Mulheres explicam o câncer de ovário e lutam pela prevenção precoce da doença


câncer de ovário

Sabia que o câncer de ovário atinge 250 mil mulheres no mundo anualmente? No Brasil, a previsão é de que mais 6 mil casos surjam em 2017.

Estamos falando de um vilão silencioso e pouco conhecido, mas que pode ser evitado, especialmente se a prevenção for precoce, com chances de redução de risco do câncer de ovário devido ao teste genético das mutações BRCA 1 e 2. Só depende de você.

Muita gente tem pavor e nem quer nem ouvir falar na palavra câncer. Mas, embora esteja associada ao medo, deveria antes de mais nada estar associada ao cuidado da saúde e prevenção. Que tal se a gente começar a desmistificar as coisas e focar mais nos fatos? Mulherada, nós precisamos conversar sério! Dia 8 de maio é o Dia Mundial do Câncer de Ovário, data que fortalece ainda mais a circulação de informações sobre a doença, mas vale a gente antecipar algumas informações por aqui.

De maneira geral, o câncer em qualquer parte do corpo acontece devido à uma mutação celular repentina em qualquer parte do corpo, que pode ou não ser hereditária. Seriam erros na maneira de coordenar a produção de proteínas, relacionadas às funções vitais do organismo de qualquer pessoa. Há vários tipos da doença e cada uma delas, tem particularidades que devem ser analisadas de forma cautelosa.

Mutações nos genes BRCA 1 e 2 estão relacionadas ao desenvolvimento de câncer de ovário, aumentando o risco em desenvolver a doença em até 54%. Essas mutações podem ser hereditárias (herdadas dos pais) ou adquiridas ao longo da vida, chamadas de mutações somáticas. Os genes BRCA estão envolvidos no reparo do DNA e uma vez mutados perdem essa capacidade podendo levar ao surgimento do tumor, maligno ou benigno. Ambos são tratáveis, com diferença de que no primeiro pode ocorrer metástase, ou seja, as células cancerígenas podem se espalhar para outros órgãos do corpo.

O problema maior é que o câncer de ovário é de difícil identificação. Segundo a Dra. Solange Sanches, médica oncológica titular do Hospital AC Camargo, este é um câncer “sussurrante” e não exatamente silencioso. “Algumas vezes os sintomas parecem até digestivos e não só na região pélvica. Inchaço abdominal, saciedade precoce e emergência para urinar estão entre os principais sintomas frequentes e muitas vezes passam despercebidos pelas mulheres, que já têm isso pelo menos uma vez ao mês devido alterações hormonais. Por não ter um exame específico de detecção e análise do ovário, há dificuldade em encontrar o tumor”, disse em entrevista ao Razões para Acreditar. Descoberto geralmente em estágio já avançado, este é o câncer com menor índice de sobrevida na mulher.

Vivência desafiadora

A idade mais crítica é a partir da menopausa, por volta dos 40 anos, embora existam casos de todas as idades. A youtuber e tradutora Amanda Benites foi diagnosticada aos 21 anos, após uma série de confusões, erros médicos e procedimentos. Por ser tão jovem, ela jamais pensou que câncer poderia ser seu problema.

A história começou em 2013 quando ela foi fazer exames ginecológicos de rotina. No ultrassom foi detectada uma massa de 11,62 cm perto do ovário esquerdo, que posteriormente foi removido, por precaução. Depois disso, ela saiu de Maringá e veio para São Paulo em busca de uma segunda opinião. O diagnóstico constatou um câncer e na segunda cirurgia foi então descoberto a que ponto estava a doença, que se espalhou no útero, na bexiga e no ovário direito.

“Por ser alérgica a um composto químico, eu era a primeira a chegar e a última a sair da quimioterapia. Ficava 12 horas no hospital, desenvolvi síndrome do pânico e tive muitos efeitos colaterais, alguns deles novos até para a equipe médica. Foi fisicamente desafiador, e mais ainda emocionalmente. Faz muito pouco tempo que descobri que não vou morrer. O senso comum do brasileiro nos traz essa sensação e não exatamente o tratamento”, explicou, com um bom humor que só uma mulher muito forte é capaz de desenvolver após tantos meses de angústia e dor.

