Palmeirense cumpre aposta de doar sangue após time perder: “boa ação ameniza a tristeza”

"Se a gente não se unir e ficar só nesse mundinho, nesta raiva, a gente não vai conseguir sair do lugar"


torcedor palmeirense
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O Brasil é conhecido por ser o país do futebol. É em uma final de campeonato que a gente percebe que, por aqui, futebol é coisa séria, rendendo até algumas boas apostas, como a do palmeirense Leandro Nascimento Lima com seu amigo dos tempos de faculdade, Paulo Bermejo. Achamos a história de Leandro tão representativa e interessante que fomos conversar com ele.

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Leandro tem 26 anos e é mineiro, de Uberlândia e Paulo, de São Paulo. Durante os anos de faculdade, na UFV (Universidade Federal de Visçosa), eles fizeram uma grande amizade e chegaram a morar na mesma república estudantil, foi nesta época em que as apostas “futebolísticas” começaram.

Hoje em dia, depois de formados, eles já não vivem na mesma cidade, mas não somente mantém a amizade, como as apostas. Aproveitando que Leandro é palmeirense roxo e, Paulo, corinthiano, a brincadeira consistia em, quem perder precisar comprar um engradado de cerveja para quem ganhou. Mas cumprir com esta aposta, agora que eles vivem longe seria difícil, então Leandro teve uma ideia: “Liguei pra ele e dei a ideia da aposta, mas agora quem perdesse teria que doar sangue com uma plaquinha exaltando o rival, tirar foto e postar nas redes sociais. Ele topou na hora”.

Sobre o resultado da partida, que está sendo questionado pela diretoria do Palmeiras com alegação de ter ocorrido interferência externa na decisão do árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza de anular o pênalti de Ralf em Dudu no segundo tempo, quando o Corinthians vencia por 1 a 0: “Lógico que fiquei triste que o palmeiras perdeu, mas como bom pagador, fui cumprir minha promessa logo na segunda-feira de manhã. Como bom brasileiro acabei fazendo uma brincadeira e disse, na plaquinha, que o Corinthians era o melhor time, porém com uma interferência externa”.

Leandro nos disse que apesar de ter ficado chateado em ver seu time perder, saber que estaria fazendo o bem superou este sentimento: “Fiquei chateado que meu time perdeu, mas a gente leva na esportiva. Claro que eu queria ter visto o Palmeiras ganhar, mas o fato de fazer uma boa ação ameniza a tristeza da derrota. Quando saí do Hemocentro estava animado e feliz, assim como fiquei feliz quando vi que a página do Palmeiras no Facebook compartilhou a minha ação”.

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Sabemos que tratando-se de futebol, de vez em quando os ânimos tendem a ficar meio exaltados e, infelizmente, ainda existem muitas rixas e brigas entre torcedores adversários, fator que resultou na prática das torcidas únicas, pelo menos no Estado de São Paulo, desde abril de 2016, com o objetivo de diminuir os confrontos.

Em relação a isso, o palmeirense Leandro diz que algumas pessoas o criticaram, dizendo que um torcedor de verdade jamais faria o que ele fez, mas ele é enfático: “Essa é uma ideia errada, pois o próprio futebol prega pelo companheirismo e na preocupação com o próximo. Quer dizer que se um corinthiano passar mal e precisar da minha ajuda eu não posso ajudá-lo? Isso está errado e não somente no futebol, mas na política também. As pessoas estão muito fechadas às outras opiniões e não estão se abrindo para novas visões. Para mim, no futebol, a gente só é rival em campo, fora isso a gente deve pregar o amor ao próximo, estar disposto a ajudar”.

Para o palmeirense, se quisermos construir um mundo melhor temos de começar pelas nossas atitudes: “Se a gente quer um mundo melhor, temos de começar pelas nossas atitudes. Muita gente quer um mundo melhor, mas não move uma só palha, só ficam esperando que os outros façam por elas”.

Algumas pessoas disseram que ele só estava querendo aparecer na mídia e quando lhe perguntamos como ele se sentiu quando viu alguns comentários do gênero, Leandro nos disse que, ao contrário do que muitos disseram, ele é doador de sangue desde 2014: “Teve gente que disse que eu só fiz isso por likes e que eu queria mesmo era aparecer na mídia, mas não é nada disso. Eu sou doador desde 2014, essa informação está lá no Hemocentro. Uma das minhas intenções ao propor esta aposta com meu amigo, inclusive, foi a de incentivá-lo a ser um doador também. Ele é uma pessoa ótima e costuma fazer muitas boas ações, mas ainda não é doador, então eu quis atrair mais uma pessoa para esta ação, que eu sei que costuma salvar muitas vidas”.

Perguntamos também sobre como o palmeirense enxerga as brigas e rixas entre torcedores rivais e ele resumiu tudo em uma palavra: intolerância. “Isso se resume em intolerância e fanatismo exagerado. Tem gente que anda extrapolando o limite e isso também vale para a política. Pessoas espancando os outros e depredando patrimônios, dessa maneira a gente não sai do lugar, só iremos regredir”.

O mundo é um lugar diverso, cheio de pessoas diferentes, com diferentes culturas e gostos e, se quisermos viver em harmonia, precisamos respeitar essas diferenças, abraçar o novo e pregar o amor, o respeito e a tolerância. Em tempos de polarização e de opiniões conflitantes, que o futebol seja mais um motivo para nos unirmos e, não o contrário. Leandro é um ótimo exemplo de bom torcedor, que ama o seu time e o ser humano: “Se a gente não se unir e ficar só nesse mundinho, nesta raiva, a gente não vai conseguir sair do lugar”.

Veja abaixo a publicação de Leandro, compartilhada pela página Boas do Palmeiras, no Facebook:

Foto: Leandro Nascimento Lima – Arquivo pessoal

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