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Deficiente auditiva ajuda restaurante a adaptar sistema de pedidos


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Quem poderia imaginar que pequenas ações pudessem transformar o mundo? Às vezes, não paramos para pensar nisso, mas um simples gesto pode ser capaz de alterar a forma como vivemos. Até mesmo em ambientes simples como em um restaurante é possível fazer a diferença.

E é esse o caso de Giovanna Andreo, de 26 anos, musicista formada em letras pela Unicamp. Desde pequena, ela canta e toca piano, violão e guitarra, podendo ser considerada uma apaixonada por música. Após trabalhar um tempo como professora, a musicista começou a trabalhar em uma empresa de Treinamento e Desenvolvimento de pessoas e equipes e se assustou quando descobriu há cinco anos um problema progressivo de perda de audição- hoje, bem evoluído. Como ficaria sua vida sendo a música sua maior paixão?

Muitos pensaram que ela desistiria de continuar praticando, mas não foi bem essa a decisão que ela tomou, pelo contrário, afinal essa nunca foi uma opção.

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Hoje, Giovanna toca pela vibração dos sons dos instrumentos. “Foi uma adaptação que começou de forma natural e que foi aprimorando com o tempo! Hoje a experiência musical se tornou muito mais intensa, diferente e me alivia muito perceber o quanto o nosso corpo surpreende!”, revela.Agora, sua intenção é poder ajudar todos que compartilham do mesmo problema de audição.

Uma pequena e importante ação que ela já realizou foi no restaurante mexicano Guaco, em Campinas, lá a ideia é que os clientes façam o pedido igual no Subway onde as pessoas vão escolhendo os ingredientes que querem em seu lanche.

Para Giovanna, o lugar sempre foi muito legal e, por ser, perto de seu escritório, virou quase uma ‘obrigação’ ir ao restaurante com uma certa frequência durante a semana. Rápido, gostoso e com o preço justo. Tudo parecia perfeito, porém “Esse sistema de pedidos no balcão, de conversa rápida, não é muito prático para os surdos. Talvez pelo fato de ter perdido a audição depois de mais velha, faço muitas comparações com situações de ouvinte/não ouvinte. E foi isso que aconteceu lá. Eu percebi que, toda vez que estava sozinha, acabava indo em outro lugar, pois não teria ninguém para me ajudar caso eu não entendesse e tivesse que entender rápido”, conta.

Para ela, é um frio na barriga ter que passar por essas situações de compreensão com pressão de tempo. Por isso, sempre seu namorado acabava fazendo o pedido por ela para evitar aquele nervoso.

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"Não sei se vocês conhecem o @gua.co, mas é um restaurante mexicano muito, muito gostoso, preço justo e opções saudáveis. Eles tem um modelo estilo Subway, o cara dentro do balcão vai montando seu pedido com as coisas que você quer, passando por todas as opções até chegar no caixa. Eu sempre evitei ir lá sozinha por um simples motivo: tem que entender rápido e responder rápido, às vezes tem fila e é meio embaraçoso quando a gente não entende as coisas. Eles são super preocupados com esquemas de acessibilidade, alergias alimentares e tal, então resolvi escrever sugerindo algum tipo de acessibilidade para surdos nesse modelo de servir, para evitar situações com essa. Rapidamente tive uma resposta super compreensiva com a minha sugestão. Pouco mais de uma semana depois, eu já estava “aprovando” a ficha de PNE criada para nós, deficientes auditivos. Hoje ela está lá, disponível para facilitar muito a nossa vida, e tornar essa experiência do Guaco ainda melhor! Parabéns e obrigada, do fundo do meu coração. Esse tipo de ação é muito, muito especial mesmo. Vamo pro @gua.co, gente! (Me chamaaa)" Publicado por Giovanna Andreo

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Mas e se ela conseguisse mudar esse sistema?

Foi justamente o que a musicista decidiu fazer. “Acabei por escrever para o Guaco, sugerindo algum tipo de acessibilidade nesse aspecto. Acho que mais pessoas na minha situação podem se beneficiar com isso e, por incrível que pareça, eles foram super solícitos!”, conta.

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O que Giovanna sugeriu foi uma ficha de pedido para facilitar a vida de pessoas como ela.

E não é que eles abraçaram a causa? Poucos dias depois a ficha já estava em sua caixa de entrada para sugerir mudanças e melhorias no sistema de pedidos do restaurante.

“O mais engraçado é que a gente se surpreende muito com algo que, na verdade, deveria ser comum. A maioria das pessoas acha que acessibilidade termina na rampa de acesso, no número em braille no elevador… Mas a surdez é uma deficiência que passa meio despercebida. A gente é tão acostumado com o “se virar”, que quando algum lugar se dispõe a fazer algo do tipo, é pra abrir um sorriso de orelha a orelha. Fiquei muito, muito feliz mesmo, por mim e por todos os outros como eu. Acabei fazendo um post de agradecimento e jamais imaginaria que ele tomaria a proporção que tomou, mas valeu muito a pena. Sou fã do local desde sempre, mas agora eles ganharam um respeito diferenciado. Mesmo!”, disse ela.

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De fato, ações como essa são capazes de mudar para melhor a vida dos outros. “Elas impactam na nossa liberdade e na nossa independência diretamente. Essas ideias deveriam ser muito mais propagadas. Mas percebo frequentemente as pessoas sofrerem quietas pela sua dificuldade. Depois que eu caí de paraquedas na cultura surda, comecei a perceber o quanto de “perrengue” se passa e que poderia ser evitado com medidas simples de adaptação. Por isso, hoje, toda vez que eu sinto isso, eu escrevo, vou atrás, e vejo até onde consigo brigar pela mudança. Vale muito a pena. Pelos outros e por mim”, revela a deficiente auditiva.

Hoje, ela se orgulha e muito de ser surda e tenta melhorar o mundo a cada instante para todos. “Ninguém deve ficar de fora. Ninguém precisa passar nervoso, constrangimento. Todo mundo merece ser feliz por igual e o Guaco trouxe algo muito especial para ajudar nisso!”, fala ela sobre o restaurante.

É, a Giovanna conseguiu realmente fazer a diferença na vida dela e de pessoas que compartilham da mesma dificuldade. Que tal colocarmos esse ideal no nosso dia a dia também? Saiba mais histórias de atendimentos que encantam! BoraEncantar? Clique aqui.

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[Nota da Redação]

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