Conheça o contexto histórico das matemáticas negras que foram imprescindíveis para a NASA


Mulheres negras NASA

Brilhantes matemáticas negras nunca ganharam destaque na história vitoriosa de mandar homens ao espaço.

Os anos 1960 nos EUA foram um palco de horrores, luta e superação para os negros norte-americanos que marcaram a história do século XX no Ocidente. O racismo dividiu aquele país entre uma comunidade branca segregacionista que não aceitava que os negros pudessem partilhar dos mesmos direitos do homem branco e a ascensão de novas lideranças afro-descendentes, como Martin Luther King, que mobilizaram o coração e as mentes tanto de negros que passaram a lutar por seus direitos, quanto brancos que começaram a se sensibilizar e se conscientizar da grande mácula que a escravidão deixou no coração da “terra da liberdade”.

Os conflitos dos anos 1960, pautados por assassinatos, terrorismo étnico (uma bomba foi plantada por segregacionistas brancos numa igreja freqüentada por negros, matando quatro adolescentes que cantavam no coro), repressão policial atroz e a ascendência da Ku Klux Klan, marcaram um ponto de inflexão nas relações inter-étnicas dos EUA. Foi nesse contexto que o grupo “Viajantes pela liberdade”, formado por jovens ativistas pelos direitos civis em defesa dos direitos da população negra nos Estados Unidos, viajou de ônibus interestaduais para o sul do país, região marcada pela extrema segregação racial, desafiando os segregacionistas que não permitiam que negros ocupassem assentos junto com pessoas brancas, o que despertou a fúria da Ku Klux Klan, que atacou muitos desses ônibus, ferindo ativistas. Em 1963, a “Marcha sobre Washington por empregos e liberdade” levou cerca de 250.000 pessoas ao Lincoln Memorial para lutar pelos direitos dos negros sob o discurso épico de Martin Luther Ling “I have a dream…”.

Estes conflitos e a força emergente da comunidade negra, apoiada por muitos norte-americanos contrários à segregação (em especial, os estados do norte), fizeram com que o povo americano começasse a tomar consciência de seu comportamento em relação à comunidade negra, ao ponto de, em 1965, o então presidente Lyndon Johnson discursar sobre a necessidade de fazer prevalecerem os direitos humanos no país, dizendo que a causa negra deveria ser tomada como uma causa norte-americana por todos.

Foi no contexto de opressão extrema, violência e segregação racial do início dos anos 1960 que Katherine Johnson, uma matemática negra com uma mente brilhante tornou-se uma figura essencial para o cumprimento da missão de lançar em órbita um foguete impulsionando os EUA na corrida espacial disputada com os soviéticos.

Você sabia disso? Eu também não. E esse é um dos pontos chaves do conceito de Hidden Figures (título em inglês, que significa “figuras escondidas) e que aqui no Brasil recebeu o nome de “Estrelas Além do Tempo”. O filme aborda a história de Johnson e suas colegas Mary Jackson e Dorothy Vaughn, três matemáticas negras que, em função da genialidade com os números, se tornaram imprescindíveis para a NASA, cujo propósito – lançar em órbita 3 astronautas – se tornou maior que o preconceito, pois a NASA precisava tanto da “garota esperta” (como era chamada pelos superiores) Johnson, que a cor de sua pele tornou-se uma questão secundária.

O filme lança uma luz sobre essas figuras escondidas da história que tiveram suma importância, tanto pela capacidade técnica e contribuição intelectual e prática (nesse caso, no lançamento de foguetes), quanto pelo papel que desempenharam como ícones de superação do preconceito e discriminação racial e de gênero nos EUA. As matemáticas negras ficavam literalmente escondidas, segregadas em espaços separados dentro da NASA, onde desenvolviam cálculos extremamente sofisticados.

contexto históricos mulheres matemáticas negras
Dorothy Vaughan, Katherine Johnson e Mary Jackson eram “computadores humanos” na NASA. BOB NYE/NASA/DONALDSON COLLECTION/SMITH COLLECTION/GADO/GETTY IMAGES

A importância deste lançamento também diz respeito à política lançada pelo ex-presidente Barack Obama de reconhecer as atrocidades cometidas contra os africanos trazidos como escravos pelos norte-americanos séculos atrás, como um ato de resignação e pedido de perdão às nações africanas, o que impacta diretamente a consciência sobre a forma como os afro-descendentes foram introduzidos na sociedade do “novo mundo”: à sua margem.

Num mundo onde, de um lado a luta pela diversidade foi incorporada como valor consensual da política, à moda, passando pela indústria do entretenimento e cultura de consumo e de outro, o preconceito étnico, a discriminação racial e a guerra emergem recriando cenários de barbárie, recuperar a história daqueles que lutaram e venceram o preconceito é algo primordial para que se pense a luta pelo direito do Outro, é uma luta pela paz, pelo desenvolvimento de uma sociedade igualitária onde todos vão ganhar, simplesmente porque não se permitirá que alguém perca, seja excluído, ou agredido pela cor da sua pele.

[EXCLUSIVA]

A FOX disponibilizou exclusivamente para o Razões para Acreditar, um vídeo onde os atores, produtores e diretor falam sobre o legado histórico que o filme retrata e a importância de mais pessoas saberem desse feito brilhantes, vejam:

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