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Mulher trans faz lindo depoimento sobre a aceitação do padrasto e avó


depoimento mulher trans
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Para você, o que caracteriza uma família? Mais importante do que os laços sanguíneos são os laços de amor e de respeito que construímos ao longo da vida, por isso às vezes costumamos nos identificar muito mais com pessoas que não têm o nosso sangue, do que as com o nosso DNA, como é o caso de Karen Maria Reis, é uma mulher trans natural de Colatina – Espírito Santo, que fez uma postagem emocionante que a gente também vai compartilhar com vocês.

Karen nos contou como foi o processo de entendimento, aceitação e transformação, não somente dela, mas de sua família sobre sua transição. Sua postagem foi uma verdadeira homenagem à sua avó e ao seu padrasto, Seu Reinaldo, um senhor de 73 anos que, apesar do pouco conhecimento que tem em relação às questões de gênero e sexualidade, sempre a respeitou, demonstrou carinho, amor e jamais questionou ou teve vergonha de sua filha, coisa que, infelizmente acontece muito, por falta de informação e outras questões.

 Karen Maria Reis mulher trans com o padrasto

Karen e o querido do Seu Reinaldo

Ela viveu até os 15 anos em Colatina com o padrasto, mas depois mudou-se para Linhares e foi morar com o pai biológico e segundo ela, a relação entre Karen e seu padrasto sempre foi a melhor possível: A situação entre meu padrasto sempre foi de filha e pai mesmo. Desde novinha sempre cuidou de mim. Mas como disse, sempre foi um homem rígido, nunca pensei que em meia dúzia de palavras que minha irmã teve com ele sobre minha atual identidade, ele fosse ser tão compreensivo e rápido na adaptação“.

Karen também demorou para compreender que seu caso não era de sexualidade, mas sim de identidade de gênero e que era uma mulher trans, e a mudança começou quando ela conheceu a vocalista trans de uma banda de metal e após conversando, foi descobrindo sua história e se identificando: “Eu nunca tive contato com nada do mundo LGBT antes dos meus 17 anos. O máximo que eu conhecia era gay e lésbica. Então tendo essa falta de conhecimento, a única resposta que você tem quando você vê que foge da regra heterocisnormativa, é ser gay se for homem ou lésbica se for mulher. E foi isso que aconteceu, não imagina que eu poderia não ser um homem, só pensava que eu sentia atração por homens. Mas a partir dos anos que fui me assumindo e tomando mais liberdade eu fui vendo que ser um homem gay bastante afeminado, não era o bastante, não me via no espelho como quem eu era”.

Mas, é preciso respeitar o tempo das coisas, é natural que as coisas aconteçam quando nós mesmos estamos preparados e foi o que aconteceu com ela: Até que aos poucos fui conhecendo pessoas no meio artístico como eu. Conheci uma vocalista de uma banda de metal chamada Foxx Salema, e conhecendo a história dela, eu fui percebendo que aquilo ali era uma luz. E passei a pesquisar mais sobre transgeneridade e travestilidade”.

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Sabe aquela história que a gente sempre acaba repetindo, de que os mais velhos não compreendem certas coisas? A história de Karen, uma mulher trans, nos mostra que as coisas não são bem assim, já que sua avó Lourdes, também a recebeu de braços abertos e nunca questionou a transição de gênero da neta: “Eu tinha certeza que minha avó Lourdes levaria tudo na boa, ela é daquele tipo de vó que tudo que os netos fazem está bom. Só tive o medo porque é automático ficarmos com as defesas preparadas quando o assunto é respeito e dignidade. Tinha até preparado a historinha da lagarta e borboleta pra explicar a ela de uma forma mais fácil, mas nem precisei usar”.

 mulher trans Karen Maria Reis com a avó

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Karen e sua avó, Lourdes

Quem escolheu o segundo nome, “Maria”, foi inclusive, a vó Lourdes, em homenagem à mãe de Karen e disse que por ela teria deixado apenas “Maria”. Mas, infelizmente, sua relação com seu pai nunca foi a mesma que ela sempre teve com o Seu Reinaldo e após sua transição as coisas pioraram bastante: Enquanto eu me apresentava como homem gay estava tudo mais ou menos, tanto na relação entre meu pai progenitor e eu quanto na minha vida profissional. Mas foi só a moeda virar, pra eu ser demitida e meu pai começar a ter problemas na aceitação, vergonha da minha presença frente aos amigos, dizer que nunca vai me chamar de outra coisa. E por aí vai”.

