Com ajuda de ‘vaquinha’, baiano de 11 anos consegue ingressar na Escola Bolshoi


Antes de ir para a Escola Bolshoi ele encontrou a equipe do Razões
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Da Bahia para a única Escola Bolshoi fora da Rússia, que fica em Joinville, SC.

Desde muito pequeno, o baiano Adrian Barreto acompanhava a saga de sua irmã no balé. Espiando as aulas, encantou-se e foi levado pelo ritmo da dança, que chegou a seus olhos e tocou seu coração. Agora com 11 anos de idade, ele conseguiu passar em testes e arrecadar dinheiro para realizar seu sonho como bailarino na Escola Bolshoi.

Os idealizadores do Razões para Acreditar, Vicente Carvalho e Marcelo Martins, estiveram em Salvador recentemente e chamaram Adrian para bater um papo. Ele contou que descobriu a dança através de sua irmã, que já dançava. “Minha mãe ia levá-la e me levava junto. A porta era meio abertinha e aí eu ficava olhando. Um dia falei que queria dançar balé também. Ela me perguntou se eu tinha certeza e comecei a correr atrás”, disse. Eu vi que era uma arte muito bonita e eu era muito pequeno para já entender muito disso, mas olhava e pensava: isso é incrível!”, respondeu à nós sobre o que sentiu no momento em que se despertou para o balé. A família, junto com Adrian, é envolvida também na prática do taekwondo, arte marcial coreana.

Antes de ir para a Escola Bolshoi ele encontrou a equipe do Razões
Adrian desenvolveu o amor pelo balé ao ver a irmã, Ariane, dançando. Hoje, a família unida pela dança, também pratica esporte junta: sexta-feira é dia de Taekwondo. (Foto: Correio 24 horas)

Aos cinco anos de idade (sim, ficamos chocados!), ele de fato foi atrás de tudo. “Fiquei surpresa e ele me atormentou, esse coitado. O tempo todo. E só tinha adulto na escola e as meninas eram maiores do que ele”, argumentou a mãe, Valdeci Barreto, que nunca deixou de dar apoio. Depois de insistir com diretores do Teatro Vila Velha, o garoto convenceu a professora que o deixou fazer um teste numa aula onde, até então, só havia meninas. Provando seu potencial, conseguiu uma vaga na oficina de dança e ficou até 2014, quando já estava com oito anos. Como estava num nível muito avançado, ganhou uma bolsa de estudos na Fundação Cultural do Estado da Bahia Adrian foi também a porta de entrada para que outros meninos ingressassem no balé onde ele começou seus primeiros passos e serviu de incentivo.

Antes de ir para a Escola Bolshoi ele encontrou a equipe do Razões
Adrian conseguiu vaga disputadíssima na Escola Bolshoi em Joinville. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando já estava com 10 anos, descobriu que teria uma pré-seleção para a Escola Bolshoi do Brasil, única extensão estrangeira do Teatro Bolshoi de Moscou, que é uma das principais companhias de balé e ópera do mundo. É considerado patrimônio cultural da humanidade pela ONU e UNESCO. “Pensei: por que não testar, né? Aí eu falei com a minha mãe, porque não tinha dinheiro para ir pra lá. Então fui estudando, me esforçando e passei na pré-seleção do Bolshoi e fui para a segunda etapa, que é nacional, lá em Joinville”, explicou, quando concorreu com outros 20 meninos e 20 meninas em Salvador. “Foi uma surpresa. A gente foi [para a seleção nacional] com um sonho e voltou com um sonho realizado, pontuou a mãe.

A Escola recrutou 2.500 jovens dançarinos do Brasil para seguir rumo à etapa nacional, na sede em Santa Catarina. “Tinha prova, de matemática e português, rendimento e também dança. E eu passei, de novo! Deu no que deu, né”, contou, com um sorriso no rosto. E seu envolvimento era tamanho com a escola, a dança e a arte marcial, que Adrian disse que só tinha o domingo livre de responsabilidades. “Livre entre aspas, né. Tinha vezes que até minha mãe brigava comigo pelo tanto de tempo que eu ficava ensaiando.

primeiras fotos que tirou na Escola Bolshoi

Com amizades com pessoas mais velhas do que ele, o pequeno bailarino comentou sobre o bullying, visto que a prática do balé ainda é erroneamente associada à feminilidade. “Em qualquer lugar vai ter. Tem que acabar com aquilo porque é uma besteira. A pessoa parava o que ela estava fazendo para criticar. No começo eu até gaguejava pra falar, agora eu já estou mais relaxado. Mostro que o bullying já não faz mais efeito”. E ele continua seu raciocínio, trazendo uma valiosa lição para todos nós: “O taekwondo não é o modo de atacar; é o modo de defender. Eu me controlava muito, não fazia vingança. Muitas pessoas brigam por nada.”

Atualmente ele está no nível quatro do balé e sua irmã está no nível seis, a dois anos de se formar bailarina. Por meio de arrecadações, conseguiu enfim chegar a Joinville neste mês para encarar sua nova missão dentro da Bolshoi, onde ficará por pelo menos oito anos estudando. O dinheiro das passagens aéreas, de dois meses do aluguel e um mês de mantimentos foi garantido. Ainda assim, não consegue levar seu pai e sua irmã para perto, devido condições financeiras. “Há uma resistência muito grande em encontrar um imóvel que seja perto dos estudos, diminuindo os custos, e que aceite crianças, pois a maioria dos imóveis restringe a presença deles”, explicaram.

Mobilizando recursos e chegando ao máximo de pessoas, a família poderá se unir novamente. Por enquanto, o pai e a irmã ficarão em Salvador, enquanto Valdeci, a mãe, busca emprego na cidade. A renomada escola de balé oferece ensino gratuito, além de benefícios como almoço, livros, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, assistência odontológica, e outros atendimentos de saúde.

Além disso, a marca Reserva Mini apoia e veste todo o guarda-roupa do pequeno, que exibe com orgulho as roupas e tênis da marca, que desde que soube da história de Adrian envia seus produtos para o bailarino.

E assim foi a saga deste guerreiro, que agora começa mais uma jornada de muito esforço e dedicação. Para Adrian, a dança e a luta se complementam. Com a força do taekwondo, a sensibilidade do balé e a disciplina de ambos, ele só tende a nos encher ainda mais de orgulho. Rompendo padrões entre pliés e fondus, temos um pequeno grande bailarino, que mistura leveza e resistência, elevada à potência de seus sonhos e que com certeza sairá da Escola Bolshoi um talento ainda mais surpreendente.

Antes de ir para a Escola Bolshoi ele encontrou a equipe do Razões
Adrian e sua mãe. (Foto: Marcelo Martins)

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primeiro dia na Escola Bolshoi

Para ajudar Adrian e sua família rumo a um grande sonho, entre em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone: (71) 98801-5970. Os dados bancários de Adrian são: 

Banco Caixa Econômica Federal

Agência 3879 / Operação 013

Conta Poupança: 71.98801-5970


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