Jovem de 17 anos coordena projeto que produzirá bioabsorventes para detentas

As mulheres sabem bem o sufoco que é quando chega a menstruação. E como será que isso acontece dentro das penitenciárias femininas do Brasil? Foi pensando nas mais de 40 mil detentas do sistema carcerário brasileiro que Giullia Jaques Caldeira, uma carioca de 17 anos, está coordenando um projeto para produção de bioabsorventes para essas mulheres.

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A ideia nasceu quando ela conheceu um projeto em Lima, no Peru, que leva privadas para moradores de comunidades carentes que não têm banheiro em casa. “Comecei a pensar quem sofria com a falta de absorventes no Brasil e cheguei no caso das detentas. Assim que voltei ao Brasil, comecei a estruturar um projeto”, relatou. Mas a ideia esbarraria no custo para manter o abastecimento das penitenciárias com a compra de absorventes descartáveis e a saída foi pensar em bioabsorventes.

O projeto “ABSORVIDAS” está sendo realizado em parceria com a empresa HERSELF e com a Fundação Santa Cabrini. A empresa, especializada em calcinhas e biquínis menstruais, vai doar parte dos materiais que sobram das produções para que sejam confeccionados os bioabsorventes para as detentas. A Fundação Santa Cabrini vai promover a costura desses materiais junto com as detentas.

Aos 16 anos, Giullia elaborou um projeto de lei que destina 8% das vagas de uma empresa privada para mulheres com filhos na primeira infância. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Uso por até 12 horas e duração de 4 anos

Segundo ela, os bioabsorventes poderão ser utilizados por até 12 horas, no máximo. E o melhor: eles podem durar até 4 anos, destaca Giullia.

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Estes absorventes feitos de pano podem ser lavados durante o banho e, por serem feitos de tecidos de algodão, são livres de componentes químicos que muitas vezes causam reações alérgicas. Esta composição também refuta o medo popular do cheiro que os bioabsorventes podem ter durante o ou após o uso. Porém, contrariando o que muitas pessoas pensam, o sangue menstrual não cheira mal. O cheiro ruim que sentimos quando usamos absorventes descartáveis vem na verdade de uma reação do sangue com os químicos presentes nestes absorventes. Os absorventes reutilizáveis são totalmente livres de químicos e, consequentemente, de odores”, explicou.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O projeto foi apresentado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e deve ser implementado inicialmente com as presas do Instituto Penal Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó.

Giullia também já elaborou projeto de lei e participa de vários eventos pelo mundo

Além do ABSORVIDAS, Giullia também participa de diversos eventos pelo mundo contribuindo para avanços em várias áreas. Aos 15 anos de idade, ela teve uma experiência na Google, aprendendo sobre computação, engenharia da informação e programação e o espaço da mulher nas áreas exatas, tendo sido escolhida entre as 100 meninas mais inteligentes do país.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

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Aos 16 anos, Giullia elaborou um projeto de lei que destina 8% das vagas de uma empresa privada para mulheres com filhos na primeira infância, ou seja, mães de crianças de até 6 anos de idade. Ela apresentou a ideia no Congresso Nacional e foi selecionada para o Parlamento Jovem Brasileiro. Depois, foi à Assembleia Legislativa do RJ e conseguiu a aprovação do PL no estado. “Minha inspiração foi minha mãe que, em toda entrevista de emprego, foi questionada sobre as filhas gêmeas que estava criando”, relatou.

Nesta ápoca, ela foi selecionada para um intercâmbio no Japão com outros 29 jovens de 20 países e vendeu até brigadeiros para conseguir ir estudar. Depois, Giullia foi convidada com outros 49 brasileiros para uma missão diplomática nos Estados Unidos, onde também fez trabalho voluntário.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

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Aos 17 anos ela terminou o Ensino Médio e entrou para a faculdade de Relações Internacionais na UFRJ. Depois disso, recebeu uma carta de aprovação para o programa Oportunidades Acadêmicas, do Education USA. O OPP é um programa que arca com todos os custos do processo de candidatura pra Universidade nos Estados Unidos. Em seguida, foi aprovada em Direito também na UFRJ e atualmente está fazendo uma vaquinha online para participar de um novo programa piloto para o qual foi selecionada pela Academia de Liderança América Latina, na Colômbia.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Você conhece o VOAA? VOAA significa vaquinha online com amor e afeto. E é do Razões! Se existe uma história triste, lutamos para transformar em final feliz. Acesse e nos ajude a mudar histórias.

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