Após interromper a carreira de jogador de futebol, ele encontrou novas oportunidades na educação

“Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” No Brasil pouquíssimos meninos. Meu nome é Alefher Silva Nascimento e eu vivi durante seis anos a expectativa de tornar esse sonho realidade. Desde os sete anos de idade jogava em campeonatos de várzea e cheguei a disputar diversos torneios nas categorias de base, inclusive pelo São Paulo Futebol Clube. Eu não tinha plano B.

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Minha mãe, dona Amélia Silva, teve sete filhos. Eu era o sexto e aos 12 anos precisei dividir o tempo entre meu sonho de jogar futebol e a minha realidade de ajudar com as despesas de casa. Comecei a trabalhar em um mercado e desde então assumi muitas responsabilidades financeiras com a minha família, mesmo sendo tão jovem. Minha mãe sofria com problemas de saúde, meus irmãos mais velhos iam tomando o rumo de suas vidas e rapidamente assumi um papel importante para manter a casa.

Como muitos garotos que até conseguem ingressarem nas categorias de base do futebol brasileiro, o difícil mesmo era me manter lá. Eu precisava de dinheiro para chegar nos treinamentos, de uma boa alimentação e também gastos com hospedagem em outras cidades, quando o time era locado em outro lugar que não São Paulo. Chegou um momento em que foi necessário deixar a bola de lado pela falta de recursos financeiros.

Sem plano B, passei bastante tempo sem saber o que fazer da vida. Sensação de frustração, sem mais sonhos para o futuro.

Alguns anos depois, lendo um jornal com oportunidades de emprego cheguei até o Instituto Ser +, que estava com vagas abertas para o programa Jovem Aprendiz, em parceria com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). Fiz a minha inscrição e no mesmo dia fui chamado para o processo de seleção que me deu a oportunidade de fazer um curso profissionalizante, com ênfase em tarefas de Administração e também uma vaga de emprego em naquela importante empresa.

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Aos poucos a vida foi ganhando novos rumos. Novos caminhos foram nascendo e foi moldado em mim um perfil profissional preparado para o mercado de trabalho, que antes eu jamais havia pensado.

Hoje eu tenho 21 anos e muitas oportunidades e sonhos para o futuro. Descobri que meu sonho de ser jogador de futebol foi interrompido, mas que meus objetivos podem ser alcançados de outra forma e é isso que tenho feito hoje. Meu principal foco sempre foi oferecer uma condição de vida melhor para a minha mãe e hoje, ainda que não seja pela via futebolística, eu já tenho proporcionado muitas coisas para a minha família.

O Programa de Aprendizagem, que tive acesso via o Ser + e a CIP, é um exemplo de projeto que pode transformar realidades. Meu universo se expandiu e hoje eu acredito que a educação pode formar pessoas grandes, pode moldar sonhos novos.

Minha história, ainda tão jovem, assim como de muitas pessoas, já envolve dificuldades e superações. Ainda que a gente muitas vezes não enxergue uma luz no fim do túnel sempre é possível avançar. E existem sim muitas pessoas dispostas a ajudar.

Eu jogo futebol nas horas vagas, será sempre um prazer. Se eu terei novas oportunidades nesse ramo eu não sei, mas hoje eu tenho um plano de vida, objetivos. Estou cursando o terceiro semestre de Ciências Contábeis e quero muito estudar fora do País.

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“A oportunidade te leva de um estado sem perspectivas a viver a realidade de um sonho”.

Alefher Silva Nascimento é aluno do Instituto Ser +, Universitário e Jovem Aprendiz na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

[Nota da Redação]

É cada vez mais visível a sensação de total falta de sentido. Desenvolvemos nossas habilidades para executar tarefas e ocupar um cargo, mas pouco fazemos em nome da melhor convivência e da vida em sociedade.

Ainda investimos muito em conhecimentos específicos, muitas vezes desconectados da realidade, com o único objetivo de se vencer etapas: passar de ano, passar no vestibular, entrar numa boa faculdade, conseguir um bom emprego… Tudo isso para quê?

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