De fato, quem passa por todo esse processo renasce. Amanda diz que hoje é uma pessoa bem diferente daquela de quatro anos atrás. Até mesmo o fato de ter menopausa precocemente, devido a retirada dos ovários, já virou piada para ela. “Agora me acho muito engraçada, também sou extremamente paciente, tanto comigo mesma quanto com as outras pessoas. Tenho uma força emocional e de enfrentamento muito grande. Antes eu era uma pessoa muito tímida, muito passiva…esperava as coisas acontecerem. E hoje corro atrás de tudo o que quero. Eu insisto em tudo o que eu quero. Sempre sonhei em fazer mestrado na USP e agora estou fazendo.”

“Quero honrar as coisas que a vida me trouxe de volta.”

O caminho para a prevenção

Depois de tanto sofrimento e angústia, ela enfim está em remissão e indica que todas as mulheres façam o teste da mutação BRCA 1 e 2.

Amanda acabou fazendo o teste após a quimioterapia só para se certificar de que não teria mais risco de algum problema do tipo. Foram analisados 17 pares de genes e todos deram negativo para a mutação BRCA 1 e 2, mesmo com dois casos de câncer na família.

Segundo a youtuber – que mantém um canal cheio de informações sobre a doença -, ainda há pouco conhecimento sobre essa análise e a discussão no Brasil ainda caminha muito lentamente em comparação com o Estados Unidos.  “Luto muito para as pacientes fazerem o teste. Fora do país, se há mutação, eles já previnem. Aqui ainda há a discussão ética. Por mais que eu saiba de todos os efeitos, sou a favor. Nada disso se compara a um câncer. 30% é chance…70% então, nem se fala. Tem gente que sabe, pode pagar e ainda é resistente”, alertou a jovem.

O  teste de pesquisa das mutações nos genes BRCA 1 e 2 ganhou fama mundo afora após a atriz Angelina Jolie revelar que optou pela retirada precoce dos ovários e das mamas, devido seu histórico familiar e chances de desenvolver câncer.

Angelina Jolie câncer de ovário
(Foto: REUTERS/Paul Hackett)

Vale ressaltar que ter a mutação nos genes BRCA 1 e 2 não representa um diagnóstico da doença, e sim uma indicação de risco após análise de casos dentro da família, visando o planejamento preventivo de vida da mulher, seus hábitos, estilo de vida e etc, até que se tome uma decisão sobre os fatores de risco. “É muito importante que haja um aconselhamento genético. Isso garante uma vigilância por parte dos médicos em relação aos membros da família, no caso, mãe e filha, por exemplo. Estar bem orientado evita atitudes equivocadas”, indicou a Dra. Solange.

O teste é feito através da coleta de saliva ou sangue por um geneticista ou oncogeneticista após a ciência do histórico familiar ou do diagnóstico da doença. Em seguida, o resultado chega até o profissional e a paciente passa por uma segunda consulta. Em caso de resultado positivo, é recomendado comunicar a família para que verifiquem se há mutação dos genes BRCA 1 e 2. “A incidência de resultados positivos para mutação hereditária é de 15% das mulheres, por isso é tão fundamental realizar o teste, para buscar medidas preventivas”, ressaltou o Dr. Rodrigo Guindalini, médico oncologista da CLION e coordenador do Centro de Genética e Prevenção do Câncer do Grupo CAM.

O profissional explicou ainda que o custo do teste genético caiu muito nos últimos anos, baixando de R$ 7 mil para cerca de R$ 1.500, valor que pode ser parcelado nas clínicas especializadas, facilitando seu acesso. “Além disso, há a cobertura obrigatória dos convênios de saúde, por lei, para quem já tem o câncer de ovário. Entre alguns critérios particulares, o mesmo vale para as mulheres abaixo dos 35 anos de idade com câncer de mama”.

É preciso amar o seu corpo e cuidar dele, sem ignorar possíveis sintomas que podem virar coisa séria. Faça exames regularmente, esclareça sempre suas dúvidas, tome a vacina do HPV e, se achar necessário, inclua o teste genético BRCA em sua lista de afazeres para 2017. Ter acesso à informação sobre o câncer de ovário pode reduzir riscos e salvar vidas. Espalhe essa ideia!

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