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Após publicar vídeo racista, estudante de Direito é demitido e proibido de ver aulas


Mackenzie suspende estudante de Direito vídeo racista
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Durante a manhã desta terça-feira, 30 de outubro, centenas de estudantes da UPM, Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, se manifestaram repudiando veementemente às falas e intimidações de um aluno da instituição, que em vídeos de tom racista aparece ameaçando matar “a negraiada”.

De acordo com um relato de aluno do nono semestre de Direito, que solicitou não ser identificado, a manifestação não tinha como objetivo “transformar a vida do aluno em um inferno”, tampouco “fazer justiça com as próprias mãos”, mas cobrar medidas firmes da universidade contra os fatos apurados.

“O protesto foi apartidário, pessoas de direita e esquerda estavam lá. Ele serviu para dizer que tem negros no Mackenzie, que essas vidas importam, que a gente não pode criar um ambiente acadêmico onde a pessoa se sinta confortável para fazer um vídeo ameaçando de morte minorias”, diz o estudante.

Mackenzie suspende estudante de Direito que publicou vídeo dizendo que 'negraiada vai morrer'
Crédito: Reprodução / Coletivo Afromack

Em seu perfil pessoal do Facebook, o rapaz, que está no décimo e último semestre do curso de Direito postou diversos vídeos que geraram forte reação na universidade, e repercussão nacional. Em um dos vídeos, ele aparece dentro de um carro, vestindo uma camiseta com a foto do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e diz que vai “estar armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vagabundo com camiseta vermelha para matar logo”. Ele segue dizendo que “essa negraiada, vai morrer” e grita “é capitão, caralho”. No segundo vídeo, o estudante segura um revólver e canta “capitão, levanta-te”.

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Estudantes do sétimo período do curso que fazem parte do Integrante do Coletivo Negro Mack, formado por discentes negros, contaram que alguns alunos negros faltaram a aulas desde a divulgação dos vídeos por medo.

“É uma coisa que a gente está vendo crescer no país. A eleição do Bolsonaro legitimou esse discurso, como se não tivesse mais barreiras, nem ética, nem moral, só uma desumanização e um ódio muito grandes. A gente tem que mostrar que isso tem que ser combatido”, disse Lucas, integrante do Levante.

“A gente está correndo risco de vida. A gente não pode ir para a faculdade com medo de morrer. A gente pede que ele seja expulso, porque mesmo suspenso ele poderia entrar na faculdade. Não dá para conviver com uma pessoa que fez isso. E ele não pode ser um advogado,” concluiu.

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Mackenzie suspende estudante de Direito que publicou vídeo dizendo que 'negraiada vai morrer'
Crédito: arquivo pessoal/Coletivo Negro Afromack

A Universidade Presbiteriana Mackenzie decidiu suspender o estudante. Ele também foi demitido de um emprego recém-adquirido num escritório de advocacia onde estagiava.

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Com a grande reprodução do caso na internet, a entidade afirmou que tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas”, e soltou uma nota oficial:

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.”

Também por meio de nota, o Ministério Público (MP-SP) informou que a Promotoria de Direitos Humanos “requisitou a instauração de inquérito policial e também representou junto à comissão de ética da OAB, para apuração da conduta do estudante”.

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Demissão

Ao tomar ciência do acontecimento, o escritório de advocacia onde o rapaz estagiava há três meses anunciou sua demissão.

O escritório publicou uma nota de repúdio em seu perfil oficial do Facebook, dizendo:

NOTA

“O DDSA tomou conhecimento, na tarde de hoje, de vídeo que circula nas redes sociais com declarações efetuadas por acadêmico de Direito que fazia estágio no escritório e imediatamente o desligou de seus quadros.

O escritório repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal.”

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Fonte: G1

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