Pai de neonazista de Charlottesville escreve carta após filho ser identificado

"Por favor, filho, renuncie ao ódio, aceite e ame a todos”


Charlottesville
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Já que o presidente Donald Trump não dá um posicionamento definitivo – contra, evidentemente – sobre o protesto de grupos supremacistas brancos, racistas e neonazistas na cidade de Charlottesville, na Virgínia, que deixou dois mortos e 20 feridos, nos dias 12 e 13 de agosto, o pai de um dos manifestantes disse com todas as letras o que o mundo esperava que Trump dissesse.


Ouça a carta de Pearce Tefft e entenda como sua família está arrasada! Clique no play acima!

Isso foi possível graças a uma conta no Twitter que está identificando as pessoas que aparecem nas fotos da manifestação Unite The Right (Unir a direita), chamada Yes, You’re Racist (Sim, você é racista).

Peter Tefft foi identificado em uma dessas denúncias. Ele é filho de Pearce Tefft, que decidiu escrever uma carta aberta em um jornal local repudiando a orientação política do jovem, com enorme pesar e desapontamento.

Peter Tefft define o filho como um “nacionalista branco declarado”, que um dia chegou a dizer que “a questão sobre nós, fascistas, não é que não acreditemos em liberdade de expressão. Você pode dizer o que quiser. Nós vamos te jogar em um forno”.

Ele acredita que a carta é uma forma de impedir que o movimento neonazista continue avançando, ironicamente, nos Estados Unidos – o país combateu a Alemanha nazista de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. “Por favor, filho, renuncie ao ódio, aceite e ame a todos”, declarou.

Confira a carta na íntegra:

“Meu nome é Pearce Tefft, e escrevo a todos, a respeito do meu filho mais novo, Peter Tefft, um nacionalista branco declarado que tem aparecido em diversas reportagens locais nos últimos meses.

Na última sexta-feira meu filho viajou para Charlottesville, e foi entrevistado por uma equipe de jornalistas enquanto marchava ao lado de outros nacionalistas brancos, que alegadamente acabaram matando uma pessoa.

Eu, junto de todos os seus irmãos e de sua família, desejo contundentemente repudiar a retórica e as ações torpes, odiosas e racistas de meu filho. Não sabemos exatamente onde ele aprendeu tais crenças. Não foi em casa.

Tenho dividido minha casa e meu coração com amigos e conhecidos de todas as raças, gêneros e credos. Ensinei às minhas crianças que todos os homens e mulheres são iguais. Que temos de amar a todos igualmente.

Evidentemente Peter decidiu por desaprender tais lições, para desgosto e sofrimento meu e de sua família. Estávamos em silêncio até agora, mas agora vemos que isso foi um erro. Foi o silêncio de boas pessoas que permitiu que os nazistas florescessem da primeira vez, e é o silêncio de boas pessoas que está permitindo que floresçam agora.

Peter Tefft, meu filho, não é mais bem-vindo em nossas reuniões familiares. Eu rezo para que meu pródigo filho renuncie suas crenças odiosas e volte para casa. Só assim poderei novamente sorrir.

Suas opiniões de ódio estão trazendo retóricas de ódio na direção de seus irmãos, primos, sobrinhos e sobrinhas, assim como de seus pais. Somos culpados de tal associação? Novamente, nenhuma de suas crenças ele aprendeu em casa. Nós não aceitamos e jamais aceitaremos sua deturpada visão de mundo.

Ele certa vez disse, em tom jocoso: ‘a questão sobre nós, fascistas, não é que não acreditemos em liberdade de expressão. Você pode dizer o que quiser. Nós apenas vamos te jogar em um forno’.

Peter, você vai ter que atirar nossos corpos no forno também. Por favor, filho, renuncie ao ódio, aceite e ame a todos.”


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