“Venci o medo, assumi minha sexualidade e me tornei uma inspiração para outras pessoas”

O empresário Márcio Orlandi, 51 anos, de São Paulo, tinha medo de se assumir gay, o que fez com que vivesse “no armário” por dois anos e meio. Neste depoimento, ele conta como venceu o preconceito e hoje apoia pessoas LGBTI+ a fazer o mesmo.

“No final da faculdade, eu estava certo de que queria trabalhar em consultoria por causa de uma experiência anterior positiva. Como consegui rápido uma oportunidade em uma multinacional, até os 27 anos fiquei focado na carreira e pouco na vida amorosa. Foi nessa época que me apaixonei pela mulher com quem me casei quatro anos depois.

Eu sabia desde a adolescência que sentia atração tanto por pessoas do sexo feminino quanto do masculino, mas isso ainda era um tabu, então me convenci de que viveria uma vida hétero. O casamento durou onze anos. Eu estava em outro momento profissional intenso, e ela desenvolvia a própria carreira. Percebemos que já não tínhamos as mesmas prioridades e nos separamos.

Àquela altura, com 42 anos, sentia que não devia mais nada a ninguém. Talvez por isso veio a vontade de descobrir como seria ficar com um homem. Assim, depois de algumas experimentações, iniciei relacionamentos mais sérios. O medo de me assumir, no entanto, fez com que eu vivesse ‘no armário’ por dois anos e meio. Mas estava mal por ter me afastado de muita gente por causa disso, e decidi me abrir aos poucos.

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“Contar para meus pais era meu maior receio”

Aí chegou o dia de contar a meus pais – era meu maior receio. O baque deixou nossa relação estranha por um tempo, mas hoje eles lidam bem com tudo. Eu também temia ser ‘descoberto’ no trabalho e sair prejudicado.

Por coincidência, nesse mesmo período conquistei um cargo em uma empresa jovem e aproveitei a mudança para chegar inteiro, ser quem eu era. Eu me sentia tão feliz que passei a ser uma inspiração para quem queria se assumir e achei que devia ser mais ativo nesse sentido.

Comecei por um coletivo para apoiar pessoas LGBTI+ no processo dentro do ambiente de trabalho e, há um ano e meio, estou à frente do Pride Bank, o primeiro banco digital voltado a essa comunidade.”

Texto: Romy Aikawa
Foto: acervo pessoal

Conteúdo publicado originalmente na TODOS #37, em maio de 2021.

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