Enfermeira faz cartinha para consolar mãe que perdeu bebê: ‘Acalento pro coração’

"Ela o aninhou. Uma lágrima rolou no canto dos olhos. De repente me lembrei de Maria e seu filho Jesus morto. A cena era tocante", relembra a enfermeira.


Enfermeira faz cartinha para consolar mãe que perdeu bebê: 'Acalento pro coração' 1
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A enfermeira obstétrica Noelle Moreira publicou um emocionante relato em seu perfil do Instagram relatando a perda de uma mãe durante o parto de seu bebê.

Ela conta ter recebido Ingrid em trabalho de parto numa maca, com indicação expressa da equipe médica por uma cesariana de urgência por conta do descolamento prematuro de placenta da grávida. “Ela estava atônita. Olhos arregalados de medo”, relata.

Rapidamente, as enfermeiras prepararam a mulher para o procedimento cirúrgico, com aplicação de anestesia e cateterismo vesical (introdução de uma sonda bexiga, para remover a urina). Em menos de dois minutos, a barriga de Ingrid estava sendo aberta.

Em meio à correria de todas e a apreensão em identificar o batimento cardíaco do pequeno, veio o choque: o bebê estava morto.

Enfermeira lembrancinha mãe perdeu bebê parto
Imagem: Reprodução/Instagram @spiritysol

As pediatras deram então a notícia ao pai. Ele não aguentou o baque e pediu para sair dali, trocando de lugar com a mãe de Ingrid. A mulher, que estava sedada, ao acordar, já supunha o pior.

“Perguntei se ela gostaria de ver o bebê”, diz Noelle. “Ela assentiu. Coloquei num local reservado, sentada e fui pegá-lo. Ela chorou sentida, mas não quis pegá-lo no colo.”

Alguns minutos depois, o marido retornou e se juntou à esposa. “Pedi às minhas técnicas que não fizessem o preparo do corpinho (limpeza dos restos de placenta etc.) pois eu queria que a Ingrid o visse por inteiro, antes disso.”

Enfermeira lembrancinha mãe perdeu bebê parto
Imagem: Reprodução/Instagram @spiritysol

A enfermeira deixou o casal a sós, para que pudessem processar tudo aquilo juntos. Então, perguntou à mãe se ela gostaria de ver o bebê. “Ela me olhou com um ar misto de tristeza e estranhamento e assentiu”, relata Noelle.

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“Peguei o corpinho do bebê e levei até eles. A emoção tomou conta… Alguns questionamentos a Deus… mas logo teve lugar o silêncio e a contemplação”, complementa.

Enfermeira lembrancinha mãe perdeu bebê parto
Imagem: Reprodução/Instagram @spiritysol

Como Ingrid estava operada, de início, a enfermeira segurou o corpinho do bebê para que ela pudesse olhar sem precisar fazer movimentos bruscos. “Ela o acariciava. Dizia que havia sonhado com aquela boquinha. Pai e mãe riram…”

Noelle perguntou se poderia colocar o pequeno sobre o corpo de Ingrid, para que ela pudesse abraçá-lo e senti-lo. A mãe aceitou.

“Ela o aninhou. Uma lágrima rolou no canto dos olhos. De repente me lembrei de Maria e seu filho Jesus morto. A cena era tocante”, relembra. “Me afastei um pouco, o marido se aproximou. Eles falavam e choravam baixinho.”

Foram trinta dolorosos minutos de despedida. “Disse que quando eles estivessem prontos eu voltaria para pegá-lo e prepará-lo.”

Enquanto isso, Noelle e outras duas enfermeiras – Ilana e Camila – decidiram preparar uma lembrancinha para o bebê, Heitor.

Primeiramente, elas mostraram a mensagem para o pai, que ficou receoso de como a esposa reagiria com ela.

Enfermeira lembrancinha mãe perdeu bebê parto
Foto: Reprodução/Instagram @moreiranoelle

“Depois que peguei o bebê, eu disse pra ela: Preparamos uma lembrança do Heitor pra você. Quer ver?”, disse Noelle. “Ela balançou a cabeça, chorando ao mesmo tempo que ensaiava um sorriso triste. Ao ver, ela sorriu.”

Aquela lembrancinha foi um acalento para o coração machucado da mãe, um bálsamo para uma ferida que levará anos para cicatrizar. “O que considero mais importante foi ter dado tempo para o casal se despedir do filho sem todos aqueles panos ou somente pela janelinha do caixão”.

Enfermeira lembrancinha mãe perdeu bebê parto
A enfermeira obstétrica Noelle Moreira.Foto: Reprodução/Instagram @moreiranoelle

Para a enfermeira, qualquer coisa que possamos fazer para amenizar a dor do próximo, deve ser feita. E mais: é essencial falarmos sobre perdas gestacionais. Esse assunto não pode ser tratado como um tabu!

“Precisamos tratar essas mulheres com cuidado e humanidade”, conclamou Noelle.

“Estou muito em paz hoje. E essa paz foi Ingrid que me deu. Obrigada Jesus, pela oportunidade concedida”, concluiu.

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Recebi Ingrid numa maca, com indicação expressa de uma cesariana de urgência por descolamento prematuro de placenta. Ela estava atônita. Olhos arregalados de medo… Colocamos no leito, mas rapidamente voltamos pra maca, pq deveria ir pra cirurgia com a máxima urgência. Arrumamos a sala o mais rápido que pudemos. Aguardei anestesiar e fiz o cateterismo vesical. E assim que acabei, menos de dois minutos depois a barriga dela estava sendo aberta. Infelizmente a suspeita do não achado do batimento do bebê havia se confirmado: o bebê estava morto. Assim que nasceu, a anestesista resolveu sedá-la, não sei ao certo o porquê. As pediatras deram a notícia ao pai. Ele não aguentou e pediu pra trocar com a mãe da Ingrid. Deixei. Quando a mãe chegou, ela já sabia. Eu perguntei se ela gostaria de ver o bebê. Ela assentiu. Coloquei num local reservado, sentada e fui pegar o bebê. Ela chorou sentida, mas não quis pegar no colo. Pediu pra sair. O marido retornou. Quando ele voltou, Ingrid já estava acordada. Pedi às minhas técnicas que não fizessem o preparo do corpinho pois eu queria que a Ingrid o visse por inteiro, antes disso. Deixei o casal um pouco à vontade. E depois entrei. Perguntei à ela se gostaria de ver o bebê. Ela me olhou com um ar misto de tristeza e estranhamento e assentiu. Peguei o corpinho do bebê e levei até eles. A emoção tomou conta… alguns questionamentos a Deus… mas logo teve lugar o silêncio e a contemplação. Como ela estava operada, no começo, segurei o corpinho para que ela pudesse olhar sem ter que se mexer muito. Ela acariciava. Dizia que havia sonhado com aquela boquinha. Eles riram… Depois eu vi que eles precisavam de um tempo sozinhos com o filho. Perguntei se eu poderia colocá-lo sobre o corpo dela para que ela pudesse abraçar aquele neném. Ela assentiu com um ar de medo, mas falou de maneira firme. Em alguns momentos, acho que ela não estava esperando que eu fosse oferecer. Coloquei. Ela aninhou. Uma lágrima rolou no canto dos olhos. De repente me lembrei de Maria e seu filho Jesus morto… A cena era tocante. Me afastei um pouco, o marido se aproximou. Eles falavam e choravam baixinho. (Continua nos comentários)

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