Instituto inclui pessoas com deficiência no mercado de trabalho usando metodologia pouco difundida no Brasil


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São muitos os desafios enfrentados por pessoas portadoras de algum tipo de deficiência para se inserirem no mercado de trabalho, mesmo com a existência de leis, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que asseguram esse direito.

Diferente do que o senso comum acredita, a pessoa com deficiência pode produzir e interagir como qualquer trabalhador. Incluir essas pessoas no mercado é importante para elas, porque se sentem empoderadas, e para a economia do país, que ganha mais uma força de trabalho.

Construir uma ponte que liga o deficiente às empresas é um caminho para a inclusão social e econômica dessa parcela da sociedade – estima-se que, no Brasil, existam mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.

É esse o trabalho que Instituto Ester Assumpção realiza. O Instituo atua na inclusão de pessoas com deficiência há 28 anos, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

O programa Emprego Apoiado visa à colocação de pessoas com alto grau de deficiência no mercado de trabalho, através de uma metodologia pouco difundida aqui: ao invés de qualificar para incluir, o programa inclui para depois qualificar.

Na entrevista a seguir, você conhece as vantagens dessa metodologia, a estrutura do programa, o perfil dos participantes, como se dá a participação, a relação com as empresas e alguns dos principais desafios enfrentados por trabalhadores com deficiência no Brasil.

Por que o Instituto prefere incluir a pessoa com deficiência no mercado de trabalho para depois qualificá-la?

A lógica de incluir primeiro para depois qualificar é adotada no Instituto devido ao método do Emprego Apoiado, que preconiza que as pessoas com deficiência devem ser desenvolvidas no ambiente de trabalho, ao invés de participarem de oficinas protegidas, ou seja, espaços somente de pessoas com deficiência. Neste método as pessoas devem compartilhar espaços comuns e viver experiências que irão permitir o seu desenvolvimento pessoal e profissional no ambiente organizacional.

Esta nova lógica é uma crítica direta ao modelo de preparar primeiro as pessoas para depois incluí-las no mercado de trabalho. Pois, historicamente, o modelo de qualificar primeiro, que é mundialmente conhecido como oficinas protegidas, não conseguiu ao longo de décadas, comprovar taxas de empregabilidade satisfatórias, e as pessoas acabavam não saindo da proteção das organizações que oferecem este tipo de abordagem.

Ressaltamos que este método é mais utilizado para pessoas com deficiência com maior grau de incapacidade, pois é o público que sofre maior preconceito e possui maior dificuldade de colocação no mercado de trabalho.

Outra característica deste método é considerar um planejamento centrado na pessoa com deficiência. Isto significa que, ao invés de as empresas procurarem as pessoas, o processo se inverte também após conhecermos as pessoas. A equipe do Instituto busca identificar vagas de trabalho nas empresas que possuem potencial de contratação.

Há quanto tempo vocês desenvolvem esse trabalho, em que cidades o programa acontece, como ele se estrutura, qual o perfil dos participantes, como faz para participar?

O Instituto atua na inclusão de pessoas com deficiência há 28 anos. Atuamos na região metropolitana de Belo Horizonte, tendo como destaque as cidades de Betim, Contagem, Juatuba e Sete Lagoas. Contudo, caso a empresa possua filiais em outras cidades ou Estados, a equipe do Instituto se desloca para realizar o atendimento.

Desenvolvemos o trabalho de implantar no ambiente das empresas processos inclusivos para que haja um ambiente favorável a inclusão de trabalhadores com deficiência nos diversos setores e áreas. Utilizamos uma ferramenta criada pela nossa equipe denominada de IMGI – Índice de Maturidade em Gestão Inclusiva.

Esta ferramenta possibilita a realização de um diagnóstico que demonstra os pontos fortes e fracos da empresa em relação às práticas inclusivas. Após a apuração deste índice, propomos a elaboração de um plano de ação alinhado com o resultado apurado com prazos e metas definidas para que a empresa desenvolva o seu projeto inclusivo.

Podem participar quaisquer pessoas com deficiência que desejam trabalhar. A nossa equipe faz uma entrevista com os candidatos para identificar os seus potenciais, habilidades e tipos de comportamento com o objetivo de identificarmos qual o perfil de vaga é adequado para cada candidato.

Para participar, as pessoas podem entrar em contato com o Instituto Ester Assumpção e agendar uma entrevista de cadastro pelo telefone 31 3592.1011 ou pelo e-mail [email protected]

Como se dá a parceria com as empresas?

As empresas buscam a parceria do Instituto Ester Assumpção, principalmente, para receber assessoria para o desenvolvimento de estratégias que visam o cumprimento da Lei de Cotas. Após a apresentação da demanda da empresa, propomos a aplicação do IMGI para que seja elaborado o plano de ação. Antes do início das atividades, é necessário a elaboração de um termo de parceria entre a empresa e o Instituto para definição do escopo de atuação. Após a aprovação do termo, as atividades são iniciadas.

Ressaltamos que o valor pago pelas empresas para receber os serviços de assessoria do Instituto são totalmente revertidos para a promoção do atendimento gratuito das pessoas com deficiência. Conforme o modelo de negócio da empresa, o Instituto se coloca à disposição para negociar formas de contrapartida.

Quais são os principais desafios para a inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência no mercado de trabalho? 

Podemos destacar que os principais desafios para os trabalhadores com deficiência atualmente no Brasil são:

a) mudar a crença da sociedade em achar que as pessoas com deficiência são incapazes
b) promover maior grau de acessibilidade arquitetônica e atitudinal no ambiente das empresas;
c) sensibilizar os familiares de pessoas com deficiência a incentivá-los a terem uma vida social e produtiva ativa;
d) encontrar empresas que possuem diretrizes claras e objetivas para implantação de processos que visam a inclusão de pessoas com deficiência;
e) contar com políticas públicas: educação, saúde e transporte que consigam ofertar serviços de qualidade para as pessoas com deficiência de menor poder aquisitivo.


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