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Para mães poderem fazer o ENEM, mulheres se voluntariam para cuidar de seus filhos


Seria possível mudar a realidade de milhões de mulheres no Brasil, para que tenham acesso à educação superior? Onde mora uma possível solução que não precise passar por burocracias governamentais e conte unicamente com o poder da ação, recursos de tempo e energia coletiva?

A jornalista Fernanda Vicente nos prova que sim, é possível! Ano passado, conheci um projeto com alto potencial de mudança social, liderado por ela. Com uma ideia simples e ao mesmo tempo transformadora: Mães no ENEM

Consiste em reunir mães interessadas em se voluntariarem para cuidarem de filhos de outras mamães que precisam prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Inspirada em uma corrente lançada na rede social em 2016, Fernanda fez uma postagem em seu perfil se oferecendo para cuidar dos filhos das mulheres da região onde mora. A adesão e o interesse de outras mulheres foram imediatos, e a partir disso, voluntárias de várias regiões do país surgiram querendo  ajudar. Nascia, assim, o Mães no Enem.

Como mãe e feminista, a jornalista entende as dificuldades que muitas mães passam para conciliar maternidade, vida profissional e estudos. Entusiasmada em ajudar mulheres a realizar o sonho de entrar numa universidade, uma vez que a evasão escolar, principalmente das mães, é grande no país, ela viu uma possibilidade real de colocar em prática a sororidade, que significa união entre mulheres.

Em menos de 24 horas, o projeto ganhou repercussão nacional. Para organizar e tornar viável a ideia, que antes era pequena, foi criada uma página no Facebook com uma lista de voluntárias, dividida por estados e cidades. O Mães no ENEM também passou a contar com a assistência jurídica da advogada Ana Carolina Moreira Bavon, fundadora da Feminaria – uma rede colaborativista exclusivamente feminina com sede em São Paulo.

O projeto Mães no ENEM é uma ação voluntária, apartidária e sem fins lucrativos.

Como funciona:

O projeto Mães no Enem promove a aproximação entre as mães e as voluntárias pré-cadastradas. A mulher que decide se voluntariar no projeto, solicita uma ficha de inscrição e, após preenchida, envia juntamente com cópia de documentos e comprovante de residência. Toda documentação é mantida em sigilo pelo projeto.

Após análise das responsáveis pelo projeto, o nome da voluntária é inserido na lista do projeto conforme estado, cidade e bairro que é feito o cadastro.

É de total responsabilidade da família da criança que seja feita uma análise minuciosa da vida da voluntária. Para isso, o projeto disponibiliza a ficha cadastral de cada uma das mulheres inscritas. Quando firmada a parceria entre mãe e voluntária, o projeto encaminha o termo de responsabilidade para as partes envolvidas assinarem. Cada parte fica com uma cópia, incluindo o projeto.

Francine Nóbrega, 20, musicista, estudante e mãe de Maria Lua,de 2 anos, nos contou como foi participar do projeto:

“A experiência foi emocionante. O poder da união feminina, da empatia, a força do feminismo. Me senti forte, acolhida, amada. Morando longe da minha família e vivendo 100% pra maternidade, tive força pra estudar e ter um futuro melhor junto com a minha filha. Sou muito grata a Fer por ter sido tão generosa a ponto de pensar em todas nós e a Bel por tanta dedicação e amor comigo e com a Lua”, disse.

Já como voluntária, a atriz Isabel Antunes, 50, que cuidou de Maria Lua, fala como foi se engajar:

“Para mim foi uma experiência única conhecer e participar do projeto. Quando a jornalista Fernanda Vicente divulgou na rede que havia fundado este projeto, eu achei que deveria me engajar nesta causa. Entrei no site e me inscrevi. Depois soube que ficaria com uma criança no dia do exame. Foi uma alegria imensa, fiquei muito emocionada. Tudo é muito organizado. Assinamos um termo de responsabilidade e tudo. Foi uma ótima experiência, sai mais enriquecida e com mais esperança de que a vida de muitas mulheres mude para melhor daqui em diante”, disse. Isabel.

O projeto já conta com outros desdobramentos, como apoio psicológico para mães estudantes, coordenado pela psicóloga Ana Paula Lucena Cordeiro. O apoio também faz o cadastro de psicólogas de várias regiões do país que estejam dispostas a atender mães que necessitem de acompanhamento.

É possível apoiar de muitas formas as mães estudantes universitárias, como aulas de redação e aulas particulares online, aulas de idiomas, empréstimo de livros, carona solidária, auxiliar com trabalhos acadêmicos, orientação psicopedagógica, ajuda com cópia, encadernação e papelaria, doação de laptops, divulgar o projeto nas suas redes sociais, entre outros.

Me interessa especialmente mostrar o quanto geramos mudanças na vida das pessoas quando oferecemos nossa melhor versão. Percebam que este é um projeto onde todos podem ajudar com seus talentos e melhorar a vida de mulheres em situação temporária de vulnerabilidade. Temporária, porque com a criação desta cultura de apoio mútuo, é possível gerar uma micro-revolução na educação em diversos níveis, até chegar a um nível macro. Mães com maiores chances de realizar seus sonhos e sair de um círculo de pobreza. Mulheres utilizando de seus privilégios para regenerar ou reparar um déficit educacional geracional. Todos ganham! Mães, crianças, sociedade…

As inscrições estão abertas para quem quiser fazer parte desta rede nacional, pode entrar em contato diretamente pelo email [email protected]

Por Sabrina Bittencourt, com informações oficiais cedidas pelo projeto.


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