“Sou cadeirante e, por meio do tiro com arco, controlei a dor crônica”, diz enfermeira aposentada

Após um acidente de carro, a enfermeira aposentada Valéria do Nascimento, de 53 anos, passou a precisar de uma cadeira de rodas para se locomover. Em 2014, inspirada pelo paratleta João Ivison, campeão de tiro com arco, ela decidiu começar a praticar o esporte. Aqui, ela conta de sua jornada e como o tiro com arco mudou sua relação com o corpo e com a própria vida.

“Em 2014, vi na TV uma reportagem sobre um cadeirante que praticava tiro com arco: João Ivison. Na matéria, o paratleta contava que o esporte o ajudava a combater a dor crônica da lesão medular que ele tinha sofrido após um acidente de carro. Com a mesma lesão, eu também sofria de dores crônicas. Na esperança de melhorar, busquei um treinador e comecei a praticar.

Eu ia treinar sozinha, de cadeira de rodas, no meu veículo adaptado, de duas a três vezes por semana, no Clube dos Oficiais em Aldeia, no Recife. Colocava o arco em uma mochila de viajante atrás da cadeira e a aljava – bolsa com as flechas – ficava presa a uma das minhas botas ortopédicas, já que eu não podia carregá-la nas costas.

O esporte me ajudou demais no controle da dor crônica. Antes, eu usava morfina e ia ao hospital mensalmente para fazer um bloqueio anestésico. Com o esporte, você foca em acertar o alvo e esquece todo o resto. Não precisei nem mais de terapia.

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“Para mim, esse esporte combina com superação e amor.”

Quando você pega um arco e uma flecha pela primeira vez, a paixão é tão grande que é difícil de desistir. Chegou, pegou o arco, botou a flecha, atirou, amou. Esse é o nosso passo a passo. Em 2015, comecei a praticar no Country Club, onde treinei até 2017. Nesse período também participei de campeonatos. Nunca sofri preconceito nem resistência por ser cadeirante, negra e mulher. Sempre fui bem-aceita nos clubes por onde passei.

Sou cadeirante por ter sofrido uma lesão lombar baixa, mas as lesões degenerativas subiram para a minha coluna e chegaram até a cervical. Isso me fez perder força nos braços. Há cinco anos estou acamada. Quando volta um pouco a força, pratico no quarto mesmo, com uma besta, um arco rudimentar mais leve, mirando um alvo que eu mesma fiz na época em que eu atirava. A prática me ajuda a manter o braço em movimento e garante minha autonomia. Assim, consigo tomar banho sozinha, por exemplo. Ela também auxilia na minha concentração e me dá muita felicidade.

Para mim, as palavras tiro com arco combinam com superação e amor. Ainda não tenho força para puxar o arco composto, que eu usava antes, mas acredito que voltarei a treinar em breve. Meu sonho é seguir para me profissionalizar como paratleta e participar da seleção em que João Ivison foi medalha de ouro em Dubai representando o Brasil.”

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Texto: Valéria do Nascimento, em depoimento a Martina Medina
Foto: iStock
Conteúdo publicado originalmente na Sorria #84, em abril de 2022.

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