Mochileira viaja pelo país de carona e se surpreende com gentileza das pessoas


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Dwanne Almeida trabalhava na área de Recursos Humanos, mas a certo ponto de sua vida, decidiu deixar sua rotina para ir atrás de seu sonho: viajar pelo país através de caronas, como uma legítima mochileira.


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“Estou em constante movimento, a cada semana viajo de carona, chego numa cidade, encontro uma família, realizo a troca de tempo e sigo. Não é uma regra o tempo que passo e nem pra onde vou. Deixo que as coisas fluam. E vou aprendendo com tudo que chega até mim”, explicou.

Ela contou para o Razões para Acreditar várias atitudes e histórias incríveis de pessoas que encontrou pelo seu caminho, daquelas que fazem a gente voltar a acreditar na bondade do ser humano. Ela também mantém uma página no Facebook chamada “Por Uma Vida Sem Arrependimentos”, onde relata o que acontece em suas viagens, especialmente seus relacionamentos com as pessoas que encontra.

Muitos podem dizer que optar por esse estilo de vida é arriscado demais, mas uma coisa é certa: Dwanne coleciona gentilezas e amigos de todos os cantos do país.

“Inicialmente pararia em cada cidade, conseguiria um emprego, juntaria a grana e seguiria pra cidade seguinte, pedindo caronas nas estradas. Mas nos primeiros meses entendi que não seria assim. Comecei a me conectar com as pessoas em todos os trechos e descobri que eu tinha algo precioso: eu tinha tempo. Tempo pra estar com elas e escutá-las. A cada casa eu recebia hospedagem e alimentação, mas em contrapartida eu estava ali com tempo suficiente pra dar o que elas precisassem. Eu era boa em escutar , não julgar, guardar segredos, em ser empática, e a cada casa eu recebia o retorno que minha passagem havia rendido algum fruto”, explicou.

Em uma de suas últimas viagens, ela nos relatou uma atitude muito simples, mas que fez toda a diferença.

Ela estava há 22 horas sem dormir e sem comer, pegando diferentes caronas para chegar ao seu destino. Em um determinado ponto da viagem, Dwanne precisou abastecer sua garrafa de água e encontrou um restaurante. 

“Mochileiro não compra água, arrente toma donde tem!”, brinca ela.

“Achei um enorme restaurante chique. Quando estou no modo mochileiro, esses lugares me dão insegurança. Vou na fé, mas também preparada pra ser maltratada”, explicou.

Foi assim que ela entrou no restaurante Talismã, na cidade de Águas Claras, Mato Grosso do Sul. Ela explicou para o atendente que não poderia consumir nada e que desejava apenas um pouco de água da torneira. Para sua surpresa, ele disse para ela entrar e pedir para alguém encher a sua garrafinha.

“Entrei alegrinha, lugares assim se você fala que não tem dinheiro, eles já te tocam de lá na entrada”, contou.

Quando ela chegou ao balcão, o garçom, que se chamava Lucas, perguntou se ela iria almoçar, mas ela disse que apenas queria um pouco de água e que poderia ser da torneira. Mesmo assim, ele fez questão de arrumar a bebida gelada.

Lucas pegou gelo, colocou a água num liquidificador e ficou batendo, até que o gelo diminuísse e coubesse na garrafa da viajante.

Dwanne se emocionou com o cuidado do homem.

“Expliquei que estava grata pela atitude nobre dele. Como alguém que não tinha como retribuir, ele se ofereceu pra custear o almoço, mas não aceitei. Eu sentia fome, mas não podia parar, porque precisava voltar pra estrada. Sabia que ainda tinha um longa viagem e cada segundo contava. Mas depois de tanto ele insistir, aceitei um copo de salada de frutas, que foi o que me supriu nas horas seguintes de estrada”, explica.

A chance de Lucas e os atendentes daquele restaurante lerem isso, é pequena, mas Dwanne quis compartilhar essa história para mostrar que a gentileza existe.

“Generosidade existe, e estou aprendendo que não sou eu que digo onde elas existem. Aprendi uma lição grande, uma história que vai seguir comigo. Quanto menos eu tenho, mais eu ganho, parece até uma conta injusta. Espero que Deus me dê possibilidade de retribuir tudo que tenho recebido”, disse ela.

Após dois anos de viagem, 22 estados, mais de 500 caronas e mais de 150 famílias que ela teve a oportunidade de conhecer, Dwanne reflete:

“Todos os ser humanos que passaram por mim me permitiram seguir. Presenciei pequenos milagres acontecerem, as pessoas fazendo escolhas de serem boas. Isso me trouxe até aqui. O ser humano é bom. Há mais pessoas boas que más neste mundo, e você pode ser uma delas.”

Fotos: Arquivo Pessoal

[Nota da Redação]

Acreditamos que a tecnologia pode proporcionar momentos inesquecíveis, como a realização de assistir uma apresentação de balé ou viajar para a Espanha, tudo isso é possível através da realidade virtual. Assista a experiência que levamos a uma casa de repouso de São Paulo:


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