Ela descobriu na Umbanda o significado de amar o próximo

Mesmo tendo só 18 anos e por ter passado por tantas provas do preconceito religioso, a Hellen se mostra muito lúcida e coerente com o caminho que escolheu.


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Aos 15 anos, a Hellen não via mais sentido em seguir a doutrina cristã das testemunhas de Jeová. Ela não se encaixava nas regras, nos padrões daquela religião então decidiu se afastar e a pesquisar sobre a Umbanda, religião afro-brasileira da qual ela sabia da existência mas foi ensinada a ter medo.

Mas quando ela conheceu de fato e se permitiu vivenciar uma gira num centro umbandista, percebeu que a religião não tinha nada de errado e que ali no terreiro também existia amor. A partir de então, ela se sente acolhida e aceita dentro daquele espaço. O que era uma questão enquanto testemunha de Jeová, por conta da sua sexualidade e por ser uma garota inquieta e questionadora.

Dentro das regras das Testemunhas de Jeová não se pode (assim como em quase todas as religiões cristãs) ter relacionamentos homossexuais, questionar — nem duvidar — de nada que a organização publica, diz ou faz; não se pode participar de debates políticos ou até mesmo votar (voto válido). E isso incomodava a Hellen, por isso ela decidiu não mais seguir esse caminho.

Caminho esse, inclusive, que ela não repudia. Ela conta que aprendeu muito enquanto testemunha de Jeová, como respeitar o próximo, ter fé em Deus e até mesmo a agradecer a cada refeição feita. Mas a imposição de regras “anti-mundanas” a reprimiam.

Hellen sofreu intolerância religiosa, mas se mostra muito lúcida e coerente com o caminho que escolheu

A Hellen exemplifica essa opressão vivida como testemunha de Jeová na metáfora do sapato velho: a sua antiga religião era como um sapato que compramos, adoramos calçá-lo, achamos ele o máximo! Mas aí a gente cresce, continua a achar ele bonito, mas aquele sapato começa a apertar, a machucar… e a gente precisa trocá-lo.

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E ela trocou o sapato. E essa troca também doeu porque, assim como foi ensinada que as outras religiões eram erradas — ainda mais uma religião afro — ela estava “errada”. Assim que assumiu publicamente que era umbandista, com uma foto nas redes sociais da sua primeira gira, ela foi atacada.

Os ataques iam desde falas alegando que ela cultuava demônios, que ela tinha virado “do mal” a pessoas que cresceram e conviveram com ela se afastando, incluindo sua melhor amiga, também testemunha de Jeová, que nunca mais falou com ela.

A maior agressão dessa intolerância religiosa aconteceu quando falaram para sua mãe lavar suas roupas separadas e deixar Hellen dormindo num quarto sozinha pois ela tinha coisas com ela que iriam fazer mal à família.

Por sorte, a mãe da Hellen a apoia e a defende. Ela também teve apoio de outros amigos, muitos do terreiro, que sabem que a garota não está fazendo mal a ninguém, nem a ela.

Mesmo tendo só 18 anos e por ter passado por tantas provas do preconceito religioso, a Hellen se mostra muito lúcida e coerente com o caminho que escolheu. Ela sabe que não é fácil bater no peito e dizer “sou umbandista” com orgulho, mas ela está ciente também que não vai desistir desse caminho porque ela entendeu que Deus é amor, e quando tem amor, Deus está, independente da religião.

Assista ao depoimento da Hellen na sessão 44 do canal ter.a.pia:

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