconceito, seja na escola, seja em outros espaços públicos, por ser filho de um casal homoafetivo. Além disso, o garoto compreende sua nova estrutura familiar, e ama seus pais incondicionalmente. Sílvio diz que “o preconceito está muito mais nos adultos do que nas crianças”, ao afirmar isso baseado em sua própria experiência de vida.

“Somos a prova de que o amor incondicional muda qualquer pessoa. Mudou o nosso filho e a gente também. Ele nos ensinou a amar mais, mas hoje a gente entende porque que ele teve que passar por tudo isso, por essas duas rejeições, para chegar na gente”, disse Sílvio, que é gerente comercial.

O casal conheceu Enzo quando ele tinha 7 anos, em dezembro de 2017. Com a adoção, o garoto ganhou o sobrenome dos pais e avós em seu registro de nascimento.

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“Eu fui sozinho no abrigo, inicialmente não tive contato com o Enzo, mas foi amor à primeira vista. Depois voltamos juntos e ele também sentiu algo diferente pelo menino”, relembra Kairon.

Uma audiência foi realizada, onde permitiram Enzo de passar um fim de semana na casal de Kairon e Sílvio. O que era para ser uma visita de fim de semana acabou se transformando em uma guarda provisória.

“Enzo não dormia sozinho e não gostava de tomar banho. Todo dia era um escândalo. Mas eu sempre quis ser pai e não ia desistir por causa disso”, disse Kairon, complementando que o filho estuda numa escola particular, onde a psicopedagoga teria desaconselhado o casal a ficar com a criança. “Ela nos garantiu que ele não iria mudar”, desabafou.

Após ser rejeitado por duas famílias, menino é adotado por casal: 'Agora tenho dois pais'
Comportamento de Enzo melhorou após adoção. Foto: Aline Caetano / Centro de Comunicação Social do TJGO

O casal transferiu o processo de adoção para a cidade de Águas Lindas de Goiás, após enfrentarem dificuldades e certas resistências.

“Aqui somos acolhidos, lá sofremos preconceito até no curso. Nos sentimos excluídos. A Justiça goiana e o juiz desta comarca estão de parabéns. Graças a isso, nossa família nasceu”, concluiu Sílvio.

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Fonte: Extra

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