Globeleza veste roupas típicas e traz diversas representações do carnaval e folclore do país

Em tempos de grandes criticas à apropriação cultural pela publicidade, temos uma “apropriação importante”, que sai do carnaval para gringo ver e traz uma iconografia folclórica, diversa, que mostra como o Brasil é muito maior, mais abrangente e mais rico do que a chamada Globeleza.


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A partir deste ano, teremos aqui no Razões alguns textos inéditos feitos por Valeria Brandini, que é antropóloga e comunicóloga, com PhD pela USP e pela Universitá La Sapienza de Roma, na qual tive o prazer de ser aluno dela quando estudei no Istituto Europeo di Design – IED. A convidei porque acredito que é importante termos um olhar mais apurado e científico sobre alguns acontecimentos atuais no nosso país e mundo, e por crer também que conhecimento é a chave que nos liberta de um mundo de mediocridade, em seu primeiro texto, pedi que ela analisasse a nova chamada para o carnaval Globeleza deste ano. Leiam:

A nova chamada para o carnaval Globeleza da Rede Globo “lacrou” na percepção do público internauta e no que diz respeito à representação do Brasil real – um Brasil plural. A emissora, que parece ter aderido à tendência publicitária de uso da diversidade como capital de valor, fez um vídeo mostrado diversas representações do carnaval e do rico folclore brasileiro de dimensão territorial (e cultural) continental, do Bumba Meu Boi ao Frevo, com modelos masculinos e femininos de diferentes etnias, pecando apenas pela ausência de um representante de descendência indígena.

Se no ano anterior a emissora foi acusada de “colorismo”, por utilizar como modelo uma lindíssima afro-descendente com o tom de pele mais claro, o que foi percebido como uma estratégia de marketing para tornar a chamada mais adequada ao padrão internacional de modelos – o padrão europeu – neste ano a Globo saiu da apropriação do corpo negro/mulato semi nu (imagem para gringo ver), como representação do carnaval brasileiro e trouxe a heterogeneidade vibrante, alegre e colorida do Brasil plural como conceito, como imagem, como mood de campanha.

Em tempos de grandes criticas à apropriação cultural pela publicidade, como se desde o início da TV e do cinema, isso não fosse a base da comunicação publicitária, temos uma “apropriação importante”, que sai do carnaval para gringo ver, que corrobora a fantasia de um carnaval erótico, selvagem, com mulatas semi nuas, e traz uma iconografia folclórica, diversa, que mostra como o Brasil é muito maior, mais abrangente e mais rico do que a chamada Globeleza, que anuncia o carnaval na mídia, mostrava para o brasileiro e para o resto do mundo. Viva a diversidade!

Assista o vídeo:

As pessoas no geral tem recebido com bastante entusiasmo essa mudança da vinheta, vejam alguns comentários:

Mas tivemos outro ponto de vista, e achamos importante mostrá-lo:

Enfim, fica aqui nossa contribuição e agora fica pra vocês tirarem suas próprias conclusões 😉

Ainda sobre a Valeria, um pequeno resumo de sua vida e o que ela acredita:

Valéria Brandini é antropóloga e comunicóloga, com PhD pela USP e pela Universitá La Sapienza de Roma. Desenvolveu nos últimos 20 anos estudos sobre os significados da cultura urbana contemporânea, com temas que vão do rock à moda no Brasil, com ênfase na cultura de consumo e seus desdobramentos sociais. Valéria é apaixonada por decodificar os significados da teia cultural contemporânea nas atitudes das pessoas, em seus gostos, suas formas de sentir e enxergar o mundo e acredita na diversidade de gênero, étnica e social como um valor que deve ser compreendido, transmitido e defendido, tanto no universo social, quanto entre empresas, instituições e empreendedores.

Acreditando que diferença não é desigualdade, que as diferenças entre pessoas são a riqueza que traz inovação e diversidade ao mundo e que a aceitação das diferenças ajuda a diminuir a desigualdade, a antropóloga escreve em sua coluna sobre cultura, comportamento e valores emergentes no Brasil e no mundo.

Os próximos textos já virão com ela assinando todo a matéria 😉

Foto: Ramón Vasconcelos


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