Como o autoconhecimento pode ser positivo para você e toda a sociedade

“Eu não diria que as pessoas têm medo de autoconhecimento, diria que elas não estão acostumadas, não tem o hábito de investirem tempo, energia e dinheiro nisso”, diz a especialista em desenvolvimento humano Viviane Ribeiro.


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A forma como somos educados não permite que a gente se conheça por dentro e aprenda a lidar com as necessidades e os limites que nascem e crescem com cada um de nós.

Pode parecer que as pessoas têm medo do “autoconhecimento”, mas a verdade é que não. “Eu não diria que as pessoas têm medo de autoconhecimento, diria que elas não estão acostumadas, não tem o hábito de investirem tempo, energia e dinheiro nisso”, diz a diz a especialista em desenvolvimento humano Viviane Ribeiro.

Talvez algumas pessoas possam experimentar um medo inicial de lidar com suas próprias sombras, mas isso se esvai logo nos primeiros momentos, quando se entende que somos seres integrais e que nossa história pessoal pode e deve ser valorizada e celebrada.”

Viviane acredita que sem autoconhecimento estaremos nos desrespeitando e sofrendo as consequências disso: na vida pessoal, no trabalho, em um relacionamento amoroso, etc.

Mas, o que eu devo fazer para me conhecer melhor? Viviane indica um exercício simples, mas, como ela mesma salienta, bastante profundo: toda vez que alguma situação te causar um incômodo, não ceda ao primeiro impulso de reação.

“Antes disso, o ideal é nos observarmos e nos perguntarmos: “Por que me sinto da forma como estou me sentindo agora? Qual necessidade interna minha não está sendo considerada para eu me sentir dessa forma? Do que eu preciso para me sentir melhor?””.

O autoconhecimento não é positivo apenas individualmente. Na verdade, toda a sociedade sai ganhando com isso. Em um mundo onde as pessoas investem parte do seu tempo no autoconhecimento, a empatia (a capacidade de se colocar no lugar do outro) é praticada com maior facilidade e tem o seu valor para o bem da sociedade.

Na entrevista a seguir, Viviane fala sobre sua formação, a empresa que ela fundou, a TeApoio, de orientação e desenvolvimento de pessoas que buscam a melhor versão de si mesmas, a nossa relação com o autoconhecimento, como podemos nos reconhecer no outro e o impacto (positivo!) do autoconhecimento na sociedade.

1) Viviane, fale um pouco sobre a sua formação.

Eu sou Educadora por formação e por convicção. Acredito que a principal contribuição que um Educador pode dar a um ser humano é contribuir para que ele descubra a sua própria forma de aprender, de agir, de reagir e de ser no mundo.  Por essa razão, há 15 anos dedico-me a criar projetos e iniciativas que apoiem as pessoas a se perceberem como seres únicos, descobrindo e desenvolvendo suas potencialidades e as colocando a serviço de si mesmas e do mundo, criando, assim, uma vida mais feliz e repleta de significado.

Graduei-me em Letras e realizei um mestrado em Linguística por entender o poder das palavras e a importância delas para criarmos conexão com outros seres humanos. Lidar com as palavras – as que falamos, as que ouvimos, as que calamos e as tantas que buscamos nas perguntas que fazemos e nas respostas que nos damos – é uma das principais forças do trabalho da TeApoio.

Para dar base ao trabalho que crio, realizei cursos e estudos diversos sobre os seguintes temas: coaching pessoal, visão holística do ser humano, sentido existencial, comunicação não-violenta, antroposofia, aconselhamento biográfico e investigação apreciativa.

2) Que tipo de serviço a TeApoio oferece?

Sabe tudo aquilo que você gostaria de ter aprendido na escola para poder lidar melhor com seus dilemas, desafios, crises, sonhos e dores? A TeApoio atua para compor esse espaço, que para tantas pessoas ficou vazio. São tantos os que dominam muitas técnicas complexas nos trabalhos que realizam, por exemplo, mas ainda não conseguem entender e dialogar com seus próprios sentimentos. Os serviços que realizamos são voltados para as pessoas encontrarem não só respostas poderosas, mas também aquelas perguntas que nos movimentam. Nossos serviços têm o formato de conversas significativas – presenciais ou online – nas quais eu atuo como uma tutora de questões internas, facilitando a descoberta de caminhos que possibilitem a mudança. Atualmente, o que realizamos se materializa nos seguintes serviços: Tutoria para Transformação de Vida, Mapa biográfico e cursos e imersões voltados para atividades de autoconhecimento, bem-estar, cura interior e melhoria das relações humanas por meio do estudo e prática da Comunicação não-violenta.

