Esse acampamento que reúne crianças sobreviventes de queimaduras vai fazer com que você queira ser voluntário


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De 22 a 25 de junho, cerca de 40 crianças de todo o país se reuniram no Acampamento Para Crianças Sobreviventes de Queimaduras do Brasil, no Acampamento Nosso Recanto.

No evento, realizado pela Burn Advocates Network, os campistas constroem autoconfiança, fazem novos amigos e deixam as cicatrizes de lado em favor das brincadeiras, jogos de bola, círculos de percussão e experiências inesquecíveis.

Já são 3 acampamentos, todos geridos por voluntários e financiados por doadores.

A missão do BAN é dar suporte a esses sobreviventes, enquanto enfrentam os desafios da recuperação, reabilitação e reintegração.

Em 2017, a previsão é de construir quatro acampamentos em diferentes regiões da Índia.

A voluntária Monica Simas de Lima, relatou como foi o acampamento para a equipe do Razões:

Diário do Samba Camp 

Primeiro dia:

“Chegamos no acampamento depois de uma certa ansiedade. Como seria? Mal pude dormir na véspera.

José, do acampamento, fez a reunião de boas-vindas, ensinando as regras e nos acolhendo. Percebemos que teríamos muito apoio. 

Samuel Davis, o patrocinador responsável por tudo, nos ensinou que é possível. Ele tinha a experiência de outros acampamentos no exterior. 

Meu medo era viver sem conhecer essa criatura. Precisava que um cidadão norte-americano se compadecesse conosco para termos o primeiro acampamento no Brasil?  

Voltando as atividades, chegando lá no refeitório, Renato Caleffi, chefe do restaurante Manjue, nos aguardava, preparado para fazer a primeira atividade com as crianças. 

Depois disso, cada um montou sua pizza e comeu. Na sequência, um pequeno filme e uma introdução para iniciar a atividade “Jurassic Park” na área externa nos aguardava. As crianças correram a noite com lanternas e exploraram aquela região linda.

Assim termina o primeiro dia, com uma sensação de missão cumprida.

Nós, voluntários, estávamos muito envolvidos na montagem dos kits. Cada criança não precisou levar nada, só a alegria. Precisávamos que cada tênis, cada chinelo, cada camiseta, cada calcinha e que cada meia servisse. E claro, que cada criança gostasse.

Segundo dia

As atividades do dia começaram com roda de musicoterapia.

Maureen Maggi e o professor Lázaro vieram fazer as atividades com as crianças e participaram de um bate-papo muito animado. 

Depois disso, fui até a cidade comprar todos os sapatos que não chegaram a tempo. Adivinhem? A cidade tinha exatamente três lojas que vendiam sapatos e conseguimos comprar todos. Obrigada Deus. Deu tudo certo. Ainda dentro do orçamento.

Depois entramos na água com as crianças. Um longo tobogã, nada muito alto. Claro que eu entrei e nadei com eles. Maiôs serviram, tudo certo. Muitos sorrisos na água.

Essa noite teríamos um show de talentos feitos pelas crianças. Como seria?

Teve música, teve mágica, teve piada, teve emoção, teve dança, teve cantoria. Teve apresentação de expectativa e realidade simulando futebol e gestos cotidianos. Teve crianças que normalmente não se expõem e que essa noite se soltaram mostrando para todos seu lado mais brilhante.

A limitação está em quem lança olhares em público, em quem julga por aparências, a limitação está na nossa mediocridade e não nesses corações. Não quero dizer que eles não precisam aprimorar a aparência. Que eles não precisam ter acesso a tratamentos. Não, eles apenas são maiores que os acidentes que enfrentaram e que as marcas que infelizmente ficaram.

Os voluntários, os monitores, os funcionários, as crianças e os organizadores se abraçavam e agradeciam.

Terceiro dia

Dia de churrasco!

Hoje o tema do almoço era times de futebol. Kits de uniformes da Seleção Brasileira foram comprados para todas as crianças. A nossa sensação era de que tudo se encaixava, de que tudo se alinhava para que o acampamento fosse realmente essa experiência única.

Nossa expectativa também estava altíssima com a tal “Zin Colour Festa”. Comi a tal poeira colorida, brincamos, pulamos, dançamos, a pulsação foi a milhão. Tudo muito lúdico e gostoso. 

Depois disso, um bom banho e nos preparamos para uma roda de conversa, onde as crianças poderiam falar sobre o que quisessem.

Ouvimos as declarações de amor mais deliciosas que a Rosa, diretora do acampamento, poderia ter ouvido em toda sua vida.

Quanta doçura. A Lara,de 6 anos, pediu para começar e disse doces palavras de agradecimento. Depois disso, a Andreia Garcia disse que o acampamento estava mudando sua vida. O Davi falou que se sentia em um tratamento ao ver tantas crianças como ele. Que lindo.    

Esse foi o momento mais sublime do acampamento. Nessas horas as crianças conduziram e lideraram. Com naturalidade e sem pressão. Só falou quem quis falar. Sobre sentimentos e realidades que muitos de nós não teriam a audácia de viver. Que coragem. Quanto poder de superação. 

Quarto dia

Todos com a excitação e a gratidão de ter chegado até aqui. Atividade de roda, com música. Banho de lama de manhã. Na alma.

A mesma argila que provavelmente vai nos enterrar um dia. Lembrando que estamos vivos e que sim, esse dia valeu a pena ser vivido. Fui de novo. Banho de esguicho. Meu Deus, há quantos anos que eu não tomava banho de esguicho!

Almoçamos. O acampamento preparou um vídeo para despedir-se do grupo. Todos emocionados. Dava para notar que aquela equipe que nos acolheu tinha se transformado com nossa presença. Coisa de valores. Coisa espiritual.

Vou até o ônibus e vejo que muitas crianças já estão lá. Dentro dele, muito choro e emoção de novo. Foi uma experiência transformadora em um nível coletivo.”

Ajudem apoiando a campanha  Queimaduras Nunca Mais e baixem o aplicativo“Queimei”, para informações de como proceder em caso de acidentes de queimaduras. 

Mais informações:

www.campsamba.com.br

Facebook

Fotos: Reprodução Facebook/ Divulgação

 


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