Pela 1ª vez em 36 anos, Bahia terá mulher indígena como Defensora Pública: ‘Não serei a única’

Pela primeira vez em 36 anos, a Defensoria Pública do Estado da Bahia terá uma mulher indígena atuando como defensora pública.

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Aléssia Bertuleza, de 29 anos, é professora de Direito Internacional e Direitos Humanos. Ela cresceu na Aldeia Dzorobabé, do povo indígena Tuxá, e há 4 meses foi aprovada no concurso público para ser defensora, sendo enfim empossada nesta semana.

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“Esse é um marco para a história da Bahia. E tenho certeza que vai enriquecer muito nossa instituição, aumentar a diversidade e aprofundar ainda mais o debate sobre equidade racial”, disse ela em um post compartilhado no Instagram.

Para Aléssia, sua aprovação é resultado das lutas dos povos indígenas, especialmente do povo Tuxá, que habita a região de Rodelas, na Bahia.

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“A simples aprovação de uma pessoa indígena em um concurso com reserva de vagas gera visibilidade para a instituição e, principalmente, para a causa indígena. Isso abre possibilidades para que outras pessoas percebam que é possível ocupar esses espaços”, afirmou a nova defensora pública.

Ela sempre estudou em escolas públicas e passou em Direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) pouco depois de concluir o ensino médio.

Assim que concluiu o curso, Aléssia fez mestrado em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Fui a primeira da família a ter nível superior, sou egressa do sistema público de educação. Na UEFS, fui a primeira cotista indígena a se formar no curso de Direito”, relembrou.

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“A realização de um sonho. Um sonho nosso. Painho, mainha e Juninho, amo vocês!”, disse Aléssia após ser aprovada no concurso.

“Fico feliz em saber que, em breve, não serei a única”

De quantas Aléssias o Brasil ainda precisa? Incontáveis! Como ela mesma gosta de dizer, a primeira indígena defensora pública na Bahia… A primeira de muitas!

Desde mais nova, ela já nutria a vontade de seguir carreira na área do Direito. Esse desejo cresceu ainda mais após sua comunidade precisar luta por seus direitos após o anúncio da construção de uma barragem na região.

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“Cresci ouvindo meus avós e tios falarem sobre um processo contra a empresa. Eu via as coisas se desenrolando e não entendia o que acontecia. Depois que cresci, vi que os adultos também não entendiam e isso prejudicou muito o meu povo. A partir dessa situação, pensei: quero entender como isso funciona para, nos próximos casos, saber do que estamos falando“, recordou.

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Apaixonada pela instituição

O esforço para entrar na Defensoria Pública da Bahia também não foi por mero capricho: Aléssia se apaixonou pela instituição quando estagiou por lá na condição de estudante universitária.

Para ela, talvez não há lugar melhor para o Direito ser aplicado em favor das pessoas que mais necessitam.

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“Quando era estagiária, sentia que cada pessoa que chegava ali era um dos meus. Era a porta onde eu bateria caso precisasse de assistência jurídica”, afirmou.

Por fim, a recém-empossada defensora pública refletiu sobre a importância dos indígenas ocuparem cargos de alto nível como este.

“Sou fruto da luta de muita gente que me antecedeu, é uma conquista coletiva. Sou a primeira, mas fico feliz em saber que, em breve, não serei a única“.

Agora, Aléssia vai trabalhar para trazer visibilidade e inspirar outros indígenas, homens e mulheres, a ingressarem no Poder Judiciário.

Que orgulho, Aléssia – para sua comunidade, a defensoria, a todo mundo que luta no Brasil. A sua vitória é a vitória da esperança! O sinal de que vale a pena acreditar na educação pública e num Brasil mais humano e diverso!

Fotos: Reprodução / Instagram: @abertuleza

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