Instituição social adequa serviço de convivência para atender refugiados


(Por Claudia Corbett)

Campinas vem recebendo um número considerável de refugiados vindos da Síria, Palestina e do Haiti. Para atendê-los as organizações da sociedade civil estão se mobilizando.

Inicialmente, o envolvimento com as instituições era emergencial, uma vez que os grupos de refugiados chegavam com necessidades prementes. Com os fluxos consolidados, eles passaram a apresentar demandas mais específicas, como por exemplo, auxílio para inserção no mercado de trabalho.

Com este intuito, algumas entidades têm atuado no sentido de oferecer formações profissionais. Preparam para o mercado de trabalho e ainda apoiam no processo de empreendedorismo.

Refugiados do Haiti

Em grande concentração na região Norte de Campinas, os haitianos passaram a procurar apoio no Educandário Eurípedes, unidade do Centro Espirita Allan Kardec, entidade parceira da Fundação FEAC.

Eles chegam à entidade ansiosos para arrumar emprego, mas ainda enfrentam a barreira da língua. Sabem apenas o básico em português. Falam crioulo, língua nativa do Haiti. E uma grande parte também é fluente no francês e alguns no inglês.

“Percebemos que precisávamos adequar nossas oficinas socioeducativas. Há a necessidade de conhecermos a cultura destas pessoas e respeitar as limitações deste momento”, constatou Alzira Praxedes Ferreira, pedagoga do Educandário, à frente das oficinas que ocorrem no serviço de convivência e fortalecimento de vínculos

Os atendimentos iniciais passaram a ser realizados separadamente. Era preciso saber as necessidades pessoais de cada um. “Eles querem qualquer trabalho, mas muitos têm uma profissão. Seria desmotivador para uma haitiana que era secretária, que fala inglês e francês fluentemente, vir a trabalhar com algo que não utilizasse seus conhecimentos e habilidades”, comentou Alzira.

O ponto de partida foi ajudá-los a se comunicarem melhor em português. Alguns deles, como a haitiana Sophia Cazeau Decius de 22 anos, frequentam também o curso de alfabetização na Língua Portuguesa, oferecido pela Fundação Municipal para Educação Comunitária (Fumec), vinculada à Prefeitura de Campinas.

Oficinas

A Oficina dedicada somente à matemática lúdica passou a trabalhar também o português. Segundo o educador social, João Paulo Martins, com a adequação o interesse em aprender se tornou ainda maior. “Eles conseguem se comunicar de uma maneira básica e por isso tenho trabalhado bastante com jogos. No Anagrama, por exemplo, são oferecidas oito letras para a criação de palavras e isso tem sido eficiente. Eles ainda levam livros para ler em casa”, constatou.

Nas aulas de informática aprendem a enviar e responder e-mails e utilizar os softwares. Isso é um apoio para a Oficina de Recursos Humanos, na qual adquirem conhecimento sobre mercado de trabalho e elaboração de seus currículos.

Há ainda as aulas de Alimentação. Para os haitianos, muitos ingredientes são parecidos, mas a culinária é diferente. Nestes encontros, eles conhecem o que é uma alimentação saudável e como aproveitar os itens. Também têm a oportunidade, mesmo que não profissional, de geração de renda. Fazem doces e salgados e calculam custos e possibilidade de lucros. “Com esse aprendizado podem também empreender na área”, exaltou a nutricionista e educadora social, Vivi Brandão.

Mas o convívio e as oficinas não beneficiam somente os refugiados. A presença deles possibilitou mais riqueza na oficina Janelas Urbanas, que visa a compreensão das diferentes manifestações culturais e sociais.

No segundo semestre, a instituição irá oferecer oficinas específicas aos refugiados como Assistente Administrativo; Alimentação (pães e pratos salgados e doces); Artesanato; Teatro e Vídeo. O Educandário tem ainda uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) no curso de Panificação.

Serão mais possibilidades de formação para integração social e ingresso no mercado de trabalho.

Integração

São muitos os desafios no processo de integração dos imigrantes e refugiados. A ausência de Políticas Públicas pensadas para esse público dificulta o processo. “Existe uma necessidade a ser atendida como documentação, alimentação, moradia, etc. Porém, as discussões precisam ir para além dos atendimentos pontuais. Precisamos fomentar os espaços de discussões intersetoriais. Mobilizar para que sejam elaboradas leis e decretos. Sem contar a necessidade de uma revisão do Estatuto do Estrangeiro, que precisa ser atualizado de acordo com as demandas dos atendimentos municipais, estaduais e federais”, frisou a assessora técnica do Departamento de Assistência Social da FEAC, Carla Nascimento.  No município de Campinas, há espaços para discussões do Reordenamento no atendimento da Política de Assistência Social. “São locais oportunos para discutirmos o fluxo de atendimento a esse público. Existem também as necessidades de adequações para qualificação dos atendimentos nos serviços”, complementou.

Saiba mais: www.ceak.org.br/ee

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