Negra e de família humilde, brasileira se forma em mestrado de kimono e afro na universidade nº 1 do Japão

Marina de Melo do Nascimento, 29 anos, viralizou ao postar uma foto em seu Twitter celebrando sua formatura de Kimono e Afro. A jovem fez mestrado em História na Universidade de Tohoku, no Japão.

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“Me formei em história e minha dissertação foi sobre feminismo no Japão no século XIX, onde analisei e traduzi alguns textos da Kishida Toshiko, a primeira mulher a ser presa por fazer uma discurso público sobre a condição feminina”, conta a garota na rede social.

De Itaquera, zona leste de São Paulo, para o mundo, Marina se formou em Letras na USP e cresceu apaixonada pela cultura japonesa. Ela até tem um Instagram para compartilhar seus desenhos em quadrinhos com a galera!

Marina sorrindo meio flores Japão
Foto: Instagram / @mmyoi2

Sua família sempre a incentivou a estudar e conhecer mais sobre os costumes do Japão, porém, fora de casa, a realidade era totalmente diferente.

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“Uma vez, um professor não me aceitou no curso de japonês, porque disse que eu não tinha a ver com a cultura e, por isso, não tinha por que eu aprender. Minha mãe foi lá e disse: ‘Quem é você para dizer o que minha filha pode aprender ou não?'”, conta Marina.

Só que, mesmo com todas as dificuldades, ela realizou seu sonho e, em 2013, conseguiu um intercâmbio para viajar pela primeira vez ao Japão. Hoje, ela continua no país com seu marido Júlio César, que também é brasileiro e estuda na Universidade de Tohoku.

“Eu ia várias vezes no consulado e demorava muito para chegar lá. E ainda teve a questão da minha carta de aprovação na Universidade: como todo mundo na minha casa trabalhava, quem recebeu foi o tiozinho do bar da esquina da rua”, conta.

No Japão, para pagar as contas, ela trabalha como professora de filhos de brasileiros, dá aula de inglês em um cursinho preparatório e é intérprete na biblioteca da faculdade.

No dia da sua formatura, decidiu apostar nos cabelos naturais com incentivo do seu marido. Resultado? Sucesso total! Mas, antes da cerimônia, teve medo de que as pessoas comentassem sobre ele e até dessem risada.

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“A gente se impõe uma pressão muito grande para alisar aqui, porque ninguém tem o cabelo igual no Japão. E o olhar para os fios é sempre de uma coisa exótica, esquisita. Eu não alisei, porque demorou muito para eu assumi-los. Hoje, uso trança e afro puff, o que usei na formatura e achei lindo”, conta Marina.

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Marina de kimono e afro cabelos Japão
Foto: Instagram / @mmyoi2

“A gente deveria se jogar no mundo e ter a oportunidade de gostar do que a gente gosta. O racismo não pode parar a gente nesse quesito”

Linda, inteligente e um exemplo de superação e coragem! 💜

Fonte: Geledes


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