“Sou feminista e comprei um fogãozinho para minha filha”

Porque quero que ela brinque com suas panelinhas, com suas filhas de brinquedo, suas maquiagens coloridas, SE FOR O QUE ELA GOSTA.


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Uma vez ouvi a filósofa, mestre e doutora Viviane Mosé dizer que pessoas inteligentes não são aquelas que ninguém consegue acompanhar a conversa, de tão complexa e rebuscada é sua fala, pessoas realmente inteligentes são as que conseguem falar de assuntos complexos da uma forma tão simples que chega a parecer óbvia.

Essa foi a sensação que tive ao ler o texto feito pela Rogéria Rizette Linares, empresária na área de RH em Goiânia, ao explicar da forma mais didática possível o que é o feminismo.

Feminista “24/7 e com muito orgulho”, ela resolveu escrever em seu Facebook depois que comprou um fogãozinho para sua filha de 3 anos no Natal, pois esse foi o pedido da pequena. E ao comentar com uma amiga sobre o presente, ouviu um “Você deu um fogão e panelas pra sua filha? Deve ter doído no seu feminismo.” E começou a contextualizar sobre a noção errada sobre o que é feminismo que as pessoas tem. Leia o relato na íntegra:

“No Natal, minha filha de 3 anos pediu que eu comprasse para ela um fogãozinho com panelinhas pra ela brincar. Pesquisei, me irritei com as opções só rosa e preços absurdos, e ontem comprei o que achei melhor. Ela amou e brincou por horas seguidas com ele.

Uma história comum, que não passaria disso se, ao comentar com uma amiga, não tivesse ouvido o seguinte: “Vc deu um fogão e panelas pra sua filha? Deve ter doído no seu feminismo.”

Sim, sou feminista. 24/7, e com bastante orgulho.

Esse comentário da minha amiga engloba toda uma noção errada que parte da sociedade possui sobre o Feminismo. Parecem pensar que nós, feministas, somos contra uma mulher querer se cuidar, se casar, ter filhos, cuidar de casa, abrir mão de carreira ou coisas assim.

Então vai aqui a notícia chocante: não somos contra nada isso. O que não queremos é que essas sejam as únicas opções das mulheres ou que elas sejam criticadas e punidas se não quiserem nada disso. Apenas isso.

Então sim, sou feminista e dei um fogãozinho rosa pra minha filha. Porque quero que ela brinque com suas panelinhas, com suas filhas de brinquedo, suas maquiagens coloridas, que se imagine sendo uma princesa coberta de vestidos esvoaçantes e cheios de brilhos.

SE FOR O QUE ELA GOSTA E DESEJA.

Quero também que ela chame o pai dela pra brincar de cozinhar com ela, como fez ontem, pq sabe que homem também cozinha, também cuida da casa, porque ela vê o pai fazendo isso em nossa casa.

Quero que o chame pra brincar de mamãe e bebê, como também fez ontem, porque está acostumada a ser cuidada por seu pai e isso é natural para ela.

Que tenha um boneco e um edredon do Homem-Aranha, porque ela quis e ela pode, porque aqui não tem isso de brinquedo de menino e brinquedo de menina.

Que faça seu brinquedo do Homem-Aranha andar pelo chão carregando uma bolsa rosa enorme cheia de acessórios porque ele vai viajar com a filhinha, como já a vi fazendo inúmeras vezes.

Que também tenha quebra-cabeças, livros, bolas, filmes, jogos de montar, tablet, bicicleta, carrinho e uma gama enorme de brinquedos que não a restringem apenas a fogões e bonecas, com os quais ela pode exercitar toda a sua imaginação e ser feliz.

Quero que ela peça por um fogãozinho em um dia e um foguete espacial no outro.

Que um dia fale que vai casar e ter filhos e no outro que vai ser Veterinária e cuidar de todos os gatinhos da rua – sim, é o que ela diz, e talvez seja tudo isso, ou nada disso, tanto faz.

Enfim, que ela tenha escolhas. É disso que se trata o Feminismo. Do direito de mulheres escolherem o que querem, sem restrições e julgamentos.

É no que acredito e é como crio minhas filhas. Bastante simples, né? ;)”

Antes de fazer essa matéria, resolvi adicionar a Rogéria no Facebook, para conversar um pouco sobre toda a repercussão do seu post (que até o momento já tem mais de 70mil likes e quase 30 mil compartilhamentos), ela me disse que ficou bem espantada, porque o post “não trás nada demais”, respondi a ela que em alguns momentos o óbvio precisa ser dito.

Ela me disse também que está feliz de poder conversar com mais mulheres sobre feminismo, e que por ter algumas pessoas radicais que “gritam” mais que os outros, acaba-se generalizando e tendo uma ideia torta sobre a causa, “o mesmo acontece com o Islamismo, que é imaginado pela maioria das pessoas como uma religião violenta por causa dos terroristas, que são uma ínfima minoria dos fiéis mas que, infelizmente, contaminam toda a ideologia, que tem uma mensagem de amor belíssima, inclusive.”

 Enfim, obrigado Rogéria por esclarecer de forma tão simples o que é feminismo, que venham mais textos como esse.
(Fotos: Reprodução Facebook)

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