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Restaurante emprega refugiados e pessoas de baixa renda junto a ONGs


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Você já viu alguma vez um café ou restaurante com uma proposta tão diferente do comum? Talvez você já tenha aproveitado as comidinhas por aí sem nem perceber quem é a pessoa por trás da roupa de chef ou de garçom. Mas no Restaurante Trampolim localizado no Hotel Íbis da Accor Hotels, na Consolação, você provavelmente se impressionaria com a ideia tão original e diferente dos outros lugares. Lá, o objetivo é promover a inclusão de profissionais que têm dificuldade de ascensão no mercado de trabalho. Não é à toa que não é um perfil exclusivo, ou seja, refugiados, menores aprendizes, transexuais, público LGBT no geral, etc., são apenas alguns dos perfis que o restaurante se propõe a adicionar ao time de profissionais. Assim, o ambiente é, como podemos dizer, sem preconceitos. Lá muitas pessoas pobres também puderam alcançar uma profissão por meio de uma ONG parceira dos hotéis Accor, se capacitando para trabalhar em um restaurante.

Para você ter uma ideia, até o processo seletivo é diferente dos outros. Não, eles não olham para experiência que a pessoa tem ou não e, sim, para o perfil, aquilo que ela quer mostrar e aprender. No começo existe um treinamento já que muitos chegam sem qualquer experiência e lá acabam aprendendo tudo. Muitos até já conseguiram crescer e muito na empresa como é o caso da Fabi, segundo conta a assessoria de imprensa, que fez um curso de cozinheira, criou um pudim e sua receita entrou no cardápio do Trampolim e também no Hotel Pullman, que é um hotel cinco estrelas.

Segundo o gerente de alimentos e bebidas do Ibis do Ibis Budget Paulista, João Climaco de Souza, o hotel existe há mais de 15 anos e a ideia era ser sempre uma marca padronizada, ou seja, o mesmo hotel que você encontrava aqui, você encontrava em qualquer outro lugar do mundo. E assim era também em relação ao restaurante ao serviço de A e B sendo basicamente café da manhã que era oferecido das 6h da manhã até as 10h. Fora isso, ele se mantinha fechado. Não é à toa que a padronização, com o tempo começou a cair e veio a ideia de criar um conceito de restaurante para cada hotel. E foi aí que começou um projeto um tanto quanto diferente para o restaurante, porém foi barrado logo no começo pela Accor e pelos investidores. Porém, depois de enfrentar a crise, os próximos investidores decidiram procurar pela gerente que na época era uma moça chamada Juliana para retomar o projeto. Assim, foi contratada uma agência para criar uma nova marca, a conhecida hoje como Trampolim. “Por que trampolim? Pra ser algo que ajudasse as pessoas a darem esse UP”, como o próprio gerente revela.

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Assim, o ideal do restaurante, além de ajudar quem mais precisa, é poder contar com fornecedores diferentes da maioria. “Ao invés da gente comprar dos grandes fornecedores, a gente optou por comprar de pessoas, dinâmica nano-empreendedores, são pessoas que realmente têm empresas muito pequenas, geralmente dentro de casa ou pequenos espaços locados e pensar em abrir esse espaço (do Trampolim) não só pra servir comida, mas pras pessoas utilizarem pra trabalhar”, revela. Com a dinâmica dos nano-empreendedores citada por João, podemos perceber todo o ideal que é propagado no restaurante. Afinal, a proposta é ajudar principalmente pessoas que estão começando no ramo alimentício, por exemplo. Fora isso, o ambiente possibilita que as pessoas utilizem o espaço não só para se alimentar, mas também para reuniões de trabalho, entrevistas, dando aula, entre outros. O espaço vira basicamente um coworking e qualquer pessoa pode surgir ali que não será cobrada por isso mais tarde, somente se adquirir algum produto do café, é claro. Assim, o que antes era um projeto com o ideal de empreendedor prestes a dar um salto na carreira virou muito mais do que isso. Com fornecedores e colaboradores, o Trampolim se tornou um networking vivo.

