Advogada trans é eleita conselheira da OAB de São Paulo pela 1ª vez em 91 anos

Pela primeira vez em 91 anos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade máxima de representação dos advogados brasileiros, terá uma travesti como conselheira em São Paulo.

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A advogada Márcia Rocha, 56 anos, compôs a chapa recém-eleita para conduzida a maior seccional da ordem, em um mandato que vai até 2024. Na mesma gestão, há outro feito inédito: uma mulher na presidência, a advogada e professora Patricia Vanzolini.

Márcia é membro da Comissão de Diversidade e Combate à Homofobia da entidade há uma década, onde luta por acessibilidade no setor e dá palestras no Brasil sobre o tema.

Agora, a advogada vai concentrar seus esforços em defesa dos direitos de transexuais.

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“Quando recebi o convite para compor a chapa, aceitei de imediato. Achei fantástico, justamente porque era uma chapa que tinha uma mulher na cabeça, lésbicas, gays, pessoas com deficiência, negros. Tinha muita diversidade”, explicou ela ao portal Tab.

Da pressão social à transição

Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Márcia conquistou o diploma em 1989. Naquela época, em que a democracia no Brasil se reestabelecia após mais de duas décadas de Ditadura Militar, ela ainda mantinha a identidade masculina, por pressão social. “Era o fim do regime militar. O mundo era outro”, lembrou.

Quando podia, não perdia tempo em se montar: sempre em casa e com a ciência do pai, que sabia da sua identidade de gênero desde que Márcia era jovem.

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“A primeira vez que tomei hormônio foi aos 13 anos. Mas meu pai me convenceu a parar. Ainda assim, me montava escondida. Ia para baladas, de vez em quando, e parava antes num motel para me vestir”, contou. “O apoio do meu pai foi não me botar para fora de casa. Ele dizia: ‘Não conte a ninguém, isso vai te trazer problemas’. Mas ele nunca disse: ‘Não seja’. Isso era para me proteger. Se não fosse assim, provavelmente eu não teria feito faculdade, sequer estaria viva.”

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Seu primeiro trabalho na área jurídica foi durante estágio na antiga Procuradoria de Assistência Judiciária do Estado. Após se formar, ela passou a atuar como advogada de imobiliárias de São Paulo.

Há exatos dez anos, aos 46, Márcia assumiu sua transexualidade. Até ali, já havia se casado duas vezes e tido uma filha, hoje com 27 anos.

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“Minhas esposas sempre souberam [de sua identidade de gênero]. Quando decidi transicionar de fato, tomar hormônios, me assumir publicamente, eu estava no segundo casamento. Tive apoio da minha esposa, mas quando transicionei, ela teve medo, nos separamos”, relembrou. Atualmente, Márcia é casada com a também advogada Ana Carolina Borges.

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Advocacia em prol das pessoas trans

Antes mesmo de ser eleita para o conselho da OAB-SP, Márcia Rocha já abria portas para travestis e transexuais na entidade.

Há quatro anos, ela se tornou a primeira trans do país a receber a carteira de advogada com o nome social.

Como membro da Comissão de Diversidade e Combate à Homofobia, a advogada passou a dar palestras em faculdade de Direito e aulas em pós-graduações.

Quando não estava na academia, trabalhava diretamente com casos envolvendo direitos humanos. “As maiores conquistas que nós tivemos foram nos últimos 10 anos. E eu acompanhei todas essas discussões e as questões legais.”

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Entre as muitas vitórias que teve, enfrentou diversos obstáculos. “Neste tempo todo, eu tive algumas situações curiosas, mais por ignorância do que por preconceito”, lembrou.

“Quando o processo de uso do meu nome social estava quase para ser finalizado, fui procurada por desembargadores que tinham dúvida de como seria dali pra frente. Cheguei a ouvir de uma pessoa que alguém pode usar o nome social para cometer crimes.”

Para enfrentar o preconceito, ela aconselha, é necessário investir em educação. Por isso, milita na causa.

Ao lado da cartunista Laerte Coutinho e da ativista Maite Schneider, elas fundaram em 2011 o Transempregos, projeto que dá formação profissional e articula parcerias para empregar travestis e transexuais Brasil afora.

Nos últimos anos, a iniciativa atingiu positivamente 1.400 empresas, que recorrem à ONG para contratar pessoas trans. Todos os dias, até 30 vagas de emprego são abertas. No ano passado, em plena pandemia, 707 pessoas foram beneficiadas pela iniciativa.

Fonte: JOTA
Fotos: Fernando Moraes / UOL

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