De família humilde, esse brasileiro precisa da sua ajuda para estudar na melhor universidade do mundo


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Segundo índices da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apenas 14% dos adultos brasileiros chegaram ao ensino superior. De origem humilde, o estudante de engenharia Fabiano Rocha foi o primeiro da família a ingressar na faculdade. Agora, busca recursos por meio de financiamento coletivo para conseguir realizar seu grande sonho: foi aprovado no programa de intercâmbio do MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), considerado a melhor universidade do mundo, mas ainda precisa comprovar renda.


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O número citado acima não é diferente do apresentado pelo IBGE, que mostra só 16% dos trabalhadores com faculdade completa no país. Aprofundando os dados, um levantamento da Associação Brasileira de Mantenedorass de Ensino Superior (ABMES) revela que mais de 70% da população é obrigada a abandonar os estudos pois não conseguem arcar com os custos da faculdade particular.

É essa a principal barreira que Fabiano, 24 anos, citou em entrevista ao Razões para Acreditar. Para ele, existe muita gente com capacidade, porém com pouco dinheiro. Além de estudar no MIT, também tenho o sonho de ajudar outras pessoas que querem estudar. Minhas principais dificuldades foram mais financeiras e vejo muitas pessoas boas, como meu irmão e até mesmo pessoas do meu bairro, que não têm acesso ao estudo ou a seguirem uma carreira porque devem trabalhar muito cedo e não conseguem juntar dinheiro.”

Essa realidade é vivida por ele bem de pertinho. Filho do pedreiro Valdemir e da empregada doméstica Sueli, Fabiano tem dois irmãos mais velhos que seguiram a mesma carreira do pai e um mais novo, de 17 anos, que quer cursar psicologia. Dessa maneira, ele se tornou o primeiro membro da família a ingressar numa universidade. Atualmente, ele cursa o terceiro ano de engenharia mecânica aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos. Para chegar lá, houve muito esforço e força de vontade.

Na foto, Fabiano atuando como presidente na Comissão de Estágios do ITA

Nascido e criado no bairro Jardim Santo Antônio, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, o futuro engenheiro despertou seu interesse para a logística quando, aos 11 anos, participou de sua primeira Olimpíada de Matemática. “De 2005 a 2008 eu já havia ido em todas. O prêmio era uma bolsa de 1.200 reais. Foi assim que comprei meu computador, que eu queria muito e custava caro. Assim já vi uma forma de ascensão social”, contou.

Além da premiação em dinheiro, os ganhadores também faziam um projeto de iniciação científica, estudando matemática avançada por um ano. “Foi ali que me descobri. Nessa época era algo mais ingênuo, de criança, sem a ideia de universidade e tal. Depois me disseram que a ITA era a melhor e mais difícil faculdade de engenharia. E eu falei: então é essa que eu quero! No primeiro vestibular tirei 2,5. Aí foi uma escadinha até eu ingressar de vez”.

As medalhas que são frutos de seus esforços

Dentro de suas conquistas, cabe ainda a bolsa integral de estudos que conseguiu durante o Ensino Médio, para estudar no Colégio Objetivo, que é particular, além de bolsa no cursinho da Poliedro, em São Paulo, que é o melhor para os que desejam ingressar na ITA. Depois de três anos, estudando cerca de 14 horas por dia, de segunda a sábado e com simulados todos os domingos, enfim era um universitário.

As dificuldades financeiras sempre estiveram presentes na sua vida e na dedicação aos estudos, desde o momento em que foi para o cursinho até a faculdade, porque embora não pague mensalidade, precisa de dinheiro para se manter. Neste período, estudou inglês, francês e espanhol; fez iniciação científica; foi professor voluntário para crianças carentes; fez estágios em todas as férias (na Ambev, na Johnson & Johnson e na Rhodia).

Recentemente, foi aprovado em um intercâmbio na Universidade do Chile e foi pra lá com a ajuda de muitas pessoas e o trabalho como professor particular. Agora, eis que veio mais uma gloriosa novidade para sua carreira e currículo: foi aceito no programa de intercâmbio do MIT, eleita a melhor universidade do mundo nos últimos três anos. Minha grande motivação pra ir é que essa é realmente a escola dos meus sonhos. A tecnologia do mundo está no MIT. Para quem é engenheiro e gosta dessa área, é o lugar. Fiz um curso online deles e nunca aprendi tanto na vida. Estou há três anos me preparando para estar lá”, argumentou.

A candidatura é extremamente difícil, incluindo teste de proficiência em inglês, análise de histórico escolar, análise de currículo, cartas de recomendação de um professor e das experiências profissionais passadas, carta de motivação (explicando objetivos e planos futuros) e muitos formulários sobre as distintas áreas da vida pessoal. Com a aprovação em mãos, falta agora a comprovação de renda para tirar o visto norte-americano.

Através de uma campanha online, está captando contribuições para conseguir preencher o formulário I-20, emitido pelo MIT, que exige cerca de R$ 60 mil para custear seis meses de curso em Cambridge, Massachusetts. No financiamento coletivo, são necessários R$ 40 mil, dos quais R$ 33 mil já foram arrecadados. Ele segue trabalhando, juntando dinheiro e tentando parcerias ou acordos com parceiros. “Se não conseguir os documentos, morro na praia. Estou bem desesperado!”.

Com os investimentos, Fabiano vai ampliar seus conhecimentos na área de Supply Chain e Logística. A longo prazo, quer fazer mestrado na área de logística e matemática aplicada, além de empreender. “Tenho muita vontade de abrir uma empresa e importar a tecnologia, trazer pra cá o que ainda não temos nessa área. Antes, quero me formar e poder ajudar minha família, especialmente meu irmão, que quer estudar também e tem muito potencial”, concluiu. Quem puder fazer uma doação, de qualquer valor, pode acessar aqui. Boa sorte, Fabiano!

Todas as fotos: acervo pessoal/Fabiano Rocha – Cedidas ao Razões para Acreditar


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