Faxineira brasileira fará palestra para doutores em universidade de Nova York

A faxineira Alline Parreira vai narrar sua história de vida em primeira pessoa para um colegiado de doutores na Universidade da Cidade de Nova York.


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A faxineira Alline Parreira vai narrar sua história de vida para um colegiado de doutores na Universidade da Cidade de Nova York (CUNY), nesta sexta-feira (15).

Ela nasceu o município de Manga, sertão de Minas Gerais, na divisa com a Bahia. Segundo informações do site Brazilian Times, Alline foi adotada ilegalmente por uma mulher intersexual quando estava na barriga de sua mãe biológica.

Depois, a mulher doou Alline, com três anos de idade, para uma mulher extremamente pobre. Mais tarde, ela ainda seria adotada pela mãe dessa mulher. Três adoções em um curto período de tempo bagunçam a saúde psicológica de uma criança, você deve imaginar.

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Cartaz da palestra da faxineira Alline Parreira

Porém, esse era só o começo de uma batalha maior: contra o racismo e sua aceitação identitária como mulher negra, sem referência alguma na sua família adotiva branca.

Alline passou por todo tipo de provação, na comunidade, em casa e na escola, onde era excluída e privada do direito básico à educação – a ativista social foi alfabetizada pela mãe, analfabeta, com quem aprendeu a ler e escrever juntas.

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Alline narraá sua trajetória em uma palestra para doutores na Universidade da Cidade de Nova York

Graças ao auxílio de programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, implementado nos governos de Lula e Dilma Rousseff, ela começou a dar a volta por cima. Durante uma viagem à África, com uma bolsa oferecida pelo governo da ex-presidente, Alline tornou-se a mulher negra que ela é hoje.

“Mudou meu rumo, e ampliou os meus horizontes, com conhecimento prático, de uma mulher negra viajando sozinha”, lembra a faxineira que mora em Nova York há dois anos.

Desde então, Alline, que já era uma leitora assídua de autores e militantes da luta contra o racismo estrutural, como Angela Davis (“Mulheres, Raça e Classe”) e Frantz Fanon (“Pele Negra, Máscaras Brancas”), começou a aplicar os conceitos que aprendia à sua própria realidade.

“Quando relato minha trajetória, as pessoas se surpreendem. Vivi muitas opressões tanto da minha família adotiva, quanto na escola. Ninguém nunca esperou nada de mim.

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“Para nós, mulheres negras, não foi permitido narrar nossas histórias em primeira pessoa. Eu quebro esse paradigma, eu que conto minha história, para mim é muito importante”, afirma Alline.

A convite do Coletivo BradoNY, a mineira narrará sua trajetória em uma palestra documental, na CUNY University, com mediação do doutor Eduardo Vianna. A palestra vai mesclar poesia, oralidade e projeções de sua história, de quando morava no município de Manga até a vida em Nova York.

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crédito das fotos: divulgação


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