Mas não vamos esquecer das ONGs que fizeram tudo isso ser possível. A Menino Jesus, por exemplo, que a Accor já apoiava, nasceu como uma ONG para servir sopa para os moradores que não tinham alimento. “Só que eles perceberam que os moradores queriam mais que isso. Não queriam só alimento, mas queriam ajuda para ter acesso ao mercado de trabalho. Então eles criaram um curso, o primeiro curso era de cabeleireiro e era apoiado por outras empresas e aí quando um dos voluntários apresentou um projeto pra Accor, a Accor apoiou montando uma cozinha lá no espaço pra eles poderem dar um curso de confeitaria e panificação”, revela João. Assim, a maioria das pessoas que trabalham na cozinha do Trampolim hoje vieram desse projeto. Outra ONG importante é a Afro Business que é uma ONG que trabalha no fomento ao empreendedorismo negro e que indicou pessoas para trabalhar como fornecedores. Existe também a Estou Refugiado, criada para dar apoio aos refugiados que ficam aqui, não só pro mercado de trabalho, mas para encontrar abrigo, ajudar na documentação, etc. “A Unibes que também conta com a Accor onde os funcionários da Accor dão aulas, cursos pra jovens carentes que estão em busca do primeiro emprego. Hoje existe também um curso de hotelaria que nossos colegas vão lá e dão aula”, conta.

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Com o tempo mais e mais ONGs foram surgindo e que trouxeram experiências incríveis para cada uma dessas pessoas. E olha que essa mudança, com o início desse projeto, não foi de uma hora para a outra, mas uma das preocupações do gerente era fazer com que os funcionários que já estavam por lá se adequarem ao novo modelo, preparando-os para receber as pessoas novas. “A gente sabia que tinha alguns riscos, então algumas pessoas tinham histórias bem pesadas e que podiam ter uma fragilidade maior, então a gente primeiro preparou as pessoas que estavam aqui. O que a gente sentiu das pessoas que a gente contratou foi uma entrega muito maior e o brilho no olho e até contagiaram quem já tava aqui”, revela.

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Para João, o início desse projeto lindo foi algo que simplesmente mudou sua vida e ele conseguiu mais do que ninguém abraçar cada história nova e tocante de cada pessoa que chegava no Trampolim. O principal, afinal de contas, nunca foi saber como gerenciar um restaurante e sim, saber gerenciar as pessoas, conseguir envolvê-las e se dedicar a isso. E foi exatamente o que ele fez. Tanto é que já escutou diversas pessoas e se sentiu tocado por cada uma delas. Ele cita a história de Dilvani que veio do projeto Menino Jesus e que nunca trabalhou para fora, pois tinha que cuidar de sua mãe que sofria do Mal de Alzheimer. “Eu sempre fui uma pessoa cheia de sonhos e de planos, mas não tive oportunidade. Após terminar os estudos e me ingressar numa carreira aí quis Deus que minha mãe caísse doente. Quando o médico falou que era doença sem cura, mal de Alzheimer, então eu parei com tudo. Parei com tudo e fui só cuidar da minha mãe, porque ela precisava da filha nesse momento. Não sou filha única, mas a única filha que estava com ela na época era eu”, conta Dilvani das Graças Rocha, auxiliar de cozinha.

Durante 13 anos, ela ficou ao lado dela e só começou a viver sua vida quando a mãe faleceu. Antes disso, ficou totalmente impossibilitada de trabalhar, mas continuou com seus projetos que realizava desde criança quando tinha nove anos sendo voluntária de uma ONG todos os sábados. Porém, assim que sua mãe faleceu, em 2016, Dilvani soube que era sua chance de começar a vida. “Então quando começou a ter os cursos patrocinado pela Accor Hotels, eu fui uma das primeiras a ir pra fazer o curso e eu tive a oportunidade de fazer o curso de culinária. E foi onde surgiu a oportunidade para fazer um processo seletivo no hotel. Então, eu vim junto com outros da ONG Centro Social Menino Jesus e nesse processo seletivo eu passei e fui escolhida para trabalhar. Quando eu recebi o telefonema que eu tinha sido já convocada para segunda fase, aí o coração já encheu de esperança. Então essa vai ser a minha oportunidade, porque eu sempre tinha em mente que eu ia conseguir”, conta ela. No começo, como ela conta, foi difícil pegar o jeito das coisas, mas com bastante treinamento e ajuda dos profissionais que lá estavam, Dilvani se sentiu mais do que acolhida por todos.

