Candidatas do Miss Peru quebram protocolo e falam sobre a violência contra mulheres

O que é a medida do busto, cintura ou quadril perto de estatísticas aterrorizantes de feminicídio?


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O que é a medida do busto, cintura ou quadril perto de estatísticas aterrorizantes de feminicídio? Nada, não é verdade? As participantes do concurso Miss Peru colocaram as cartas na mesa sobre a violência contra a mulher, e nós estamos aplaudindo de pé essa iniciativa extremamente necessária.

Em um país onde as mulheres estão sendo mortas diante do silencio das autoridades e da sociedade como um todo, as candidatas decidiram falar – e falaram muito bem! Não sobre as qualidades de seus corpos, mas sobre as vítimas de violência de gênero no seu país.

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“Meu nome é Camila Canicoba e sou representante de Lima. Minhas medidas são: 2.202 casos de feminicídio foram registrados nos últimos nove anos no meu país”, disse uma das participantes. “Meu nome é Juana Acevedo e minhas medidas são: mais de 70% das mulheres do nosso país são vítimas de assédio nas ruas”, disse uma segunda.

E, assim, uma por uma, as candidatas falaram de números que muitas pessoas ignoram, ou quando veem a público são taxados de “mimimi”, por homem héteros, brancos, que personificam e perpetuam o patriarcado, não apenas no Peru, mas em praticamente todos os países, onde as mulheres são silenciadas – até quando esse silêncio torna-se insuportável.

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“Meu nome é Luciana Fernández e represento a cidade de Huánuco, e minhas medidas são: 13 meninas sofrem abuso sexual no nosso país.”

“Meu nome é Melina Machuca, represento Cajamarca e minhas medidas são: mais de 80% das mulheres da minha cidade são vítimas de violência.”

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Segundo a organizadora do evento, Jessica Newton, ex-vencedora do concurso de beleza, a iniciativa de escancarar esses números na edição deste ano do Miss Peru sobre a violência de gênero empodera essas mulheres e tantas outras.

Ela também defendeu o desfile de biquíni – tratado como uma objetificação do corpo da mulher (Por quem? Geralmente, pelos homens) –, pois, para ela, essa é uma oportunidade para mostrar que as mulheres devem ser tratadas com respeito independente das roupas que elas vestem e ponto final!

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“As mulheres podem sair por aí peladas se elas quiserem. Peladas. É uma decisão pessoal”, afirmou Newton. “Se eu andar na rua de biquíni eu continuarei sendo uma mulher tão decente quanto se eu estivesse usando um vestido longo.”

Fala o que precisa ser falado, manas:

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