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Pais criam campanha para agradecer ao homem que salvou o filho deles


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Quem vê o anúncio de Camila e Ciano no site de financiamento coletivo não entende porque esse casal de Belo Horizonte quer construir uma casa de bioconstrução para o quase desconhecido Luiz Fernando Calsavara, que tem um pequeno delivery de comida japonesa na histórica São João del Rey (MG). Luiz acaba de se casar com Laura, que tem um terreno na zona rural da cidade histórica e ambos sonham com uma casinha ecologicamente correta nesse pedacinho de terra. O que faz de Luiz merecedor de uma campanha como essa? Simples: ele salvou a vida do filho de Camila e Ciano há exato um ano e seis meses. Sem sequer conhecer a família, Luiz doou um pedaço do próprio fígado a Ravi.
Essa história começa em maio de 2016, quando Camila e Ciano souberam que Ravi, com apenas 25 dias de vida, tinha uma condição rara chamada atresia das vias biliares, uma inflamação que leva à fibrose, obstrução do trato biliar e à morte. Na ocasião, o bebê passou por cirurgias e tratamentos na tentativa de escapar do transplante, até que, quando ele completou cinco meses, os médicos do Hospital das Clínicas da capital mineira disseram que não tinha mais jeito. Seriam necessários 30% do fígado de um doador vivo. Como o órgão se regenera, doador e criança teriam as funções hepáticas normalizadas com o tempo.
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Quando souberam que poderia ser apenas um pedaço do órgão, os pais se empolgaram, acreditando que eles próprios seriam os doadores, mas logo descobriram que não pertenciam ao mesmo grupo sanguíneo de Ravi, como ninguém da família. “O fato de termos que localizar um doador desconhecido, alguém disposto a passar por exames e uma cirurgia dessa complexidade tornava tudo mais difícil!”, relembra Camila.
Mesmo assim acreditaram e começaram a campanha #juntospeloravi nas redes sociais. Nos posts da campanha, os pais de Ravi imploravam por pessoas dispostas a passarem pelos exames e ainda tirarem “um pedacinho” delas próprias para salvar o filho deles. O apelo da família foi compartilhado centenas de vezes e rodou o mundo. Rodou até voltar a Minas. A partir do compartilhamento de um morador de Londres, Luiz Fernando Calsavara soube do drama da família. Ele era do grupo sanguíneo O negativo como pedia o anúncio e não pensou duas vezes. Ligou e se ofereceu para fazer os exames.
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Luiz Fernando sempre acreditou e defendeu a doação de órgãos e tinha tentado doar parte do fígado para outra menina na cidade dele. Contudo, a receptora ia precisar de um pedaço bem maior do órgão, o que inviabilizou a boa ação do pequeno empresário. Por isso, quando telefonou para os pais de Ravi, ele tratou de informar que já tinha vários exames em mãos.
No dia 20 de setembro de 2016, Camila, Ciano, Ravi e Luiz Fernando se conheceram pessoalmente na porta do Hospital AC Camargos, em São Paulo. “Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo!”, relembra Camila. Todo o processo não foi simples, foram muitos exames, liberação da justiça para que o um doador não aparentado fizesse a doação e até data da cirurgia marcada, desmarcada e remarcada. Em fevereiro de 2017, finalmente, Luiz e Ravi passaram por quase 20 horas de cirurgia.
Camila lembra que a recuperação não foi fácil para ambos. Luiz ficou três dias na UTI e outros cinco no quarto. Já Ravi enfrentou várias complicações e ficou 25 dias em coma induzido na UTI. “Nesse tempo, morávamos todos juntos num apartamento alugado em São Paulo, eu, meu marido e o Luiz Fernando. O que mais me impressionava é que, mesmo debilitado pela cirurgia, o Luiz ia visitar o Ravi na UTI sempre que podia, perguntava e torcia por ele”, emociona-se Camila ao lembrar.
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A gratidão ao Luiz é tão grande que Camila e Ciano decidiram tentar realizar esse grande sonho de Luiz de ter uma casinha biológicamente correta. Como não podem custear a obra, já que nos últimos dois anos passaram por grandes apertos financeiros em função do tratamento de Ravi e tempo que tiveram que ficar sem trabalhar, voltaram à internet para tentar unir amigos, familiares e até desconhecidos numa grande campanha.
A vakinha online entrou no ar no dia 27 de setembro, data do Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos. Dessa forma, os pais de Ravi querem lembrar a todos da importância de ser um doador. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no primeiro semestre deste ano o número de doações efetivadas subiu 2,4%, mas o Brasil ainda está abaixo da meta de doadores estimada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de pelo menos 18 doadores por milhão da população. O país tem 17 doadores por milhão de população.
Quase 34 mil pessoas, entre elas 700 crianças, estão hoje na fila de espera por um órgão. Enquanto isso, pelo menos 43% das famílias de potenciais doadores se recusam a doar os órgãos desses parentes mortos. No primeiro semestre, houve queda no número de transplantes renais (-3,7%) e cardíacos (-0,5%) e aumento nos transplantes de pulmão (+16,1%), pâncreas (+3,6%) e fígado (+2,6%)
Luiz, que é doador regular de sangue há cinco anos, conta que se sentiu feliz e privilegiado por poder ajudar o Ravi. Ele contou ao Razões para Acreditar que desde criança achava legal ser doador de órgãos e quando via a propaganda na TV alertanto para avisar aos familiares dessa intenção, ele reforçava para a mãe que queria ter os órgãos doados. “É amor ao próximo, eu não vejo motivo para não ajudar”, conta.
Ao ser entrevistado a campanha de Camila e Ciano não tinha sido divulgado e Luiz nada sabia sobre a intenção dos pais de Ravi. “O Luiz não sabe de nada. Preparamos essa surpresa para ele e esperamos que ele não fique constrangido ou chateado, porque é o único jeito que encontramos para agradecer um pouquinho só o que ele fez por nossa família. Nem realizar o sonho dele paga nossa dívida com ele”, torce Camila. “Nossa gratidão transcende todo orgulho e qualquer timidez que pudesse nos atrapalhar nessa empreitada! Então, somos muito gratos a quem abraçar nossa campanha!”, encerrou.
Por Nalu Saad
crédito das fotos: Divulgação
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