Jovem de 16 anos faz projeto que valoriza a estética negra da mulher

“Isso aqui são os meus ancestrais. Eu nasci com essa coisa linda e não posso arrancar de mim"


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Aos 16 anos, Lydianne Ribeiro dá uma verdadeira aula de aceitação e autoestima. Moradora do Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro, hoje a adolescente orgulha-se de seu black power loiro, mas nem sempre foi assim. Quando era mais nova as tentativas de reduzir o volume de seu cabelo foram muitas, mas são justamente estas experiências que a motivam a combater o racismo e o machismo através de um projeto, na escola Escola Municipal Levy Miranda, onde ela estuda.

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“Isso aqui são os meus ancestrais. Eu nasci com essa coisa linda e não posso arrancar de mim”. Frases como esta foram o que a incentivou a criar o projeto “Solta esse Black”, junto com outras adolescentes, há cerca de 2 anos. As garotas organizam palestras sobre preconceito, debatem sobre o papel da mulher na sociedade e fazem oficinas de fabricação de turbantes e cuidados com cabelos afro, com o objetivo de valorizar o que têm. “A gente não trata só de cabelo, mas também da estética da menina negra. O projeto trabalha aceitação, autoestima e motivação”, afirma a jovem.

Lydianne está no primeiro ano do ensino médio e, apesar de ter mudado de colégio continua mais envolvida no que nunca neste projeto, que tem como objetivo a troca de experiências entre meninas negras, que segundo ela, precisam de apoio: “A menina negra já cresce um pouco ferida. Ela passa por coisas que a ferem durante a infância e adolescência. Quero que elas encontrem o apoio que eu não tive anos atrás”.

A inspiração para seu projeto veio a partir de sua própria experiência e, ela diz que passou a se aceitar quando tinha cerca de 12 anos, idade em que pintou o cabelo pela primeira vez: “Quando eu olhei no espelho e vi meu cacho destacado pela cor, comecei a gostar. Eu já pintei várias vezes, mas sempre volto para o loiro porque me faz lembrar do momento em que eu comecei a gostar de mim”.

Com o tempo, veio a aceitação e o conhecimento sobre o que é ser mulher negra no Brasil: “Eu não me via como preta, falava que eu era morena. Ainda não tinha conhecimento sobre o que era ser negra ou ser branca” e, hoje, a sua própria autoestima é combustível para incentivar mais e mais meninas a se amarem do jeito que são. A garota costuma passar de sala em sala, conversando sobre o projeto e convidando outras meninas a se unirem à ela.

Aos poucos o grupo foi aumentando e as meninas envolvidas começaram a assumir seus cabelos, frequentando a escola com eles naturais: “Foi aí que a gente começou a ver que o trabalho tinha resultado”. A ideia é justamente essa: a partir da estética, trabalhar outros temas como aceitação, motivação e autoestima. O sucesso é tanto que em breve o grupo fará seu primeiro evento “Encontro de Cacheadas”, onde pretendem atrair mais participantes.

Lydianne ainda não sabe que carreira quer seguir, mas uma coisa tem certeza: vai continuar levantando o debate sobre a questão racial, do preconceito, estética negra e da valorização da mulher. Uma adolescente inspiradora!

Com informações de Porvir

Fotos: Reprodução/Criativos da Escola


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