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A história do rapaz de Glorinha que criou uma armadura hidráulica


A história do rapaz de Glorinha que criou uma armadura hidráulica
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No pátio da Escola Municipal Ary Soares em Glorinha, Região Metropolitana de Porto Alegre, Gislaine Oliveira Santos, vice-diretora da instituição explica para um grupo de alunos como funciona a ‘engenhoca’ exposta ali, tentando descrevê-la da forma mais coloquial possível.

“É uma armadura hidráulica. Vocês vão estudar isso em física”, diz Gislaine para as entusiastas e curiosas crianças.

É aí que o criador da armadura, o “engenheiro”, aparece. Ele é Rogers Junior Consul Oliveira, aluno da escola, competidor da 4ª Mostra Pedagógica, cuja invenção o fez ganhar não só popularidade entre seus colegas de sala, mas notoriedade e atenção das massas nas redes sociais.

“Foi uma criança que fez aquilo,” — sussurra uma das meninas, dispersando-se da aglomeração, pouco antes de a sirene alertar para o fim do recreio.

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Aluno do 5º ano da Ary Soares, Rogers tem apenas 10 anos e é considerado um aluno disciplinado, aplicado, persistente e, bom, agora famoso. Ele é um dos estudantes de destaque da maior escola de Glorinha, esta por sua vez um pequeno município de aproximadamente 8 mil habitantes escondido na Região Metropolitana.

Pelas mãos de Rogers surgiu a invenção mais comentada dentre todas as 60 invenções apresentadas na mostra: a armadura hidráulica.

Quando estava no 4º ano, um ano antes, o garoto já aguardava ansioso para poder participar da mostra, uma espécie de feira de ciências com etapa competitiva entre os alunos. Apenas alunos do quinto ano em diante podem participar da fase de competição, e Rogers aguardou pacientemente para divulgar sua invenção. A mostra é uma iniciativa que busca incentivar os alunos a desbravar os nichos e áreas de seus interesses com mais afinco; além disso, os temas são livres e a garotada pode trabalhar na invenção que bem entender, de forma individual, em duplas ou em grupo. Rogers decidiu fazer sozinho.

“Acho que, se eu fizesse em grupo, acabaria tudo nas minhas costas, porque a ideia era minha, então, era mais fácil mesmo trabalhar sozinho,” diz o garoto.

Veja abaixo o vídeo que mostra Rogers operando sua armadura hidráulica:

Para montar a armadura hidráulica, ele buscou por referências na internet. Sendo um voraz leitor de assuntos envolvendo tecnologia, decidiu criar um protótipo que unisse robótica e hidráulica, áreas do conhecimento que ele sequer havia estudado em sala de aula.

Inicialmente, encontrou em sites do nicho uma mão robótica. No entanto, queria mais: encontrou modelos que simulavam um braço inteiro. Depois dois. Após esboçar seu protótipo em uma folha de papel e discutir o projeto com sua mãe, a dona de casa Ângela Cristina Consul, de 37 anos, conseguiu “investimento”: sua mãe bancou toda a lista de materiais que ele precisaria, como papelão, mangueiras e seringas.

Ângela afirma que apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela família (devido ao desemprego atual do pai), busca priorizar os estudos dos filhos. Ela se enche de orgulho ao falar não só de Rogers – muito elogiado pelas professoras – mas também as outras duas filhas: Myllena, de 19 anos, e Jullia, de 12. Myllena ganhou uma bolsa de estudos numa universidade particular e Jullia, aluna da mesma escola que Rogers, é destaque como estudante do oitavo ano do ensino fundamental, além de ter dom para a arte.

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“A gente ensina a estudar. Eu não consegui levar adiante meus estudos (Ângela chegou a dar início à faculdade de Pedagogia), mas quero que eles consigam, para ter uma vida melhor do que a nossa,” diz Ângela.

A maior parte do material pedido por Rogers adveio de reciclagem. Tendo tudo o que precisava, reuniu as caixas de papelão, comprou alguns metros de mangueira (de aquário), conseguiu alguns pedaços de madeiras e 16 seringas grandes. Nas duas semanas seguintes, ele construiu sua engenhoca em casa ou no quintal, aonde fosse mais oportuno.

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Construiu tudo sozinho e à mão, com exceção dos furos que tinha que fazer com uma furadeira, que coube ao seu pai fazer. O trabalho escolar foi acompanhado de perto por sua professora, Renata Modinger. A mãe de Rogers encarregava-se de enviar à professora todos os esboços e anotações sobre o avanço do desenvolvimento da máquina, de modo que ela pudesse se organizar com relação aos prazos para a apresentação da mostra pedagógica.

“Sou formada em Biologia e muito do trabalho dele tinha a ver com matemática e física. Ele fez tudo muito calculado, com um conhecimento que nem cabe para a idade dele, mas que ele foi buscar. Isso mostra como a internet é uma aliada quando direcionada para um bom caminho,” disse Renata.

A história do rapaz de Glorinha que criou uma armadura hidráulica
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Renata explica como funciona a tal ‘engenhoca’: “o princípio da armadura hidráulica está explícito no nome – é a pressão na água das seringas que garante o movimento dos braços da estrutura, que conta com uma ‘central de controle’, em que cada uma das alavancas determina uma ação da armadura, como subir e descer os braços e pincelar objetos. Para movê-lo, o mecanismo precisa ser uma extensão do corpo.”

Para demonstrar seu funcionamento, Rogers vestiu a armadura hidráulica e testou as habilidades do equipamento. Graças à sua persistência e disciplina, seu objetivo foi plenamente cumprido – o desempenho da máquina foi notável, sem nenhum defeito aparente.

“Eu chegava em casa depois da aula, descansava um pouco, fazia os temas, se tivesse, e ficava a tarde nesse trabalho. Era uma ideia que eu queria colocar em prática, e agora já tenho até outros projetos, inclusive para a mostra do ano que vem,” diz entusiasmado.

A história do rapaz de Glorinha que criou uma armadura hidráulica
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

A repercussão da armadura hidráulica foi notável – um dos vídeos que circulam no Facebook, por exemplo, já acumula 2,5 milhões de visualizações. Todo o entusiasmo de Rogers com seu trabalho chamou atenção da família e da escola, que pretende incentivar com mais força os estudantes a se envolverem em projetos que eles realmente amem e se interessem, de modo a desenvolverem ferramentas tão impressionantes quanto esta. Chamar atenção por meio dessas mostras pedagógicas também pode ser uma forma eficiente para angariar recursos para a instituição, que pode reinvestir nos alunos.

A Escola Ary Soares começou somente neste ano a ofertar aulas de robótica e, por enquanto, as atividades estão restritas ao 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. A direção pensa em ampliar essa oferta, mas há certos obstáculos que precisam ser vencidos, como os computadores do laboratório de informática, que apesar de terem Wi-Fi disponível, não contam com velocidade de conexão à Internet de qualidade.

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Fonte: GaúchaZH

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