Pastora muda forma de pensar e luta por direitos iguais para sua filha trans

Kimberly Shappley teve que "desaprender" tudo que lhe ensinaram a acreditar.


filha trans
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(Texto de Renata Romão) 

Nem sempre os transgêneros recebem o apoio familiar necessário para o desenvolvimento de sua identidade. Felizmente, a pequena Kai, de cinco anos, pode se considerar uma garota sortuda.

Sua mãe, a pastora cristã Kimberly Shappley, teve uma atitude que todas as mães em situações semelhantes deveriam tomar como exemplo.

Ela descobriu e aceitou que a linda Kai é uma garota transexual.

O que levou esse caso a repercutir na imprensa foi a luta de Kimberly para que sua filha pudesse usar o banheiro feminino na escola onde estuda, no Texas, sul dos EUA.

“Eu fui ao campus e falei com a direção, tentei trabalhar com eles. Queria garantir que Kai não seria discriminada, mas logo ficou muito evidente que o superintendente tem preconceito muito forte contra a comunidade LGBTQI”, disse Kimberly.

O superintendente da escola, John Kelly, não concordou com a ideia. Devido ao seu próprio conservadorismo, alegou que os direitos transgêneros são uma fuga da “base bíblica na qual as leis do país foram fundadas”.

O ex-presidente Barack Obama declarou em 2016 que todas as escolas públicas dos Estados Unidos deveriam permitir que seus alunos transgêneros usassem os banheiros de acordo com a identidade sexual de cada um. Mesmo assim, a escola se nega a conceder o acesso da garota ao banheiro feminino.

A própria Kimberly disse que pensava igual John e inclusive forçou Kai a ser um garoto. “Eu sabia que ela era diferente antes de ter dois anos. Era muito feminina, dramática. Não adiantava tentar puni-la ou discipliná-la, continuava do mesmo jeito que era”, declarou a mãe.

Ela

Mas a visão de Kimberly mudou quando viu sua filha rezando para que Jesus levasse Joseph (nome de registro da Kai) embora, pois desejava morrer. Infelizmente, o número de suicídios de pessoas trans que não recebem o apoio familiar é muito grande.

Depois desse episódio, a pastora se informou sobre a transgeneridade e abriu seu coração para o amor. Kimberly entendeu que não existia pecado em apenas deixar sua filha ser quem ela é.

Kimberly disse ao HuffingtonPost que sua filha sabe quem ela é e não tem nenhum problema de se assegurar que todo mundo saiba quem ela é.

Diz ainda que começou a estudar as escrituras com olhos diferentes. Sempre uma leitora ávida da Bíblia, ela já havia sentido antes como se as palavras a condenassem. Ela começou a se concentrar no Novo Testamento, nos ensinamentos de Jesus e sua interação com os fariseus. Ela percebeu que quando os fariseus usavam as escrituras para justificar o ataque ou julgar as pessoas, Jesus pedia que olhassem as palavras através de uma lente diferente. Ela finalmente encontrou seu caminho para um novo tipo de cristianismo, um que se centrou em torno do amor e a ideia de que sua filha foi maravilhosamente feita.

“Ter uma filha trans, e amá-la, me fez uma cristã muito melhor. Eu julgo menos as pessoas, e eu me tornei mais empática. Como cristã, eu não sei como nos separamos da compaixão. Onde perdemos isso?”

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Com informações de NLucon / HuffingtonPost / Fotos: PridePortrait.Org / Texas Observer


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