O pai que criou um aplicativo para se comunicar com a filha com paralisia cerebral


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Há alguns anos, a realidade de Carlos Pereira era a seguinte: uma filha linda com paralisia cerebral por conta de um erro médico no parto; a impossibilidade de se comunicar com ela pois o único aplicativo desenvolvido para o caso só existia em inglês e os desenvolvedores não tinham interesse de entrar no mercado brasileiro; e pendurado na parede, o diploma dele de Analista de Sistemas. Diante das circunstâncias desfavoráveis, Carlos meteu a mão na massa de códigos e resolveu desenvolver por conta própria um novo aplicativo. Assim nasceu o Livox, hoje o mais competente e competitivo aplicativo do mercado mundial para possibilitar a comunicação de pessoas com doenças que interferem na fala.

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Carlos começou sua aventura com a criação de um app bem simples, que instalou e testou em seu próprio celular, que ajudava a filha a responder apenas “Sim” e “Não” às suas perguntas. Aos pouquinhos, diante da melhoria na comunicação, a ferramenta foi aprimorada com a ajuda de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos. Hoje, o Livox é considerado o app de ponta na arte de conectar pessoas com dificuldade de fala e já está disponível em mais de 25 idiomas, além do português.

“Ainda lembro um dia que a Clara pediu para almoçar ‘Espaguete a Bolonhesa’”, lembra Carlos. “Você não acredita a cara de felicidade dela ao ver um prato de espaguete chegar para o almoço. Nunca vi a Clara comer tanto e com tanto gosto!”. O prazer de poder entender e servir o que a filha quer comer já é muito para Carlos e sua esposa Aline, mas imagine o impacto que o Livox pode ter quando chegar às 15 milhões de famílias brasileiras integradas por pessoas que não falam devido a problemas cognitivos ou motores. Tais dificuldades podem ser fruto de doenças como Autismo, Paralisia Cerebral e Esclerose Múltipla, e de  sequelas causadas por AVC e Traumatismo Crânio-Encefálico. Sim, o Livox pode e deve ir muito além.

A relativa repercussão no Brasil já rendeu o prêmio de melhor aplicativo de inclusão e empoderamento para pessoa com deficiência na etapa brasileira do WSA (World Summit Award), premiação apoiada pela ONU. No fim de outubro, acontece no Sri Lanka a premiação mundial do WSA, onde Carlos e equipe terão a chance de representar o país frente a 168 nações. Atualmente, ele está em busca de recursos não apenas para a viagem mas principalmente para que o governo brasileiro o ajude a levar o Livox até as famílias necessitadas. “Sem a participação do governo é impraticável conseguir levar a tecnologia a tantas pessoas, até devido às condições financeiras da maior parte da população”, enfatiza o criador do app. Nas mãos do Carlos, o pai da Clara, o mote punk do Do-It-Yourself ganhou sobrenome: Faça você mesmo e mude o mundo todo ao seu redor.

Dica da Edineide Oliveira | Fonte: Blog do Tás



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