Diante da falta de aceitação de seu pai e das constantes brigas, Karen acabou saindo de casa e nesta hora contou com a ajuda de amigos, que ela nos confidencia que foram a sua salvação: “Oro muito a Deus pelos amigos maravilhosos que tenho. E que me acolheram e ainda me acolhem”. A sua transição se deu aos 24 anos e, após ser demitida, ela passou a trabalhar como maquiadora profissional e cantora.

Canal no Youtube

Com o objetivo de ajudar as mulheres, ela criou um canal no Youtube que aborda questões importantes que podem ajudar na transição de pessoas em situações parecidas com a dela, como dicas de beleza e autoestima, mas não apenas para mulher trans: “É um canal pra todas as mulheres, mas com foco em ajudar principalmente aquela menina que está começando, que ainda tem mancha de barba, que ainda não tem seios, que não tem as roupas que quer e tudo mais”.

Muita gente pode ser ajudada através de seu canal e ela confirma que o objetivo sempre foi esse: Muitas mulheres que sofrem com problemas hormonais me procuraram pra dizer que foi muito legal eu ter falado sobre pelos em mulheres (em um vídeo meu). E eu fiquei tão feliz porque é isso, todas as mulheres sofrem com quase os problemas, difere uma coisinha ali e uma outra aqui e o meu intuito é justamente esse, o de ajudar todos os tipos de mulheres, porém sem fazer militância ou questões de gênero, mas ajudá-las com questões práticas do dia a dia”.

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Apesar de não viver mais na mesma cidade que seu padrasto e avó, ela mantém uma relação muito próxima com eles, de amor, afeto e aceitação e sempre que pode, viaja para visitá-los. Muitas famílias já passaram ou estão passando por uma situação parecida, para umas é mais fácil, para outras nem tanto, mas a lição que Karen nos deixa é, que tudo na vida é uma questão de se abrir para o novo, de não julgar e de amar as pessoas exatamente como elas são, sem tentar moldá-las.

Quando perguntamos se ela gostaria de dizer alguma coisa aos pais e familiares que possuem filhos que estão passando pelo processo de transição de gênero ela diz para que eles pelo menos tentem:Que eles pelo menos tentem. Só de ver os pais tentando, já é uma certeza de que uma luz virá. Não percam seus filhos por orgulho”. Com 73 anos, Seu Reinaldo mostra que aceitação não tem nada a ver com idade, geração ou qualquer outra coisa, mas com amor, puro e simples, amor.

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Aqui embaixo você pode ver o texto na íntegra de Karen, que tem emocionado tanta gente, inclusive a nós:

“Tá vendo esse senhor atrás de mim? É o tio Reinaldo, meu padrasto. Não tem um laço de sangue comigo, mas cuidou de mim durante 10 anos de minha vida. É um senhor fechado, bruto, o famoso velho ranzinza. Mas pergunta se ele AO MENOS gaguejou pra me chamar no feminino ou de Karen? NENHUMA VEZ. É um senhor de 73 anos, que não conhece nada de militância, de gênero e pitititi popopô, mas foi só minha irmã dizer que eu na verdade sou uma mulher pra ele dizer: “Ah mas eu já sabia, se não fosse gay, seria isso mesmo”, e foi o bastante pra ele me respeitar. E durante minha estadia aqui em Colatina,não teve uma vez em que ele fosse em algum lugar, que não me chamasse pra ir junto, sem nenhum constrangimento, ou vergonha de estar andando comigo, vergonha essa que meu próprio pai, que divide meu sangue, deixa claro que tem. Então gente, acreditem quando dizem que PAI É AQUELE QUE CRIA!💕

Agora estão vendo essa véia do meu lado? É minha vovó. Uma mulher de riso solto, e costumes antigos, mas ontem quando cheguei, na casa dela (com receio da reação, já que a última vez que nos vimos eu não tinha transicionado ainda), ela me deu um abraço e disse: “Cê tá BOA minha filhA, agora é boa que se fala né? Ô Tereza, olha quem tá aqui, a Maria”. Na hora eu não soube reagir, mas agora escrevendo meus olhos tão pingando. As vezes tomamos umas porradas da vida mas é apenas pra nos mostrar quem nos ama de verdade e quem nos ama com poréns. Por isso não acredito nesse papo de “É COISA DA IDADE”, se uma pessoa te ama, ela te ama independente de qualquer coisa. Queria que muitos pais e avós aprendessem com meu padrasto e minha vó. Inclusive o meu pai. Mas tudo em seu tempo né.”

Karen, a sua história com seu padrasto é uma verdadeira inspiração para as famílias do Brasil inteiro. Se você quiser conhecer o canal de Karen no Youtube é só clicar aqui.

Fotos: reprodução Facebook / Karen Maria Reis

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