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Pesquisadora escreve 270 páginas no Wikipédia sobre mulheres cientistas

“Eu acho que espero fazer da ciência um lugar melhor para todos que trabalham nela, o que acontece quando reconhecemos as contribuições dessas mulheres incríveis”.


mulheres cientistas

Jess Wade quer aumentar o número de mulheres na ciência, dominada majoritariamente por homens. Para isso, ela escreveu 270 páginas no Wikipédia sobre mulheres cientistas inspiradoras e renomadas.

A pesquisadora de pós-doutorado no campo de eletrônica de plásticos, no Laboratório Blackett do Imperial College London, disse que precisava incentivar mais meninas a participar da ciência, segundo o site do jornal The Guardian.

“Eu meio que percebi que só podemos realmente mudar as coisas de dentro. A Wikipédia é uma ótima maneira de envolver as pessoas nessa minha missão, porque quanto mais você lê sobre essas mulheres sensacionais, mais você fica motivado e inspirado por suas histórias”, disse Wade.

Descontente com a falta de visibilidade das mulheres no campo científico, ela começou a escrever páginas dedicadas a essas cientistas. “Eu fiz cerca de 270 [página na Wikipédia] no ano passado. Tinha a meta de fazer uma por dia, mas às vezes fico muito empolgada e faço três.”

A primeira página escrita foi sobre a cientista climática Kim Coob, dos EUA. “Ela é super interessante, pesquisa muito bem sobre corais e mergulha para coletar amostras”, conta Wade.

Wade estudou em uma escola só para garotas e, com pais médicos, ela escolheu ser cientista. Ela lembra que o curso era tão difícil e que ficava tão concentrada, que nem notava a ausência de garotos na sala de aula.

A realidade mudou no doutorado, pois as mulheres eram a minoria. “Ser isolado é difícil – isso para todos os subgrupos representados. Há todos esses desafios durante o seu PhD que amplificam esse isolamento. Se você não tem ninguém com quem você pode realmente se relacionar, é muito difícil”, lembra.

Depois, a cientista começou a dar palestras em escolas, sempre incentivando as meninas a ocupar seus lugares na ciência. Wade já havia percebido que algumas campanhas não atingiam esse objetivo e, pior, eram negativas.

“Se eu soubesse que algo era apenas 9% das garotas quando eu estava na escola, eu teria ficado desmotivada”, comentou, citando uma campanha de 2016 da Instituição de Engenharia e Tecnologia.

A campanha que mais incomodou Wade foi organizada pela comissão europeia. O vídeo intitulado ‘Ciência: é uma coisa de menina!’ transforma a ciência numa coisa sexy, onde três jovens mulheres passeiam em uma passarela enquanto decodificam a composição química de batons e esmaltes de unhas.

“Fico enfurecida que, mesmo por um piscar de olhos, eles achem que esse tipo de campanha vai mudar alguma coisa.”

Um estudo recente, ainda segundo o The Guardian, sugere que seriam necessários 258 anos para preencher a lacuna de gênero na física, com base nas taxas atuais de progresso. Essas taxas mostram que, no Reino Unido, o percentual de mulheres estudantes de física de alto nível estagnou em cerca de 21% na última década e, para cálculo, essa proporção é de apenas 10%. Além disso, menos de 9% dos engenheiros profissionais são mulheres.

O ativismo da cientista extrapola o universo online. Depois de ler o livro ‘Inferior’, de Angela Saini, que traz um olhar científico sobre alegações de diferenças sexuais e estereótipos de gênero, ela começou a distribuir cópias. Wade estima que comprou e distribui 60 ou 70 cópias do livro para amigos, familiares e colegas cientistas.

“Eu acho que espero fazer da ciência um lugar melhor para todos que trabalham nela, o que acontece quando reconhecemos as contribuições dessas mulheres incríveis”, destaca a cientista.

crédito da foto: Reprodução/Instagram @jesswade


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