Bailarina recebe primeiras sapatilhas da cor de sua pele: ‘Não vou precisar pintar mais’

Surgido na Itália renascentista do século XV, o balé se tornou uma dança mundialmente influente e reconhecida com o passar dos séculos. Nos últimos anos, popularizou-se pelos países em desenvolvimento, como o Brasil. Aqui, bailarinas são forjadas e exportadas para as mais prestigiadas academias de balé do planeta.

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A inclusão crescente dessa dança, que trouxe maior diversidade racial, não foi acompanhada pelas fabricantes de sapatilhas, que por anos ignorou os pedidos de bailarinas negras por calçados em tons de marrom e bronze. Mas isso está mudando.

Integrante do grupo Dance Theatre do Harlem, em Nova York (EUA), a bailarina brasileira Ingrid Silva ficou super feliz ao comprar e estrear um par de sapatilhas que ela não precisou pintar antes de uma apresentação.

Ela compartilhou a novidade em seu perfil do Twitter. “Elas chegaram! Pelos últimos 11 anos, eu sempre pintei a minha sapatilha. E finalmente não vou ter mais que fazer isso! Finalmente”, comentou Ingrid.

“É uma sensação de dever cumprido, de revolução feita, viva a diversidade no mundo da dança. E que avanço, viu, demorou mas chegou!”. Mais de 100 mil internautas curtiram o post.

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Um usuário perguntou como Ingrid pintava os calçados. Em resposta, ela mostrou um vídeo mostrando como fazia o processo de tintura da chamada ‘sapatilha de ponta’.

Cada pote de tinta custa 12 dólares (cerca de 48 reais). É um gasto considerável se levarmos em conta que precisou ser feito por 11 anos ininterruptos, além do tempo exigido pela pintura à mão.

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Leia também: Pedreiro desafia preconceitos e aprende balé para ajudar filhas autistas

Bailarinas negras ou pardas precisam pintar suas sapatilhas para que não haja uma ‘mudança cromática’, que quebra a linha da perna – nesse caso, um instrumento de trabalho.

A partir de 2018, empresas que fabricam o calçado, como a britânica Freed of London e a norte-americana Gaynor Minden começaram a fabricar outros tons de sapatilha.

Bailarina e ativista social

Ativista social desde jovem, Ingrid Silva, 30 anos, nasceu e cresceu nas favelas do Rio de Janeiro.

Aos 8 anos, começou a dançar balé graças ao projeto social Dançando para Não Dançar. Desde 1995, a entidade auxilia meninas de comunidades carentes para que elas recebam uma formação profissional e uma rede de apoio social para alcançar seus sonhos.

Ingrid se especializou em dança clássica afro-brasileira e agora triunfa na companhia Dance Theatre do Harlem de Nova York.

De quebra, ela colabora com as Nações Unidas para promover a igualdade de oportunidades na educação. “Quando tinha 12 anos e morava no Brasil, eu era a única afro-brasileira nas escolas de dança. A inclusão é algo pelo qual todos temos que trabalhar. As pessoas precisam saber que pertencem a algo, para não se sentirem afastadas nem desistirem só porque são vistas como diferentes”, explicou ela em uma cerimônia da ONU, em 2018, em Nova York.

A bailarina também fundou a plataforma EmpowHerNY, que conecta mulheres através das redes sociais, criando espaços para que elas possam compartilhar experiências, além de promover a diversidade e o empoderamento.

Educação, esporte e arte são fundamentais para a inclusão social de grupos vulneráveis, concorda? Conheça então três projetos que defendem essas causas, escolha a sua favorita, apoie e concorra a um super prêmio de R$ 1 milhão da promoção “Ganhou, Causou”, da Nestlé. Clique aqui e saiba como participar!

Fonte: El País/Fotos: Reprodução/Twitter

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