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Casal gay comove internautas após conseguir guarda definitiva do seu filho

“Nós que estávamos sendo escolhidos. É inexplicável.”


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“Carta para William”. É com esse título que começa a carta do casal Deberth Araújo e Guilherme Gatto, de Natal/RN, para o mais novo membro da família, o pequeno Will.

A carta fala sobre todo o processo de adoção, a luta do bebê contra 11 internações por pneumonia… E o sentimento do casal de ter sido acolhido por Will. “Nós que estávamos sendo escolhidos. É inexplicável.”

Dizem que quando uma criança nasce, nasce uma mãe também. Quando uma criança é adotada, um pai ou uma mãe é adotado também. Talvez, isso explique o sentimento de Deberth e Guilherme. A sensação de ser acolhido é uma das mais nobres e belas que podemos experimentar.

O casal se conhece há quatro anos, mas mora junto há apenas 3 meses. “Tivemos [que] apressar as coisas e morar juntos pra cuidar do Will”, disse Deberth ao Razões para Acreditar. “Will já está muito melhor dos problemas de saúde e agora é só felicidade.”

O trâmite da adoção de Will foi rápido, já que o casal não impôs nenhuma restrição na ficha de cadastro de adotantes, como a cor, idade, sexo ou quantidade de irmãos da criança.

“Will tinha alguns problemas de saúde que exigiam muito cuidado, já havia sido internado 11 vezes por pneumonia com apenas 1 ano de idade. Além disso, [tinha] algumas alergias e asma. Assim, estávamos no “fim da fila”, mas pulamos bem pra frente e ele veio pra gente.”

A reação à carta nas redes sociais surpreendeu Deberth, pois ela surgiu de uma vontade de contar para os amigos distantes do casal que eles conseguiram a guarda definitiva de Will. “Foi uma grande surpresa tanta mensagem positiva. Tentei acompanhar os comentários, mas não consegui, são centenas a cada hora (um dia vou ler todos).”

“Valeu muito a pena ter compartilhado [a adoção] com essas pessoas, foi uma troca incrível de energia com pessoas que nem conheço. Me restaurou a esperança em dias melhores.”

Confira a carta na íntegra:

CARTA PARA WILLIAM

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Quando soube que você vivia entre orfanato e hospitais, sozinho, sem família, tão pequeno, já com 11 internações por pneumonia e várias alergias, senti um misto de chamado e medo. De um lado, algo me dizia para ser seu “herói” e te salvar; do outro, o medo da maior responsabilidade da minha vida. Mas no primeiro abraço (foto) vi que era eu quem seria resgatado e salvo. Nós que estávamos sendo escolhidos. É inexplicável.
Foram 3 meses de guarda provisória, noites mal dormidas, preocupações, remédios, mas sua melhora e o fim das internações nos deram certeza que o amor cura e hoje estamos comemorando sua guarda definitiva. Você foi nossa melhor escolha. Mas é você quem nos escolhe a cada noite quando só dorme se segurar nossa mão, ou quando nos acorda para cantarmos pra você, ou quando corre para nosso colo quando tem medo. E a gente precisa corresponder protegendo-o, pois um dia a vida vai se abrir selvagem, e vai ver que o mundo não é um lugar bonito como deveria. Há talvez mais pessoas que vão apontar do que estender a mão, mas faremos o possível para você não ver esse lado da vida até que tenha idade pra entendê-la e ver que pessoas, muitas vezes, colocam suas convenções acima de caráter e amor porque são limitadas. Você deve perdoá-las, mas jamais se anular baseado no que uma sociedade cheia de contradições diz que é aceitável. Acima de tudo, sempre se respeite como você é, pois, de fato, a pior violência é a que cometemos contra nós mesmos.
Sabe, Will, você chegou no mesmo ano que perdi meu pai, seu avô, e imagino como ele teria gostado de fazer seus gostos. Agora compreendo aquele amor infindo, que uma vez me disse que eu poderia ser o que quiser, não tivesse medo, e me abraçou quando achei que seria rejeitado. Este depoimento publicado é para que você aprenda que falar a verdade em voz alta nos torna livres, e ser quem somos é o maior ato de coragem. Por um tempo esqueci disso, mas você me resgatou, me salvou de todas as formas possíveis e me ensinou o que é ser pai. Jamais esqueça que Família, de sangue ou por escolha, é quem te ama sem cláusulas. Família não é apenas quem te tolera, é quem te compreende e acolhe; Família é quem estará lá quando o chão faltar. Família não é apenas quem te aceita, é quem abraça e diz “eu te amo”. Jamais permita que a mesquinhez humana que aponta e condena te diga como você deve ser. Nós sempre te amaremos pelo que você é, e se o mundo insistir em te magoar nosso abraço será sempre um lugar seguro onde você jamais se sentirá só novamente. Não podemos escolher o início dessa estória, mas podemos traçá-la daqui pra frente. Construa um mundo em que valha o amor e o caráter, e que as diferenças não separem as pessoas. É o valor que mais quero te passar. Te amo, MEU FILHO!

Foto: Facebook / Deberth Araújo – Reprodução autorizada

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