Professora vai na casas dos alunos para conhecer mais da vida deles e ajudá-los a melhorar


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Maria de Fátima Destro Arruda é professora na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Lourides Dell Porto”, em Caieiras, São Paulo.

Quando entrou para a escola e assumiu a turma do 5ºano, descobriu que não seria fácil.  Além do mau comportamento da sala, os alunos tinham muita dificuldade no processo de aprendizagem. Um dos meninos, inclusive,  já tinha sido rotulado como”caso perdido” e ninguém mais na escola acreditava em sua melhora. Fátima não se conformou com isso, afinal ele tinha apenas 9 anos!

Apesar do esforço feito em sala de aula, Maria de Fátima percebeu que aquilo não seria o suficiente. Seria preciso dar uma atenção individual a cada um, exercendo a nobreza do papel de uma professora.

“Eu não desisti daquela turma e não me conformei com tamanha agressividade que vinham delas. Não deixei que o rótulo ‘não tem jeito’ fosse a realidade.”

“Só quero que outros colegas não desistam de seus alunos, afinal como vai ser o mundo daqui 10 anos, se com 8 anos já estão condenados em casa e na escola?”- questiona ela.

Ela então teve uma ideia, depois de muito analisar a turma, pesquisar e refletir. Ela queria conhecer a residência dos alunos e almoçar com eles, para conhecê-los melhor e entender seus problemas.

Algumas crianças relataram que os pais acharam a ideia estranha, mas mesmo assim, aceitaram. Nascia, então, com autorização e incentivo da diretoria da Escola, o “Professora em Minha Casa”. Ela diz que iniciou o projeto sem saber se daria certo, mas mesmo assim foi adiante e começou, especialmente por um aluno que precisava de sua dedicação.

“Um garoto  com uma fama de indisciplina que o condenava. Seu nome era conhecido em toda rede municipal. Quando chegamos, ele fez questão de me apresentar para os vizinhos que estavam na rua. Quando entrei na casa, me deparei com a mesa posta, um almoço de segunda-feira, que mais parecia um dia de festa. A melhor comida, a avó tinha preparado. Foi então que percebi o quanto eu era importante, me senti uma celebridade e confesso que tive medo. Foi um almoço inesquecível para mim e certamente para ele. Voltei para casa impactada e feliz”, relata, segundo o site Sintonize Aqui.

As visitas duram em média uma hora e meia, onde Fátima interage com o aluno e o conhece mais, através da troca de informações.

professora-casas

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Em 2016, o projeto foi aceito em um Congresso Internacional em Cuba, onde ela foi e representou os alunos.

Ela conta que isso tudo aconteceu por acaso. Ela estava navegando pela internet, visitando esse site , sonhando em um dia poder participar do Congresso apenas como ouvinte. Sem nada a perder, ela inscreveu o projeto, e para sua total surpresa, duas semanas o Congresso Internacional de Pedagogia Especial de Cuba o tinha aceito. Ela conseguiu um apoio ano passado da prefeitura para o custo de passagem e hospedagem, mas o resto das despesas foram pagas por ela, já que infelizmente aqui no Brasil, existe pouco incentivo.
“Foi incrível, vários países discutindo a educação especial, e eu tive a oportunidade de apresentar o projeto, representando o Brasil e meus alunos.”, contou ela para o Razões.
 Este ano  o projeto foi aceito na Irlanda, João Pessoa e e em Coimbra, mas por condições financeiras, Fátima apenas conseguiu arcar com os custo da viagem para Coimbra, que acontece nesse mês.
“Se Deus quiser, embarco nessa sexta-feira!”- relatou Fátima.
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É obvio que a sala melhorou, tanto em relação ao aprendizado, como no comportamento. Mas para Fátima, não é somente isso que conta.
Há todo o lado positivo do projeto,e a confiança, a autoestima e a afetividade não são apenas os seus alunos que recebem, é uma troca.
“E é por isso que eu continuo apostando nesse projeto até hoje, mesmo sem apoio nenhum.  Meus colegas dizem que eu sou louca, já que não tenho nem tempo e nem dinheiro para continuar com ele, mas eu não desisto porque eu acredito que o professor tem uma razão social muito maior do que apenas proporcionar conteúdo, nosso papel está muito além disso.”
Este ano  o projeto foi aceito na Irlanda, João Pessoa e e em Coimbra, mas por condições financeiras, Fátima apenas conseguiu arcar com os custo da viagem para Coimbra.
“O que eu quero é conscientizar os meus colegas da importância disso aqui no país.”

Para saber mais, acesse a página do projeto no Facebook.

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Foto: Divulgação


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