Todos os alunos da UniFavela são aprovados em universidades públicas

Quando Tiago Carlos do Nascimento passou por reclassificação na UFRJ, em Ciências Biológicas – o curso que ele sempre quis –, a primeira turma da UniFavela, aquela que no ano passado estudava na laje de uma casa na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, completou 100% de aproveitamento. Isso mesmo! T-O-D-O-S os dez alunos foram aprovados em universidades públicas.

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Tiago soube de sua aprovação no dia 5 de agosto, quando saiu o resultado da última chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o segundo semestre deste ano. Mas a novidade só foi postada neste domingo (1) em uma rede social e até a manhã desta terça-feira (3) já alcançou 3,2 mil repostagens e quase dez mil curtidas.

Nos reunimos para fazer um balanço e foi aí que nos demos conta de que dos dez alunos que frequentavam regularmente a laje, todos haviam conseguido vaga na Uerj, na UFRJ ou na UNIRIO”, conta Letícia da Paz Maia, 21 anos, a autora da postagem. Ela é professora voluntária de História na UniFavela e uma das coordenadoras do projeto.

tweet sobre o sucesso da uniFavela

Com o sucesso do projeto, que no primeiro semestre aprovou metade da turma em universidades públicas, mesmo usando um quadro apoiado em tijolos para ensinar e fazendo vaquinhas para tirar xerox de materiais de estudo, a UniFavela conseguiu uma sala de aula de verdade, com toda a estrutura, na própria comunidade. A sala foi cedida pela ONG Vida Real.

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sala de aula da UniFavela
Nova sala de aula da UniFavela, cedida pela ONG Vida Real, já com a segunda turma – Foto: arquivo pessoal

É nesta nova sede, todas as tardes de segunda a sexta-feira, que neste ano ocorrem as aulas de uma segunda turma. E a UniFavela cresceu: conta agora com 21 professores, uma pedagoga e dois ex-alunos do projeto que auxiliam na atual gestão. Todos voluntários e, na maior parte, jovens da própria comunidade que são alunos cotistas de universidades públicas do Rio.

Ainda enfrentam muitos obstáculos, é verdade. “Outro dia não tivemos aula porque um dos professores não tinha o dinheiro da passagem para chegar até a escola”, conta Letícia. É por isso que criaram uma vaquinha na internet (acesse aqui). Querem arrecadar fundos para dar um certo apoio aos professores voluntários e também levar os alunos a eventos extraclasse, como a Bienal do Livro.

Aliás, eles não param! Promovem, aos sábados, simulados, “aulões”, cinedebates e oficinas. Tudo com recursos próprios.

Para Laerte Breno, 24 anos, um dos fundadores da UniFavela, todo esse esforço compensa. Ele vê o resultado do antigo grupo e se emociona. “É gratificante saber que eu posso encontrar quem foi meu aluno na mesma faculdade que estudo ou em eventos acadêmicos. É de emocionar!”, diz o jovem, que cursa Letras na UFRJ e teve a ideia de formar a primeira turma quando uma menina lhe pediu, em uma biblioteca pública na comunidade, ajuda para estudar para o vestibular (relembre aqui).

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Apesar de todo o êxito do grupo, Laerte fica preocupado: “É claro que o esforço desses alunos contou. Mas não podemos, de forma alguma, usar este exemplo para justificar o discurso da meritocracia. Não existe igualdade de condições: perdemos aulas por causa de operações policiais, temos dificuldade de comprar material para estudo. Ninguém sabe nem um terço do esforço que está por trás desta vitória. A meritocracia não existe”.

Conteúdo do Rio de Boas Notícias, site parceiro do Razões.

 

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