Em resumo, podemos dizer que a TeApoio oferece uma nova forma de olhar a vida e suas múltiplas facetas e situações. Oferece o apoio necessário para as pessoas saírem de um lugar que sentem não lhe pertencer mais, para outro que imaginam que seriam mais felizes.

3) As pessoas têm medo do autoconhecimento?

Eu não diria que as pessoas têm medo de autoconhecimento, diria que elas não estão acostumadas, não tem o hábito de investirem tempo, energia e dinheiro nisso. Não fomos educados a entender que tudo o que precisamos movimentar para lidar com as questões da vida já existe dentro de nós, nem tampouco entendemos que somos seres dotados de necessidades e limites e que enquanto não identificarmos em nós quais necessidades e limites são esses estaremos sempre nos desrespeitando e sofrendo as consequências disso.

Talvez algumas pessoas possam experimentar um medo inicial de lidar com suas próprias sombras, mas isso se esvai logo nos primeiros momentos, quando se entende que somos seres integrais e que nossa história pessoal pode e deve ser valorizada e celebrada.

4) Hoje, com as redes sociais, parece que o mais importante é conhecer outras pessoas, e não a nós mesmos. Como você observa isso?

Conhecer o outro também é se conhecer. Relacionar-se com o outro é entrar em contato com tudo o que ele desperta em mim, com as minhas próprias dificuldades, medos e inseguranças, com todos os meus sentimentos. Quando leio um comentário no Facebook e preciso reagir a ele de forma crítica, por exemplo, é com a minha própria visão de mundo que estou me relacionando antes e acima de tudo. E isso é fantástico. Qualquer espaço que possibilite o diálogo com o outro é um espaço que possibilita o diálogo comigo mesmo. Só não percebemos isso porque não fomos Educados a ver a coisa dessa forma e a aproveitar esses momentos para nos perguntarmos: “O que está acontecendo comigo para me sentir dessa forma? O que posso fazer para lidar com isso e voltar a me sentir bem e em paz?”. Ao focarmos nessas perguntas entramos num embate saudável conosco mesmos e não só com o outro, percebe?

5) Existe algum exercício simples que pode ser feito no dia a dia para buscar esse conhecimento?

O exercício mais simples – e ao mesmo tempo mais profundo – que existe para buscarmos esse autoconhecimento no dia a dia é a cada vez que algo nos gerar um incômodo, venha ele da forma que for, não cedermos ao primeiro impulso de reação. Antes disso, o ideal é nos observarmos e nos perguntarmos: “Por que me sinto da forma como estou me sentindo agora? Qual necessidade interna minha não está sendo considerada para eu me sentir dessa forma? Do que eu preciso para me sentir melhor?”. Conseguir entender e comunicar isso é uma atitude transformadora.

6) Existe sucesso sem autoconhecimento?

O que é sucesso para você? Sem conseguir responder a essa pergunta – e cada um tem uma resposta única, individual -, pode até existir sucesso, mas daquele tipo que não vem acompanhado de paz e alegria. Isso porque ele é fruto do que a sociedade definiu que é sucesso e não da sua resposta única, individual sobre o que é ser bem-sucedido. E isso só se consegue com autoconhecimento.

7) Que tipo de benefício o autoconhecimento traz para a sociedade?

Imagine um mundo em que as pessoas sentem e pensam livremente, mas entendem bem porque sentem e pensam daquela forma e sempre que algum desafio aparece acessam em si exercícios, técnicas e uma boa dose de amor próprio e confiança para resolverem suas questões internas sem culpar o outro e nem a si mesmas, apenas se responsabilizando por serem quem são e por estarem reagindo a algo da melhor forma que podem. Esse é um mundo de pessoas que investem no autoconhecimento. Pessoas que se conhecem se relacionam melhor consigo mesmas, com os outros e com o mundo.  Com isso, tendem a não ceder a pressões externas e aos seus próprios medos e traumas, não alimentam culpas, praticam a empatia com maior facilidade e reconhecem o seu valor. Pessoas que se conhecem entendem que podem ser amadas, úteis e respeitadas sendo exatamente quem são e que não precisam se guiar por nenhum modelo imposto por outros para serem felizes. Elas criam seus próprios modelos, seu próprio modo de existir e de ocupar o seu lugar no mundo.


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