Com a agrofloresta, jovem leva fartura a comunidades de Uganda

Charles Batte ensina produtores locais a prevenir a erosão do solo e melhorar a produtividade através de um sistema milenar.


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A mudança que queremos ver no mundo começa em casa. Literalmente, esse é o caso de Charles Batte, com a agrofloresta.  Dez anos atrás, quando tinha 19 anos, ele começou a incentivar as pessoas a plantar árvores em uma comunidade rural onde sua família mantinha um pedacinho de terra.

Ele nasceu em Kampala, capital de Uganda, e ia sempre à vila de Katiiti, localizada 37 km a oeste de sua cidade natal, para ajudar no plantio de alimentos e na subsistência de sua família numerosa: os pais e mais 13 irmãos, segundo informações do Believe Earth.

Com o tempo, Charles percebeu que a terra rareava na colheita: a produtividade do solo diminui bastante, já não era a mesma como antes. “Aquilo me despertou para estudar mais sobre as ciências da terra e entender como as paisagens naturais se sustentam, como os seres humanos interagem e interferem na natureza”, relembra Charles.

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Charles Batte ensina produtores locais a prevenir a erosão do solo e melhorar a produtividade através de um sistema milenar

Enquanto buscava respostas, ele descobriu a agrofloresta, um sistema ancestral que une o cultivo de alimentos e a conservação das árvores em um mesmo pedaço de terra. Charles, então, levou o conhecimento aos líderes de sua comunidade, que receberam bem a ideia.

“Minha ideia era inspirar os agricultores a prevenir a erosão e melhorar a produtividade”, afirma. E completa: “E o objetivo era fazer com que a experiência fosse colaborativa.”

O grupo de menos de dez agricultores adotou a agrofloresta e a iniciativa, mais tarde, se estabeleceu formalmente como a ONG Tree Adoption Uganda (Adoção de Árvores de Uganda). Dez anos depois, a organização calcula que mais de 70 mil árvores foram plantadas em centenas de vilarejos do país africano.

A ONG conta com ajuda de colaboradores, estudantes locais e voluntários de países como Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Venezuela e Colômbia.

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Famílias inteiras foram beneficiadas

“Fazemos contato com pequenos agricultores em várias comunidades, ouvimos sugestões de como querem melhorar sua produção e sua vida, damos treinamento, falamos das vantagens de plantar árvores e associá-las ao cultivo, conta Charles.

Entre as espécies plantadas, muitas são árvores nativas, como o nem ou nim (Azadirachta indica) que fornece madeira para as famílias, folhas, frutos, sementes e casca, adotados na produção de adubo e até repelente natural contra insetos – inclusive, contra a malária, uma das principais causas de morte em Uganda.

“Estes são pequenos incentivos que fazem como que os produtores sejam atraídos para ter árvores em suas propriedades.”

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Charles na conferência do Global Landscape Forum, que aconteceu em Bonn, Alemanha, em dezembro de 2017

O fundador da ONG recebeu uma série de prêmios internacionais pelo seu trabalho. Em 2012, Charles ganhou o World Merit Global Ambassador for Social Entrepreneurship. No ano seguinte, foi nomeado como Global Laureate Fellow pelo International Youth Foundation, entidade que apoia programas de empreendedorismo social. A última premiação foi o Energy Globe World Awards 2017.

Fotos: Reprodução/Tree Adoption Uganda


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