Como uma boa ação ensina que as divisões geram ódio

Quando deixamos de acreditar nas pessoas, o universo nos surpreende com uma boa ação que renova nossa fé na humanidade.

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Há alguns dias a Patrícia Hamu foi correr em um parque e deixou sua bolsa no porta-malas do carro. Depois do treino, ela foi pegar o carro e viu que o porta-malas estava aberto. Patrícia achava que tinha fechado o porta-malas, mas só havia encostado.

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“Lembrei da bolsa com a carteira com todos os cartões, documentos e dinheiro, das chaves, do cartão magnético de acesso ao escritório, das sacolas com todas as roupas para mandar para a lavanderia…”, relatou Patrícia no seu perfil do Facebook.

Para sua surpresa, um casal estava vigiando o carro. Os objetos dentro do porta-malas estavam intactos, exatamente como Patrícia tinha deixado. O homem e a mulher combinaram de não arredar o pé de lá até que o dono ou a dona do carro aparecesse.

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“Nossa, não sei nem o que falar… além de dizer mil vezes obrigada, me deixa recompensar vocês de alguma forma (respondo, enquanto vou abrindo a carteira, procurando dinheiro para dar a eles”, disse Patrícia.

O casal recusou na hora a recompensa pela boa ação. Simplesmente porque o homem e a mulher gostariam que fizessem o mesmo por eles se estivessem no lugar de Patrícia. Aliás, foi o que sugeriram à Patrícia fazer como a melhor recompensa que poderiam receber pelo seu gesto.

“Depois de me aguardarem conferir a bolsa e todo o conteúdo do porta-malas e constatar que estava tudo ali, os dois me desejaram bom dia e foram embora.”

Em tempo de polarização política e ideológica, essa experiência fez Patrícia voltar a acreditar que podemos sair de um ambiente que alimenta o ódio e a intolerância através da empatia e da solidariedade – divisões são boas para nenhum dos lados!

“Estamos adoecidos pelo nosso ódio, mas lembrar que temos o melhor da empatia e da honestidade no nosso cerne pode nos ajudar a encontrar a cura para essa cólera que está nos dividindo e destruindo”, afirma Patrícia.

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Leia o relato na íntegra:

Por causa do feriado, resolvi aproveitar a manhã para treinar no Lago das Rosas. Depois de estacionar o carro perto do parque, deixei a bolsa no porta-malas e desci só com a chave e o celular – há anos tenho o hábito de não deixar nada no banco do carro e guardar tudo no porta-malas.

Quando o treino terminou e atravessei a rua para pegar o carro, vi que o porta-malas estava aberto. Na hora entendi que achei que o tinha fechado e travado, mas na verdade só havia encostado (Fabrícia sendo Fabrícia…). Lembrei da bolsa com a carteira com todos os cartões, documentos e dinheiro, das chaves, do cartão magnético de acesso ao escritório, das sacolas com todas as roupas para mandar para a lavanderia… e por não poder dar um chilique nem ter um acesso de fúria, porque a culpa foi minha mesmo, soltei um longo suspiro, me resignei e fui ver o tamanho do estrago.

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Qual não foi minha surpresa ao encontrar um casal parado ao lado do carro, de vigília, e perceber que todos os objetos do porta-malas estavam intactos.

– Moça, esse carro é seu? (me perguntou a mulher)
– É sim! Esqueci o porta-malas aberto, né? (digo morrendo de vergonha)
– Ah, então foi isso?! Nossa, graças a Deus! Ficamos com medo que alguém tivesse arrombado seu carro… mas confere a bolsa, porque tem só 40 minutos que estamos aqui, então alguém pode ter chegado antes e levado alguma coisa (me recomenda o homem)
– Moço, tem 40 minutos que você e sua esposa estão parados aqui, vigiando meu carro? (questiono envergonhada e, ao mesmo tempo, perplexa)
– Tem sim. A gente combinou que só ia sair daqui quando você chegasse (me respondeu a mulher, rindo)
– Nossa, não sei nem o que falar… além de dizer mil vezes obrigada, me deixa recompensar vocês de alguma forma (respondo, enquanto vou abrindo a carteira, procurando dinheiro para dar a eles)
– De jeito nenhum, moça! Nem ouse (diz o homem, me impedindo) Só fizemos por você o que gostaríamos que tivessem feito por nós. Se quer agradecer a gente, faça por alguém que um dia estiver nessa situação o que mesmo que fizemos por você hoje.

Depois de me aguardarem conferir a bolsa e todo o conteúdo do porta-malas e constatar que estava tudo ali, os dois me desejaram bom dia e foram embora.

Eu poderia agradecer a hora extra do meu anjo da guarda e me sentir privilegiada pela proteção divina. Mas não era essa a mensagem que Deus queria me dar, não.

Desde ontem, confesso que fiquei numa descrença danada do nosso povo. Descrença dos apoiadores fanáticos do Bolsonaro, que agora culpam a esquerda pelo ataque a ele e querem ver mais sangue e violência. Descrença dos críticos fanáticos do Bolsonaro, que acham que ele teve o que mereceu e não precisa de respeito algum. Uma vontade louca de sumir desse País.

Daí vem Deus e me mostra hoje que não é assim. Por meio do que aconteceu comigo, ele me faz enxergar que somos maiores que nossos ódios, rivalidades e ideologias. Ele me alerta que, em meio a tanta raiva e ignorância, ainda há gente que para tudo o que está fazendo só para impedir que um desconhecido seja lesado. Gente que é honesta, generosa e íntegra.

É dessa matéria de grandeza e generosidade que somos feitos. Se você é brasileiro e não é assim, tenho certeza que conhece algum ou vários que são. Estamos adoecidos pelo nosso ódio, mas lembrar que temos o melhor da empatia e da honestidade no nosso cerne pode nos ajudar a encontrar a cura para essa cólera que está nos dividindo e destruindo.

Eu não sei qual o nome das pessoas que me ajudaram hoje. Foi tudo tão rápido e surpreendente, que me esqueci de perguntar o básico. Torço para que, se alguém compartilhar esse texto, eles se identifiquem. E se virem esse post, que saibam que são pessoas como eles que nos incentivam a votar consciente e pensar num Brasil para todos. Porque aqui tem (muita) gente que vale a pena. Mesmo que nosso ódio nos impeça de enxergar o óbvio e mais importante, a vida sempre dá um jeito de levantar a venda da nossa cegueira.

crédito da foto: Via

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