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Médico negro atende mulher negra e reafirma a importância da representatividade

"Obrigado por me dar a honra de presenciar esse momento da sua vida, Dona Eunice."


médico negro atende mulher negra
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Representatividade nunca deixará se ser importante, por mais que algumas pessoas achem que não. Um médico negro é praticamente um ‘evento’, vira manchete de jornal, agita as redes sociais.

Uma feliz surpresa, mas triste por ser justamente uma surpresa. Não deveria, mas é. Em poucas linhas, é óbvio que a representatividade de pessoas que não exercem uma profissão dominada pelos brancos é mais até do que importante: necessária.

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Se você perguntar para o estudante de Medicina Fred Nicácio, 31 anos, qual costuma ser a reação dos pacientes quando entram pela porta do seu consultório, de cara você irá ouvir: surpresa. Ao contrário do que tem sido falado, ele está terminando a faculdade, muito próximo de se graduar.

Triste, mas essa reação é bastante recorrente. Quantas vezes você já foi atendido por um médico negro ou uma médica negra? Sobram dedos em uma única para contar.

Há alguns dias, Fred atendeu a dona Eunice, que pela primeira vez foi consultada por um médico negro. Depois da surpresa, ela deve ter sentido muito orgulho desse ‘evento’, por ser negra. O que passou na cabeça dela é difícil de saber, mas tinha um pouco de orgulho, com certeza.

“Essa é a Dona Eunice, e no auge dos seus 74 anos, foi a primeira vez que foi consultada por um médico negro. Obrigado por me dar a honra de presenciar esse momento da sua vida, Dona Eunice”, escreveu Fred num post na sua conta do Instagram com uma foto dele e da idosa.

A publicação viralizou, com mais de 6 mil curtidas e mais de 450 comentários. Entre parabéns e agradecimentos pela representatividade marcante, muitas pessoas comentaram que adorariam se consultar com Fred, pois nunca foram atendidas por um médico negro.

“Que representatividade…máximo orgulho… As pessoas não têm noção de como isso é importante pra nós!!!”, comentou uma pessoa. “Sempre me incomodei com a pouca presença do negro na classe médica. Te sigo mesmo sem te conhecer porque você me orgulha. Parabéns”, escreveu outra.

São tantos comentários e directs, que Fred precisaria de mais uns dez dele para responder todo mundo.

“Tomou uma proporção gigantesca. Por ser incomum [médico negro] sempre chama a atenção. Eu estou achando incrível. Esse tipo de coisa tem que ser compartilhada mesmo, sabe? Para poder motivar mais jovens negros a lutarem pelo o que eles querem. É motivacional, representatividade importa muito! É importante se ver em alguém, ter uma referência. Para mim é ótimo ser uma referência”, disse Fred em conversa com o Razões para Acreditar.

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“Percebo muito a cara de surpresa das pessoas que vêm se consultar. Elas abrem a porta de um consultório de um hospital público, e tem uma pessoa preta sentada na cadeira com um estetoscópio no pescoço aguardando pra poder consultá-las. Algumas tomam susto, outras fazem cara de surpresa. Alguns poucos ficam relutantes, mas bem poucos. As pessoas pardas e negras se sentem muito à vontade comigo, é muito gostoso receber esse carinho.”

Nesses casos em que é recebido com certa relutância, Fred “mostra ainda mais competência, a capacidade por trás da leitura que essas pessoas acabaram de fazer”. Fred até usa termos muito técnicos – tem gente que precisa ouvir palavras difíceis pra confiar no que ele diz (rs) – para acabar com os pré-conceitos sobre sua capacidade.

Trajetória

Fred nasceu em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro. Depois se mudou para o Rio e fez faculdade de Fisioterapia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Assim que terminou o curso, voltou para o interior e, trabalhando como fisioterapeuta, descobriu sua paixão pela Medicina.

Ele fez cursinho pré-vestibular e entrou para o curso de Medicina da Universidade Iguaçu (UNIG), na cidade de Itaperuna. Como o curso é integral, Fred trabalhava apenas aos finais de semana. Depois de um tempo, ele fez uma prova para conseguir uma bolsa social – foi aprovado em primeiro lugar.

“Eles são incríveis comigo. Ficaram sensibilizados com a minha situação e me ajudam até hoje”, destaca.

Ano que vem, Fred fará residência médica, e pretende se especializar em cirurgia plástica.

Mensagem

O Fred tem uma mensagem inspiradora para jovens negros, que precisam tanto de exemplos como ele, lutarem por seus sonhos, apesar dos inúmeros obstáculos que sabemos que existem:

“Sem querer cair no clichê, corram atrás dos seus sonhos. Eu sou um cara de muita fé! Acredito fortemente na lei do retorno. Tento sempre trabalhar nessa coisa da energia. Emanando o máximo de energia positiva porque eu sei que isso vai reverberar de maneira benéfica, e vai voltar para mim. Então, se você tem o sonho de fazer Medicina, qualquer curso, insista. Preto, pobre, gay, eu sou tudo isso. Mas, eu consegui! Olha para o que te faz bem e foca nisso. Resista, persista porque se é um sonho não é para ser frustrado. Acredito que Deus não permite que sonhemos com algo que não podemos concretizar, por mais tempo que isso leve. Porque seria uma crueldade muito grande.”

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crédito das fotos: Reprodução/Instagram @frednicacio

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