Professor ribeirinho do Amazonas concorre ao ‘Prêmio Nobel’ da Educação

Projeto que abastece a comunidade com água limpa rendeu ao professor uma indicação ao Global Teacher Prize.


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No interior do Amazonas um professor tem feito a diferença em sua comunidade.

Formado em Ciência, com especialização no ensino de Biologia, o professor Valter Pereira de Menezes, de 46 anos, está transformando a comunidade ribeirinha de Santo Antônio do Tracajá, na zona rural de Parintins, no interior do Amazonas.

Tudo começou em 2014, quando um aluno levantou o questionamento: “Por que os casos de diarreia na nossa região aumentavam em período de seca e cheia?”. Segundo o professor, a água que abastecia a comunidade vinha de um poço artesiano, porém o fornecimento não era encanado.

“Sem o esgotamento sanitário, todos os dejetos humanos acabavam parando no lençol freático, contaminando a fonte de água e causando o aumento de casos de diarreia durante a subida e descida das águas do rio”, explica o professor.

professor no Amazonas
O professor ribeirinho foi indicado ao “Global Teacher Prize”

Valter começou a pesquisar sobre a problemática da água para encontrar alguma solução. Com o apoio de duas organizações não-governamentais, ele e seus alunos instalaram 180 filtros bioativos de areia nas casas das famílias que não tinham acesso à água encanada. Foi assim que surgiu o projeto “Água limpa para os curumins do Tracajá”.

“Nosso objetivo era levar água potável do poço artesiano para as famílias que não tinham acesso. Foi aí que o projeto entrou em ação, levando melhorias sanitárias e construindo fossas e banheiros, além dos filtros bioativos de areia. Construímos 20 fossas”, disse Valter.

todos se juntaram para ajudar no Amazonas

A ideia era incrível, mas eles teriam que resolver outro problema. Em 10 a 15 anos, as fossas estariam cheias. Para onde as famílias jogariam os dejetos? A resposta para esta pergunta veio do experimento de um biólogo com fossas biológicas de bananeira que o professor conheceu em um seminário em Anápolis, Goiás.

“A bananeira é a grande responsável. Os líquidos caem pelos lados e, como a bananeira requer água, ela faz o esgotamento sanitário. A própria raiz da bananeira suga todo o líquido da fossa. A raiz da bananeira faz a simbiose, filtra. Até chegar ao fruto a água está filtrada”, detalhou Valter.

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bananneiras no Amazonas

infográfico feito no Amazonas

O projeto foi escolhido como uma das 50 melhores iniciativas educacionais do mundo e rendeu a Valter uma indicação ao prêmio Global Teacher Prize, considerado o ‘Prêmio Nobel’ da Educação, que reconhece iniciativas educacionais inovadoras ao redor do planeta. Ele faz parte de uma lista de 49 educadores de diferentes países. A indicação ocorreu após ele evencer o prêmio Educador Nota 10, no ano passado, também com o projeto “Água limpa para os curumins do Tracajá”.

“Estou muito orgulhoso por ser um dos Top 50. A minha maior alegria é poder representar o Brasil lá fora, sendo um caboclo ribeirinho do meio da floresta amazônica, e levando a educação rural do Norte, a escola do campo, do Amazonas e de Parintins”, disse Valter.

A premiação acontecerá em março, em Dubai, nos Emirados Árabes. O professor vencedor vai receber um prêmio de US$ 1 milhão. “É a maior honraria na educação do mundo”, explicou Valter.

Com informações do acritica / Fotos: Divulgação


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