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Brasileiros abrem suas casas para desconhecidos que fogem de furacão nos EUA


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O caos parece ter sido instalado nos Estados Unidos. Com o furacão Florence prestes a atingir três estados, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia, a população está se concentrando em criar sérios planos de fuga para evitar serem pegos pelo fenômeno que promete causar muita destruição, com efeitos catastróficos, por onde passar. A matéria da BBC transmitida pelo R7 deu os detalhes.

E em meio a isso tudo, estão os brasileiros que por lá moram criando uma onda de solidariedade por todos os cantos. É possível entender um pouco melhor dos planos deles por lá por meio de várias mensagens de ajuda para todos:

“Bom dia, moro em Tampa. Se alguém precisar de abrigo porque não tem para onde ir por conta do furacão, minha casa está aberta. Me chama em inbox.”

furacão florence

“Bom dia, moro em Orlando. Alguma família precisando de abrigo para o furacão, me chame no inbox. Posso receber ate 2 familias em meu apartamento.”

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“Sou da Virgínia, mais pro interior, se alguma família não tiver pra onde ir eu ofereço minha casa. Deus guarde todos vocês.”

“Ei gente! Moro em Danbury/Connecticut, se alguém precisar de abrigo podem me chamar.”

Todas elas surgiram em grupos do Facebook e a ideia aconteceu após eles mesmos terem passado por situações de desespero semelhantes quando precisaram sair de suas casas em busca de abrigo em ginásios, escolas ou casas de parentes.

furacão casal

A auxiliar de limpeza baiana, Ana Souza, foi uma das autoras desses convites. Ela vive com o marido há 17 anos na Flórida e precisou deslocar os móveis do apartamento alugado onde mora para conseguir mais espaço para os oito colchões infláveis que ocuparão a residência nos próximos dias. “Eu passei por isso o ano passado e sei como é difícil”, revela. “Tem muita gente precisando, gente que não tem condições mesmo. Então, eu senti vontade de pelo menos fazer um pouco e não tem problema nenhum abrir as portas da minha casa. Se pudesse eu ajudaria mais, porque tem gente que nem gasolina pra vir para outro estado tem. É muito difícil.”

Em 2o17, Ana foi obrigada a passar por um grande sufoco com o furacão Irma, em Tampa, que causou uma grande destruição com 40 mortos no Caribe e 50 na Flórida. “Foi muita chuva, vento muito forte, muitas árvores quebradas”, relembra. “Meu marido fechou todas as janelas com madeira. Compramos muita comida e água, mas, graças a Deus, o furacão não passou por aqui e foi desviado.”

Os tão esperados primeiros hóspedes que chegaram na casa foi a família da dona de casa cearense Maria de Oliveira, junto com o marido, veterano militar e também portador de deficiência, a filha de 13 anos e dois cachorros.

furacão família

“É uma pessoa com um coração muito grande. Abrir a porta da casa para gente que ela não conhece em uma situação dessa é difícil. São muito poucas pessoas que têm coragem e coração para isso”, revelou Maria por telefone a BBC.

Ela também é veterana de furacões após enfrentar um em 2016.

“O furacão Mathew (2016) foi minha primeira experiência. Eu nunca tinha passado por algo do tipo. Ficamos 7 dias sem energia e água”, conta.

Já a outra brasileira, que prefere não ter o nome divulgado, também decidiu oferecer sua casa em Orlando e pretende oferecer abrigo para imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos.

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“Quase todo ano passa furacão aqui, alguns mais fortes e outros menos. No ano passado, eu não estava preparada para receber o Irma. Tinham me dito que seria tranquilo mas um dia, de madrugada, recebemos um alerta para evacuar tudo nas próximas horas. Eu não sabia o que fazer, para onde ir, e vi num grupo uma pessoa de Atlanta oferecendo abrigo. Ela me recebeu”, revelou a moça.

furacão florence

No ano passado, ela recebeu uma grande ajuda também e decidiu que era o momento dela fazer o mesmo agora, por conta do enorme risco. “Muita gente não tem ninguém próximo para acolher, outros estão ilegais e ficam com medo de ir para abrigos”, conta. Ela deve receber cerca de 10 pessoas em sua casa, com o uso de colchões infláveis também, que vive ao lado do marido e do filho.

“Não estou preocupada com a documentação de quem vem. 90% dos brasileiros que moram aqui já estiveram em algum momento em situação ilegal, e este foi o meu caso também. Isso para muitos é um status temporário e não cabe a ninguém julgar isso”, revelou.

Mas não foi apenas esse tipo de ajuda que os brasileiros prestaram por lá. A família da empresária mineira Veríssima Saias, de Myrtle Beach, bem no caminho do furacão, na Carolina do Sul, adiantou as férias e foi para um resort na Flórida.

“Recebemos aviso de evacuação. A partir das 2h da tarde, ninguém mais entra ou sai da cidade”, diz. “Carreguei documentos, roupa do corpo, e o resto ficou tudo para trás”, conta a mineira.

furacão familia

Como donos de caminhões e de uma empresa de construção civil, eles tentaram ao máximo convencer a todos os funcionários e conhecidos a evacuarem, mas isso, infelizmente, não foi possível com todos.

“Muita gente saiu, muitos amigos, mas alguns poucos ficaram. Tentei ajudar algumas pessoas, mas elas recusaram. Muitos com animais de estimação quiseram ficar”, disse. Segundo ela, no ano passado, a família ficou sem nenhuma energia elétrica por cerca de duas semanas.

Assim, o que ela pensou foi ajudar os outros fornecendo essa energia. “Emprestamos todos os geradores de energia da empresa para os funcionários. Vários ainda estavam nas caixas”, revelou. Todos esses equipamentos devem fornecer eletricidade para motoristas de caminhão, pedreiros e ajudantes. Realmente, o momento pede que todos se ajudem, não é mesmo?! E apesar da família ter acabado de terminar a construção de sua casa de 600 metros quadrados, ela afirma que ela tem seguro e que o importante é estarem bem.

furacão irma
Furacão Irma que ocorreu no ano passado.

Infelizmente, o furacão Florence pode trazer inundações catastróficas para as áreas do interior, segundo afirma o administrador da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), Brock Long. Aparentemente, a área de impacto ampliou e as previsões de chuva se mantiveram inalteradas apesar da velocidade do vento ter diminuído.

“É uma tempestade muito perigosa”, disse Long. “Inundações no interior matam muitas pessoas, infelizmente, e é isso que estamos prestes a testemunhar”, revelou.

Esperamos que todos fiquem sãos e salvos nesse momento tão difícil e que encontrem formas de evitar essa terrível destruição que está chegando pela região.

Fotos: Reprodução.
Fonte: R7.
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