As mulheres que deram cor aos números da NASA

A palavra do momento é Representatividade, que significa representar os interesses de determinado grupo, classe social ou de um povo. E, como você deve ter ouvido falar recentemente, representatividade importa sim.

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Foi procurando exemplos de mulheres que pudessem emprestar seu nome para a sua filha que a microbiologista Nathalia Holt descobriu cientistas que foram deixadas de fora da história da exploração espacial dos Estados Unidos. Sua busca por representatividade resultou no livro “The Rise of the Rocket Girls: The Women Who Propelled Us, from Missiles to the Moon to Mars“, ainda sem tradução para o português, sobre a história de dezenas de mulheres que impulsionaram a exploração espacial e participaram de uma das missões mais importantes da história, como a ida do homem para a Lua em 1969.

Tudo começou na década de 1940, quando o JPL (sigla de Jet Propulsion Laboratory), laboratório responsável pelo desenvolvimento e manuseamento de sondas espaciais não tripuladas da NASA, gerido pela Caltech, Instituto de Tecnologia da Califórnia, recrutou “computadores humanos”.

Curiosamente, segundo conta o site BrainPickings, esses “computadores humanos” eram mulheres com habilidades avançadas em matemática que passavam oito horas por dia fazendo cálculos à lápis para lançar o primeiro satélite americano no espaço ou dirigir as primeiras missões de exploração do Sistema Solar.

Aos poucos, porém, suas histórias começam a aparecer. Isso porque além da distância dos holofotes, essas mulheres que trabalharam como “computadores humanos” para a NASA vivenciaram um conflito que se estende até hoje: como lidar com as ambições profissionais e as responsabilidades enquanto donas de casa e mães?

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Nathalia lembra que nessa época elas eram chamadas de “querida” por seus colegas do sexo masculino, que eram intitulados “engenheiros, e que recebiam mais elogios por seus cortes de cabelo à moda Bette Davis do que por seus cálculos magistrais.

Ann Dye, Gail Arnett, Shirley Clow, Mary Lawrence, Sally Platt, Janez Lawson, Patsy Nyeholt, Macie Roberts, Patty Bandy, Glee Wright, Janet Chandler, Marie Crowley, Rachel Sarason, and Elaine Chappell. Second row: Isabel deWaard, Pat Beveridge, Jean O’Neil, Olga Sampias, Leontine Wilson, Thais Szabados, Coleen Veeck, Barbara Lewis, Patsy Riddell, Phyllis Buwalda, Shelley Sonleitner, Ginny Swanson, Jean Hinton, e Nancy Schirmer. Fonte: Divulgação.

Cada uma delas deixaria de ser uma raridade na escola, aquela menina que se destaca em aulas de cálculo e química, para aderir a um grupo exclusivo de mulheres no JPL. As carreiras que estavam prestes a se lançar seriam diferentes de qualquer outra. Naquela época houve um reconhecimento pela NASA no passado.

Na época da celebração do cinquentenário do direito ao voto, um movimento maciço chamado Greve das Mulheres para a Igualdade eclodiu nos Estados Unidos pedindo por mais direitos para as mulheres que já eram maioria e “donas de casas escravizadas”. No JPL, os títulos das mulheres foram mudados: conhecidas como “computadores humanos”, elas passaram a ser chamadas oficialmente de engenheiras. Foi uma avanço tão grande quanto o homem pisando na Lua.

Esse capítulo dos “computadores humanos” na NASA tem um aspecto ainda mais interessante para a história da ciência espacial: várias dessas mulheres eram também negras.

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Em 2017, chegou aos cinemas o filme de Theodore Melfi, “Hidden Figures”. Baseado no livro de não-ficção de mesmo nome, de Margot Lee Shetterly, o filme conta a história das mulheres negras que ajudaram o Estados Unidos a ganhar a corrida espacial. A obra segue a história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae), mulheres cientistas que foram cruciais para o início da NASA, o Projeto Mercury e o desembarque do homem na Lua em 1969.

Já o The Guardian lembra que muito embora parte dessa geração de cientistas negras tenham sido reconhecidas no ano de 2015, Katherine Johnson foi premiada com a maior honraria civil dos EUA, a Medalha Presidencial da Liberdade, pelo seu trabalho na NASA, que incluiu cálculos que ajudaram o pouso na Lua. O fato é que grande parte da equipe era composta por mulheres, sendo várias delas negras, e que pouco se sabe sobre isso ainda. Essa ausência não é por acaso.

Melba Roy heads the group of NASA mathematicians, known as “computers,” who track the Echo satellites. Roy’s computations help produce the orbital element timetables by which millions can view the satellite from Earth as it passes overhead.

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Agora, a história dessas mulheres, brancas e negras, começa a ser contada para que as próximas gerações possam não apenas conhecê-las, mas também se verem representadas e, quem sabe, ajudar o ser humano, e não apenas o homem, a explorar ainda mais o espaço.

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