Apadrinhamento afetivo gera ressignificação de vidas


Apadrinhamento afetivo gera ressignificação de vidas

(Por Claudia Corbett)

O apadrinhamento afetivo entrou na vida da família de Fernando Martins dos Santos por causa da curiosidade do filho mais velho que queria saber como era morar em uma Casa Lar ou Serviço de Acolhimento. Ao buscar informações para sanar a curiosidade do filho, descobriu o “Apadrinhamento Afetivo Acordar”, promovido pela Associação de Educação do Homem de Amanhã (AEDHA), entidade parceira da Fundação FEAC.

Fernando é casado com Ingrid e tem três filhos: Fernandinho de 12 anos, Tomás de 08 e Isabela de 05. A chegada do afilhado na casa da família teve aceitação imediata.  “As crianças falam com orgulho sobre o Ezequiel, nosso afilhado desde 2015, que hoje está com 17 anos”, exaltou.

Já Maira Coelho Favier Vernizzi se encantou com a proposta do apadrinhamento afetivo e não demorou muito para que ela e o marido Daniel Favier Vernizzi abraçassem a causa. Em clima de Natal, o casal se preparou para receber, Guthemberg de 13 anos.

Os fins de semana, feriados e as férias são os momentos mais esperados pelas crianças e adolescentes apadrinhados. Nestas ocasiões eles experimentam a convivência com a família e com os amigos dos seus padrinhos.

Experiências como estas estão sendo vivenciadas por 45 famílias de Campinas, que que abrem corações e portas das suas casas, disponibilizando tempo e afeto em prol do desenvolvimento de meninos e meninas. Essa convivência melhora a autoestima e qualifica as relações interpessoais. Além disso, contribui com a  ressignificação das histórias de vida. Assim, crianças e adolescentes apadrinhados passam a ter a oportunidade de, a partir da nova experiência, atribuir um significado positivo e satisfatório para acontecimentos e vivências que até então não geravam boas lembranças.

Atualmente, no município de Campinas/SP, há cerca de 390 crianças e adolescentes acolhidos e dentre esses, 91 com perfil para o apadrinhamento afetivo.

 Acordar  

O programa Apadrinhamento Afetivo Acordar teve início em 2014 e faz parte da ampliação da rede de serviços que compõe as ações de Proteção Social Especial de Alta Complexidade. Sua missão é mobilizar e incentivar famílias para que apadrinhem crianças e adolescentes com idades entre 07 e 17 anos, com remotas possibilidades de retorno para a família natural, extensa ou adoção, acolhidos institucionalmente em serviços do município de Campinas. A implantação e manutenção das atividades desta iniciativa, nestes últimos dois anos, foi mantida com recursos do Fundo Municipal para a Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA).

Este tipo de apadrinhamento é uma ação voluntária desenvolvida por pessoas que disponibilizam tempo e afeto em prol do desenvolvimento de crianças e adolescentes.

O nome Acordar surgiu da ideia de um jogo de palavras para chegar à essência do objetivo do apadrinhamento afetivo. Dar o coração, dar afeto, dar cor, dar novas matizes à vida destas crianças e adolescentes.

A importância dos vínculos

“Esta é a realidade que vivenciamos hoje no Brasil. São milhares de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. O vínculo afetivo construído constantemente estabelece relacionamentos estáveis que se tornam referenciais familiares e sociais para elas. Além disso, essa vivência e convivência é enriquecedora para ambos  – padrinhos e apadrinhados – e coloca em cheque os preconceitos sociais que permeiam nossa sociedade’, destacou a supervisora do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Ana Lídia Manzoni Puccini.

 Processo de Seleção e Avaliação

Os candidatos ao apadrinhamento passam por um processo de avaliação a partir de reuniões informativas chamadas Porta de Entrada. “Nestes encontros, explicamos o Programa, quais os critérios e a expectativa  em relação ao padrinho”, contextualizou Juliana Dias Barbosa, coordenadora do Acordar. Cumprida essa agenda, o próximo passo é o cadastro e uma entrevista psicossocial com todos os membros da família.

São realizadas, ainda, visitas à casa da família candidata para conhecimento do espaço. “Não há necessidade de um quarto somente do afilhado. O ideal é que ele tenha um espaço para dormir e uma gaveta para guardar seus objetos. Isso denota pertencimento àquela família, àquele lar”. A recomendação é que a ida para a casa dos padrinhos seja feita no mínimo de 15 em 15 dias, mas o ideal é que esse contato seja todo fim de semana.  Eles também podem, por exemplo, acompanhar seus afilhados em consultas médicas e participar das reuniões de escola.

Estabelecido o vínculo e o convívio, a cada dois meses é realizada uma reunião de avaliação com todos os envolvidos.

“Saber que o nosso afeto está fazendo diferença na vida do nosso afilhado é tão gratificante quanto o carinho que recebemos dele.  Guthemberg teve melhoras em seu comportamento na Casa Lar e na escola. Além disso, ele tem conseguido falar mais sobre suas emoções, algo que tinha muita dificuldade”, exaltou Daniel.

Os interessados em fazer parte do Programa de Apadrinhamento Afetivo Acordar devem entrar em contato pelo telefone (19) 3772.9699 ou pelo e-mail [email protected]

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