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Pai com doença degenerativa ensina o que é amor para o seu filho

Amar alguém é querer essa pessoa sempre por perto.


amor
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Amar alguém é querer essa pessoa sempre por perto. É viver bons e maus momentos juntos. Se não for assim, não é amor – talvez, seja apenas amizade ou nem isso. Uma paixão possivelmente. Intensa, mas fugaz, passageira.


Ouça essa matéria e se emocione com a gente! Clique no play acima.

O jovem Ique Carvalho aprendeu o significado dessa palavra vivendo de perto o amor entre seus pais. Foi o pai do jovem que lhe ensinou o que é amar de fato, após ele terminar um relacionamento, poucos dias antes do dia dos namorados. Ique demorou a dirigir o fim do relacionamento, pois a namorada dizia que o amava.

“Um dia, entrei no quarto do meu pai chorando e perguntei: ‘Pai, ela dizia que me amava. Então, por que ela terminou comigo?’. Ele respondeu: ‘Meu filho, quando alguém entra na sua vida e depois de algum tempo vai embora, pode ser qualquer coisa menos amor’”, escreveu ele no Facebook.

Uma semana depois, o pai de Ique foi diagnosticado com uma doença rara e degenerativa. A esposa jamais o abandonou nesse momento de fragilidade e tristeza para a família e amigos.

O pai de Ique estudou em Ouro Preto (MG) e lá fez grandes amigos. Na formatura, combinou com três amigos de se encontrarem a cada cinco anos. Infelizmente, por causa da sua condição, ele não pode ir já que não consegue andar mais. Então, os amigos decidiram ir até ele.

“Os amigos dele saíram do interior de Minas e vieram até aqui em casa. Todo formando tem uma foto pregada na parede na república que estudou. Os amigos do meu pai trouxeram a foto dos quatro. Pregaram a foto de cada um na parede do quarto e disseram: ‘Agora, a nossa república é a sua casa’. E combinaram que daqui cinco anos estariam de volta.”

O pai de Ique ficou profundamente emocionado com tanto amor e carinho, vindo de todas as partes: da esposa, do filho e dos amigos. Foi um momento de muita alegria, hora de colocar a conversa em dia e dançar. Sim, dançar. “Minha mãe entrou no quarto e colocou a música que eles dançavam. Ela disse: ‘Meu filho, traz a cadeira de rodas’. Eu perguntei: ‘O que você vai fazer?’ Ela respondeu: ‘Vou fazer o que seu pai faria por mim’”.

A mãe colocou o pai na cadeira de rodas, se ajoelhou ao lado dele e fez o convite: “Vamos dançar”. “Abraçou meu pai e fez a cadeira girar. Ela ficou ajoelhada a música toda. Meu pai chorava e ria ao mesmo tempo. Eles ficaram ali dançando e se divertindo. Eu voltei pro meu quarto chorando.”

Dá para imaginar como foi esse reencontro, não é mesmo? As imagens que vem à cabeça ajudam a entender um pouco mais esse sentimento extraordinário que é o amor. Muitas vezes, complexificamos seus predicados e por isso mesmo somos incapazes de entendê-lo e praticá-lo. Pois sim, mais do que um pacote de exigências, o amor é uma prática. A prática de quer ao nosso lado pessoas que igualmente querem estar ao nosso lado.

Confira o relato na íntegra:

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Leia o depoimento na íntegra:

“Em junho de 2013, poucos dias antes do dia dos namorados, minha namorada terminou comigo. Eu fiquei sem entender. Voltei pra casa e durante todo o caminho me perguntava: “Por que?”. A única coisa que vinha na minha cabeça era a voz dela dizendo: “Eu amo você”. Eu passei um mês sofrendo procurando respostas para o que estava acontecendo.
Um dia, entrei no quarto do meu pai chorando e perguntei: “Pai, ela dizia que me amava. Então, por que ela terminou comigo?”. Ele respondeu: “Meu filho,quando alguém entra na sua vida e depois de algum tempo vai embora, pode ser qualquer coisa menos amor”. Eu disse: “Não da para entender. Um dia, existe amor e no outro tudo acabou”. Ele respondeu: “Você nunca vai superar seus traumas se continuar procurando no amor uma lógica. Construa uma nova história”. Eu perguntei: “E de onde vem essa força pra começar algo novo?” Ele respondeu: “Não se preocupe com isso todo começo vem de um final”.
Uma semana depois, meu pai foi diagnosticado com uma doença rara e degenerativa que iria matá-lo em alguns dias. Minha mãe não o abandonou. Ela ficou. Meu pai saia toda sexta para comer pizza com dois irmãos. Quando ele parou de andar, meus tios começaram a trazer a pizza aqui em casa.
Eles diziam: “Sem o seu pai, não tem graça”. E ficavam a noite inteira dando gargalhadas. Hoje, meu pai não consegue mais comer. Mesmo assim, toda sexta meus tios passam aqui em casa. Meu pai estudou em Ouro Preto-MG. Na formatura ele combinou com três amigos de se encontrarem de cinco em cinco anos. Este ano, meu pai não pode ir porque ele não anda mais. Os amigos dele saíram do interior de Minas e vieram até aqui em casa. Todo formando tem uma foto pregada na parede na república que estudou. Os amigos do meu pai trouxeram a foto dos quatro. Pregaram a foto de cada um na parede do quarto e disseram: “Agora, a nossa república é a sua casa”. E combinaram que daqui cinco anos estariam de volta.
Meu pai chorou. Meus pais completaram 47 anos de casados dia 2 de junho. Eles sempre dançaram nesse dia. Meu pai não consegue mais se levantar. Minha mãe entrou no quarto e colocou a música que eles dançavam. Ela disse: “Meu filho, traz a cadeira de rodas”. Eu perguntei: “O que você vai fazer?” Ela respondeu: “Vou fazer o que seu pai faria por mim”. Eu busquei a cadeira de rodas. Minha mãe colocou meu pai na cadeira. Ela ajoelhou ao lado dele e disse: “Vamos dançar”. Abraçou meu pai e fez a cadeira girar. Ela ficou ajoelhada a música toda. Meu pai chorava e ria ao mesmo tempo. Eles ficaram ali dançando e se divertindo. Eu voltei pro meu quarto chorando.
Abri o notebook e resolvi escrever esse texto.
Porque eu vejo o mundo distorcendo ou complicando demais o amor. Um monte de gente dizendo fique com alguém que faz isso, que faz aquilo, que te de isso, que não sei o que mais. Esse monte de regras e exigências são coisas criadas pela cabeça. E, meu velho, não sei se você sabe mas o amor é criado pelo coração. O resto, é ilusão.
Então, acredite. O amor, amor completo é quando você quer o outro sempre perto.
Só isso.”

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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