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E ela não é a única que teve um salto na vida depois que entrou para o restaurante. Carlos Daniel Escalona Barroso, hoje auxiliar de cozinha, veio lá da Venezuela para o Brasil e contou com a ajuda do Estou Refugiado para conseguir a vaga. Ele, que é jornalista, passou por vários perrengues dentro de seu país. Trabalhando com o governo durante nove anos, Carlos chegou a fazer uma denúncia de corrupção, mas não imaginava o tamanho da consequência disso. O venezuelano chegou a ser sequestrado e sua família foi até ameaçada de morte. Depois de passar por essa terrível experiência, ele tomou a decisão de sair do país, afinal nem mais em sua casa ele podia ficar, sempre em casa de familiares ou de amigos com medo do que poderia acontecer em seguida. Assim, pegou um ônibus até Manaus e de lá foi para Fortaleza onde morou por seis meses. Logo depois, lá estava Carlos em São Paulo. “Quando cheguei aqui em São Paulo comecei a morar em uma casa de imigrantes, lá morei 4 meses depois dois meses no Pari, em outro centro de acolhido”, conta o jornalista.

Hoje, ele trabalha em ONGs que são parceiras do Accor Hotels e faz voluntariado ajudando no primeiro contato com outros imigrantes que não falam português, fazendo essa ponte para que eles saibam como proceder diante de uma cidade grande, além de outros detalhes como tirar documentação, como será a vivência dentro do centro de acolhido, etc. Para Carlos, a situação toda é muito complicada e requer um certo esforço de cada um para que dê certo. “Depende muito da pessoa também. Sair desse buraco emocional não é fácil, mas você tem que fazer a sua parte e a gente trabalha com isso. A parte emocional para eles, para dar essa motivação de que é possível. Assim como eu posso, ele pode também”, conta.

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Agora, trabalhando como auxiliar de cozinha, o jornalista se vê feliz, com uma família ao seu lado, a qual identifica certo ponto de conexão, afinal muitos vieram de ONGs, como a Estou Refugiado, no caso dele, ou também são imigrantes. “Acho bonito esse projeto do Trampolim também que é isso de juntar tanto brasileiros como imigrantes. Mostra que é uma situação que dá para sair’’, revela. Para o venezuelano, demorou um pouco até conseguir achar um emprego, devido seu último ser como gerente de produção de televisão. Assim, as pessoas temiam contratá-lo para uma posição inferior. “Eles acham que você vem com a expectativa de ser gerente. Eu sei que sou novo e que to chegando, tenho que começar do zero. E eu tive muito problema com isso. Perguntavam: ‘Como você vai chegar do zero? Você era gerente e vai ser o que? Vai fazer um estágio?’. Isso foi limitante para mim”, diz. Mal sabia ele que era só questão de tempo até que conseguisse achar seu lugarzinho dentro de uma cozinha como a do Trampolim. O melhor de tudo para Carlos é poder ser reconhecido, diferente de quando trabalhava na política. “Na política, seu trabalho nunca era reconhecido, se você fazia bem ou fazia mal. Para mim aqui é diferente. Você faz uma coisa e alguém reconhece o trabalho que você faz”, revela.

Realmente um trabalho incrível que esse restaurante tem feito por essas pessoas, não concorda?!

Fotos: Beatriz Ponzio e Reprodução/Hotel Ibis Budget.

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[Nota da Redação]

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